Junte-se ao grupo de assinantes e receba dicas, e-books e artigos do HypnoPlace.



Xixi na cama: como a hipnoterapia pode ajudar as crianças

Toda noite a história se repete. Os lençóis molhados na madrugada interrompem o sono do filho e dos pais. Mais difícil do que trocar a roupa de cama e voltar a dormir em seguida é lidar com o desconforto que o problema gera na criança. A sensação de impotência que a enurese, nome técnico para o famoso xixi na cama, traz. Até os cinco anos, essa perda involuntária do xixi faz parte do desenvolvimento dos pequenos. Após essa idade, é preciso observar o que pode estar levando a menina ou o menino a sofrer com isso. A boa notícia é: da forma mais natural e gentil possível, a hipnose clínica pode ajudar o seu filho a superar essa dificuldade.  

A estimativa é de que 5% das crianças por volta dos cinco anos convivam com o problema do xixi na cama. O percentual sobe para 7% aos dez anos e cai para 3% aos 12 anos. A incidência é maior entre os meninos. A estimativa é de que eles representem oito em cada dez casos diagnosticados desse modo. 

O distúrbio envolve a perda de urina enquanto a criança dorme por pelos menos duas vezes por semana, a partir dos cinco anos. A identificação de ocorrências na adolescência é rara, assim como não é comum que adultos passem por isso. 

Menino chateado depois de fazer xixi na cama

Fonte: Freepik

Existem dois tipos de enurese: a primária e a secundária. Na primeira situação, a criança com cinco anos ou mais nunca conseguiu segurar o xixi enquanto dorme. Na segunda opção, o menino ou a menina volta a fazer xixi na cama depois de ter passado seis meses, no mínimo, sem o problema, o que normalmente remete a situações de estresse ou mudanças na dinâmica familiar que deixem os pequenos ansiosos, inseguros. Seria um efeito colateral. 

A medicina aponta algumas causas para essa condição ligadas ao retardo na maturação neurológica, o que afeta o controle dos esfíncteres, baixa concentração de um hormônio antidiurético chamado vasopressina, sono muito pesado e hereditariedade. 

Como a hipnose clínica pode ajudar

No dia a dia dos atendimentos de hipnose clínica, a orientação é sempre ouvir o médico responsável antes, fazer um check up geral da saúde da criança a fim de investigar qualquer possibilidade, qualquer causa ligada ao corpo em si. Caso não haja nenhuma causa aparente que justifique a ocorrência da enurese, é hora de averiguar outras possibilidades. E trabalhar a confiança do cliente mirim para que ele possa se ver livre do xixi na cama. 

Em tese, as enureses secundárias, ligadas a acontecimentos específicos, são mais fáceis de tratar. Nesses casos, vale observar situações como mudanças de cidade ou de escola, bullying ou a chegada de um irmão ou irmã. 

Nesse último item, ou seja, se tem gente nova em casa, vale o cuidado e a orientação aos pais de que o mais velho precisa, sim, de atenção exclusiva sempre que possível, para não se sentir perdendo território para quem veio depois. Nem que seja para ir à padaria da esquina comer um pão de queijo na companhia do pai ou da mãe. 

Acima de tudo, é preciso ouvir e acolher a criança, dizer que atendimentos do tipo não são raros e que ele ou ela tem todas as condições de resolver o problema. Uma dica boa é lembrar o pequeno ou a pequena de que o dia tem 1.440 minutos e que, se ele ou ela consegue segurar o xixi por 1.439 minutos, há de dar conta do recado nesse único momento que falta para o controle ser total. 

Um detetive em ação

Além da escuta e do acolhimento, a hipnose clínica oferece inúmeras técnicas para usar com os pequenos que sofrem com o problema do xixi na cama. Especialmente no método Hypnokids, desenvolvido especialmente para atender crianças e apresentado em todo o mundo pela hipnoterapeuta e instrutora suíça Barbara Scholl. 

Assim, vale pedir ajuda até para o detetive que cada garoto ou garota tem dentro de si, sem dúvida um forte aliado na busca pelas causas da enurese. Ou conduzir o cliente a verificar os “tubos” de seu sistema urinário, checando se está tudo certo com o corpo e tendo a chance de consertar o que eventualmente esteja errado. 

Mas tudo de modo personalizado, focado nos interesses e no cotidiano de quem está no consultório naquele momento. Já atendi um menino de dez anos apaixonado por viagens espaciais e por programação de computadores. O que fizemos na sessão de terapia? Entre outras coisas, o conduzi a uma viagem para Júpiter (planeta escolhido por ele, havia sugerido Marte como primeira opção), onde ficava o “centro de controle dos esfíncteres dos meninos da Terra”. Uma vez lá, ele, que já é um programador de sistemas, teve a oportunidade de identificar o que estava errado com o seu aparelho urinário. E, mais importante ainda, de corrigir, ele mesmo, a falha. 

Menino com asas de papelão brincando em cima da cama

Fonte: pressfoto / Freepik

Foi um sucesso. O roteiro especialmente preparado para ele teve o alcance desejado. É assim que deve ser, não é mesmo? Até no atendimento de adultos é preciso considerar sempre a realidade de cada um, sem fórmulas prontas e sem economizar carinho e empatia. 

Celebrar cada passo 

Ainda sobre empatia, é muito importante apoiar a criança em sua jornada pelo fim da enurese. Cada noite sem xixi na cama deve ser elogiada, celebrada. Qualquer um se sente mais calmo e seguro ao ouvir que são raros os adultos que passam pela mesma dificuldade, ou seja, ele ou ela já está no caminho de se libertar desse incômodo. Aqui, vale a mesma conduta que os bons hipnoterapeutas seguem ao receber pessoas de quaisquer idades: lembrar os clientes de que eles têm mentes poderosas e coragem para enfrentar e resolver seus problemas. 

Coragem e força para levar uma vida plena, tranquila e saudável. Uma vida sem constrangimentos nos dias do acampamento da escola ou na noite da festa do pijama na casa do melhor amigo. 

Como parte desse processo, vale orientar os pais a deixarem os pequenos recolherem a roupa de cama molhada e a levarem para a lavanderia. Tudo ajuda no sentido de tomar para si a responsabilidade pela superação. Sem pressão, claro, que ninguém acorda molhado de madrugada porque que quer, mas com orientação, amor, compreensão e apoio. Se formos parar para refletir, é exatamente disso que nós precisamos para eliminar a enurese e quaisquer outros problemas das nossas vidas. Sejamos felizes, de preferência sem xixi na cama. 

Se gostou do artigo, compartilhe com os seus amigos e familiares. Indique para quem você acreditar que o assunto será útil. Até breve! 🙂

Hipnoterapeuta OMNI e jornalista. É especialista em hipnoterapia para crianças (Hypnokids) e mulheres. Também é mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Defensora dos direitos da mulher, tem orgulho de ser uma das sócias da Fênix Hipnose Clínica, ajudando a combater desigualdades e fazendo do mundo um lugar melhor para nós todos.

X