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Vidas passadas: essa terapia é realidade ou mito?

Já ouviu falar em terapia de vidas passadas? Será que ela existe na realidade ou não passa de um mito?  Centenas de relatos atestam seus efeitos terapêuticos, enquanto os céticos questionam sua credibilidade.  A resposta não é tão simples assim, afinal, em se tratando de memória, psicoterapia, hipnose e neurociência, nem tudo é preto no branco, como se imagina.  Então prepare-se: vamos adentrar neste terreno arenoso para que você possa chegar às suas próprias conclusões. Vamos lá?

 

De onde surgiu a terapia de vidas passadas?

O nome foi dado em 1967 por Morris Netherton,  doutor em psicologia que trabalhava com hipnose regressiva e criou um método chamado “hipnose ativa”. Nele, o paciente acessaria um “reservatório mnemônico”,  através do estado ampliado da consciência, com objetivo de atingir a origem do trauma.

Uma vez acessado, o inconsciente liberaria a energia psíquica (catarse) trazendo alívio para sintomas físicos e emocionais do paciente. Ou seja, ao acessar o passado ele se libertava de traumas do passado, padrões negativos e poderia ter melhorias na sua vida presente.

Depois de Morris, outros autores continuaram os estudos como Edith Fiore, Hans Tendam e Roger Woolger; mas quem ficou muito famoso pela prática foi o psiquiatra norte americano Brian Weiss, autor do best seller “Muitas vidas, muitos mestres”, onde ele relata inúmeros casos clínicos de regressão espontânea à vidas passadas que trouxeram cura imediata aos seus pacientes.

No Brasil, as instituições mais renomadas que ensinam a prática terapêutica desassocia a técnica de questões esotéricas ou espirituais, o enfoque é dado aos aspectos psicológicos da consciência; embora ainda existam muitos profissionais que atribuam a ela, equivocadamente (na minha opinião), aspectos meramente religiosos.

terapia de vidas passadas mito ou realidade

Fonte: unsplash

Para que é indicada a terapia de vidas passadas?

Se você tem curiosidade em saber se foi Napoleão Bonaparte ou a Rainha do Egito na vida passada, eu não recomendo que você invista tempo e dinheiro numa sessão de regressão. Os fenômenos regressivos são terapêuticos à medida em que são trabalhados como metáforas de cura e você não precisa voltar a uma vida passada para ter resultados.

Na maior parte das terapias regressivas (esse seria o nome correto), as pessoas geralmente acessam memórias da primeira infância, onde segundo Freud, moram boa parte dos traumas, padrões negativos, repressões e recalques.  Acontece eventualmente da regressão acontecer até a vida intrauterina, trabalhando problemas de rejeição, autoestima, medo, dentro outros.

Os estudos mostram que a técnica é recomendada para o tratamento de fobias, traumas, distúrbios do sono, problemas psicossomáticos, vícios, distúrbios sexuais, depressão e até mesmo dores crônicas. Sua eficácia varia e já existem pesquisas que evidenciam os resultados.

para quem é indicada a terapia de vidas passadas

Fonte: pixabay

 

Quais são as explicações para o fenômeno?

Não vou entrar aqui no sistema de crenças e valores que permeiam o viés espiritual da terapia de vidas passadas; vamos ampliar a discussão trazendo três linhas de pensamento que se propõem a explicar o que acontece durante uma regressão e por que ela funciona.

A primeira linha acredita na possibilidade de uma memória genética. Desconstruindo a ideia de que o ser humano nasce como uma tábula rasa, cada pessoa traria consigo logo no nascimento informações de sua hereditariedade transmitida por seus ancestrais. Um estudo realizado com camundongos na escola de medicina da Universidade de Emory, no qual os animais eram treinados a evitar o aroma da flor de cerejeira, mostrou que seus filhotes nasceram fisiologicamente com extrema sensibilidade ao perfume e isso pode ser evidenciado no DNA dos animais.

A segunda linha, de viés mais psicanalítico, defende que é possível acessar um tipo de ‘memória universal’ podemos defini-la como uma grande “nuvem” que armazenaria todas as informações da espécie humana.  O conceito foi desenvolvido pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung de arquétipos do inconsciente coletivo.  Para Jung, os arquétipos seriam modelos prévios da formação psíquica geral, uma espécie de patrimônio coletivo do ser humano.

A terceira e última linha, que inclusive é reconhecida pelo conselho federal de psicologia, acredita que ‘as vidas passadas’ são metáforas do inconsciente que abarcam todo o significado da história de vida e emoções do sujeito.  Estas metáforas seria trabalhadas psicologicamente durante a terapia regressiva. De acordo com a teoria de emoção construída, nossas memórias não são armazenadas na mente como aconteceram, mas sim como nós as percebemos; e cada vez que acessamos esta memória, ela passa por reinterpretações e pequenas modificações.

Como funciona uma sessão de terapia com regressão?

Previamente é feita uma avaliação detalhada para entender se a queixa que o paciente traz pode ser tratada com regressão, já que existem alguns casos que ela não é recomendada como em mulheres grávidas e pessoas com distúrbios psicológicos severos como a esquizofrenia.  Nesta avaliação o terapeuta busca pela emoção oculta que sustenta aquele sintoma para poder trabalhar com ele durante o transe hipnótico. Didaticamente podemos dizer que existem seis pilares que o terapeuta segue durante a regressão:

  • Indução ao estado de transe
  • Seguir o sentimento até as memórias que se conectam a ele
  • Reconstituição dos fatos
  • Diminuição do impacto através da dessensibilização
  • Ressignificação das circunstâncias em que ele aconteceu
  • Acomodação na vida pregressa

Tudo tem a ver com a história de vida do paciente, de como a sua mente interpretava os fatos ocorridos a ponto de desenvolver mecanismos de defesa e padrões de comportamento/pensamento que desencadearam o sintoma.  De acordo com o psicólogo Carl Rogers o fator principal para elaboração dos problemas é a aceitação dos fatos:

O curioso Paradoxo: Só quando me aceito como sou, posso então mudar (1961)”.

 

Veredito final: realidade ou mito?

Agora que você já entendeu como a terapia de vidas passadas funciona, quais são as teorias que a sustentam, e as evidências de sua eficácia na ciência, pode tirar suas conclusões e dar o seu veredito final.

Minha conclusão, como psicóloga e hipnoterapeuta é: não importa.  Se meu paciente acredita que a causa de sua claustrofobia foi ter sido trancafiado num porão em 457 a. C., e puder se curar disso através de uma regressão espontânea à vida passada, então eu vou defender a prática para ele com unhas e dentes.  E, para finalizar, eu gostaria de fechar este artigo com a célebre frase de Jung:

Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana

Afinal, mais importante que meu sistema de crenças em relação a uma técnica ou outra, é o resultado do meu paciente. Você não acha? Conta nos comentários!  E se curtiu o artigo e conhece pessoas que também gostam da polêmica de terapia de vidas passadas, compartilhe com elas e até a próxima!

Psicóloga, hipnoterapeuta Omni, practitioner em PNL e coach da mente.  Membro IBHEC (International Board Of Hypnosis Educational & Certification).  Pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas, especializou-se em Transe Conversacional com Elisabeth Erickson, Neurociência aplicada ao comportamento humano e Psicologia positiva.   Acredita que o sentido da vida é encontrar o seu dom, e o propósito da vida é oferecê-lo, por isso, atua há 20 anos com desenvolvimento humano. É empresária e fundadora da Epopéia Ltda. Embaixadora da Rede Mulher Empreendedora em Campinas.  Voluntária Humanitarian Coaching Network que provê serviços de coaching para líderes da ONU e UNICEF.

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