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Vícios têm tratamento: a hipnoterapia pode ajudar

Quando o assunto é vícios, podemos abordar o tema de muitos aspectos e de várias formas, até porque, o assunto é complexo. Existem muitos tipos de vícios, e nenhum é menos agressivo que o outro, porque de modo geral, a vida de um dependente torna-se disfuncional, sem propósito (em seu ponto de vista), travada e até mesmo com a sensação de derrota e fracasso, que pode até (e é muito comum) levar a outros transtornos como depressão e ansiedade, porém, todos os vícios têm tratamento. 

Neste artigo, quero trazer o ponto de vista da Hipnoterapia no tratamento, como ela pode ajudar nas questões relacionadas ao vício, e como pode ser muito mais fácil entender a demanda por trás do objeto que aprisiona o viciado.

Vícios têm tratamento: o vício não é uma escolha

Existe um preconceito muito grande atrelado a qualquer tipo de dependência, e este tem como principal fundamento a ideia de que a pessoa viciada é dependente porque quer e porque escolheu. Do ponto de vista da Hipnoterapia, e baseado no que vivemos diariamente na clínica, o vício, assim como as doenças de ordem emocional, não é uma escolha, mas os vícios têm tratamento. 

Eu poderia falar aqui sobre termos técnicos, sobre a ciência, estrutura cerebral, análise de comportamento, e tudo que envolve a psico em relação aos vícios. Mas aqui no Hypnoplace já tem dois excelentes artigos do Hipnoterapeuta e Psicólogo José Medeiros, um sobre tabagismo e outro sobre alcoolismo; recomendo que você leia.

Neste, quero abordar a gravidade da dependência na história de uma pessoa, e como as questões emocionais não tratadas podem destruir a vida desta. 

As questões emocionais

criança no túnel exemplificando a vida com vício

Fonte: Pixabay

Você, que está lendo este artigo agora, possivelmente está passando por alguma dificuldade em relação a dependência, ou conhece alguém que está. 

Vou compartilhar contigo a história da criança que foi trocada por um par de sapatos.

Era um menino, muito criança, talvez uns dois ou três anos. Sua mãe fazia programa para sobreviver, e sempre deixava o menino com uma vizinha. Certa vez, a mãe do menino pediu emprestado um par de sapatos a vizinha que ficava com seu filho, a mesma, vendo o estado daquele menino, mal cuidado, cheio de feridas e doente, fez a proposta: Te dou os sapatos, e você me dá seu menino. E assim aconteceu a troca. 

Apesar do menino estar em melhor condições, sempre foi de seu conhecimento a troca que foi feita. Somado a alguns outros traumas de infância, a percepção que este menino tinha a respeito de si era de não pertencimento, abandono e rejeição. 

O caso deste garoto, gerou dois comportamentos típicos, que são bastante compreensíveis e comuns em um processo terapêutico e que é o que chamamos demanda emocional, padrão comportamental ou programação. 

1º comportamento: Dificuldades em relacionamentos.

Mas o que isso tem a ver com vícios? Tudo! 

A primeira mulher da vida deste homem o trocou por um par de sapatos. Ele passou a projetar a mãe em todos os seus relacionamentos, logo, nenhuma mulher prestava para ele. Todas eram (com o perdão da palavra) “vagabundas”. Para ele, todas iriam trair, abandonar, trocar… nenhuma prestava. Se tornou agressivo, porque quando ele batia nelas, inconscientemente, estava batendo em sua mãe, que era a verdadeira culpada.

Gosto sempre de observar que, nosso trabalho na terapia, não é procurar culpados, mesmo que existam. Mais importante que isso, é tratar o que ainda causa dor. 

Dentro deste homem adulto, havia ainda um garotinho abandonado, com medo, gritando pela mãe, precisando de afeto, amor e atenção. O que nos leva a um outro ponto que é fundamental, o processo do autoconhecimento, da aceitação, do perdão e do tratamento das demandas emocionais. Sem isso, os traumas podem levar aos mais diversos caminhos, depende muito de cada situação e de cada indivíduo. 

2º comportamento: Vício. 

Neste caso, foi do álcool. A famosa frase: “beber para esquecer”. Como se isso fosse uma verdade, a vida deste menino, que começou a beber cedo, tornou-se um ciclo literalmente vicioso que o tirava e amenizava a sua triste realidade. A vida era uma verdadeira droga. Nenhum relacionamento dava certo, e nem teria como dar. A relação que ele tinha consigo mesmo era de fuga. Jogava toda sua dor no álcool. O que o trazia um certo “alívio”, mesmo que momentâneo, assim como todas as outras drogas. 

Os vícios podem ter predisposição genética, mas não predeterminações genéticas. A genética não é um fator determinante, mas podemos dizer que os fatores emocionais são, e eles ganham reforço e vida própria quando não tratadas e resolvidas. 

Os vícios têm tratamento e estão de modo geral ligados a traumas na infância; não significa que todo trauma levará ao vício, mas posso afirmar que todos os dependentes passaram por traumas, e nem sempre essas dores emocionais são conscientes. 

As pessoas que apresentam algum tipo de dependência que caracteriza vício são compulsivas em relação ao objeto de desejo, e a grande maioria delas tiveram traumas na infância. Como tudo é muito subjetivo, não podemos julgar que o trauma do outro levou ele ao vício e o seu não o levou. Cada um responde de forma diferente, mas todos os vícios têm tratamento.

Dentre os pontos comuns que observo, percebo um padrão de maus tratos na infância que podem ter uma grande probabilidade de levar a algum tipo de dependência. 

As principais categorias de maus tratos são:

Negligência

Abuso físico

Abuso psicológico ou emocional

Abuso sexual

Resultado dos maus tratos:

Mortalidade e morbidade infantil

Abuso de substâncias

Comportamento sexual de alto risco

Obesidade

Comportamento criminoso

Vícios têm tratamento com a Hipnoterapia

mãos saindo da algema mostrando que vícios têm cura

Fonte: Pixabay

Os benefícios da Hipnoterapia são incontáveis; vícios têm tratamento. O processo terapêutico no tratamento da dependência está mais direcionado às demandas emocionais do que ao objeto de desejo.

Imagine a situação de uma pessoa que tem fobia de barata. Para nós, Hipnoterapeutas, o problema não é a barata, ela é, no máximo, um gatilho que aciona o medo irracional. E no fundo, o próprio fóbico sabe que uma barata não irá matá-lo ou fazê-lo mal.

O objeto de desejo de um viciado também não é o problema principal, mas sim o que sustenta a necessidade de consumo; prazer ou fuga.

Já no primeiro momento, buscamos entender a demanda. Isso significa buscar a dor atrelada ao medo de ficar sem o objeto tão desejado. Embora contraditório, é um processo delicado, ao mesmo tempo forte e intenso, onde trabalhamos com as emoções, buscando a base da estrutura do problema.

Lembra do menino que foi trocado pelos sapatos? Infelizmente não deu tempo de ele passar pelo processo terapêutico. Ele não teve a oportunidade de entender que ele era uma vítima de suas emoções, do que fizeram com ele. Com esse homem, o processo passaria pela compressão e perdão para com a sua mãe. Trabalharíamos o amor próprio, a aceitação, o medo, o desamparo e todas as outras que é de costume em terapia. 

Se eu conheço esse menino da história? Sim, era meu pai. Falecido a mais de 10 anos por conta do vício. 

Se você tem, ou conhece alguém que tem algum tipo de dependência, não perca as esperanças. A Hipnoterapia pode te ajudar a entender as raízes mais profundas da sua dor e do seu sofrimento. Sua vida é preciosa! Você é precioso! 

Se você gostou deste artigo e acha que ele pode ajudar alguém, compartilhe! 

Um forte abraço!

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