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Transtorno da Personalidade Dependente: como a hipnose pode auxiliar

O Transtorno de Personalidade Dependente, pode ser definido como incapacidade de ficar sozinho, uma dependência sufocante dos outros, a insegurança, nenhuma responsabilidade pessoal, o medo obsessivo de ser abandonado…

Estas e outras dimensões desgastantes caracterizam uma condição psicológica pouco conhecida, mas que aparece com muita frequência no nosso Consultório de Psicologia Clínica e Hipnoterapia. Estamos nos referindo ao Transtorno de Personalidade Dependente – TPD.

Diagnóstico

De acordo com a Classificação de Transtornos Mentais e do Comportamento da CID-10 (Artmed, reimpressão 2011, p.202), temos:

F60.7 Transtorno de Personalidade Dependente

Transtorno de personalidade caracterizado por:

a) encorajar ou permitir a outros tomarem a maioria das importantes decisões da vida do indivíduo;

b) subordinação de suas próprias necessidades àquelas dos outros dos quais é dependente e aquiescência aos desejos desses;

c) relutância em fazer exigências ainda que razoáveis às pessoas das quais depende;

d) sentir-se inconfortável ou desamparado quando sozinho por causa de medos exagerados de incapacidade de se auto cuidar;

e) preocupações com medos de ser abandonado por uma pessoa com a qual tem um relacionamento íntimo e de ser deixado para cuidar de si  próprio;

f) capacidade limitada de tomar decisões cotidianas sem um excesso de      conselhos e reasseguramento pelos outros.

Aspectos associados podem incluir perceber-se como desamparado, incompetente e com falta de vigor.

Inclui: personalidade (transtorno) astênica, inadequada, passiva e autoderrotista.

Já o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais / DSM – 5 (5ª Edição, Artmed, reimpressão 2016, p.675), critérios diagnósticos:

Uma necessidade difusa e excessiva de ser cuidado que leva a comportamento de submissão e apego, está presente em vários contextos, conforme indicado por cinco (ou mais) dos seguintes:

  1. Tem dificuldade em tomar decisões cotidianas sem uma quantidade excessiva de conselhos e reasseguramento de outros.
  2. Precisa que outros assumam responsabilidade pela maior parte das principais áreas de sua vida.
  3. Tem dificuldade em manifestar desacordo com outros devido a medo de perder apoio ou aprovação (Nota: não incluir medos reais de retaliação.)
  4. Apresenta dificuldade em iniciar projetos ou fazer coisas por conta própria (devido mais a falta de confiança em seu julgamento ou em suas capacidades do que a falta de motivação ou energia).
  5. Vai a extremos para obter carinho e apoio dos outros, a ponto de voluntariar-se para fazer coisas desagradáveis.
  6. Sente-se desconfortável ou desamparado quando sozinho devido a temores exagerados de ser incapaz de cuidar de si mesmo.
  7. Busca com urgência outro relacionamento como fonte de cuidado e amparo logo após o término de um relacionamento íntimo.
  8. Tem preocupações irreais com medo de ser abandonado à própria sorte.

Neste transtorno, a pessoa sente-se desamparada, ocorre uma desarmonia com seu corpo e mente, sente e tem a certeza que pode contar sempre com alguém que lhe dê um suporte, seja material, físico ou emocional. O indivíduo com esta crença limitante se sente incompetente e fracassado, sem objetivo na vida, fraco, vulnerável e perdedor.

Pacientes com este tipo de transtorno caracterizam-se pela necessidade de ser cuidado, não possuem autonomia e interesses, incrivelmente solicitam da esposa(o) até que roupa vai vestir ou em que devem trabalhar. A submissão e sua fragilidade é simplesmente impressionante. Como são intensamente ansiosos sobre cuidar de si mesmos, eles se tornam excessivamente dependentes e submissos.

De uma forma geral é estimado que aproximadamente 0,7% da população tenha este transtorno da personalidade dependente, no entanto ele é mais comum entre mulheres.

Dentre suas comorbidades, temos a ansiedade, fobia, pânico, depressão, alcoolismo, tabagismo.

O que pode levar a pessoa a procurar ajuda?

A nossa realidade de Consultório de Psicologia e Hipnoterapia tem revelado que um dos grandes motivos de se buscar atendimento em hipnoterapia, ocorre quando há uma ruptura nos relacionamentos afetivos, como final de namoro, noivado, casamento. Aquela pessoa que foi abandonada e rejeitada, sente-se desamada e desamparada, o que normalmente resulta em um profundo sofrimento psíquico, que poderá evoluir para a angústia reativa ou depressão.

Pode também ter acontecido dessas pessoas sentir-se ou até ter a certeza de não ter sido desejada por seus pais e durante sua gestação ter havido alguma tentativa de aborto, ou quando nasceu ter sido abandonada por eles, ou simplesmente preterido em prol de outro irmão.

Elas usam a submissão e a vitimização para tentar fazer outras pessoas cuidarem deles (ganho secundário), este funcionamento mental ocorre a nível do subconsciente.

Esses clientes vivem em sofrimento psíquico porque têm a certeza de que não conseguem fazer exatamente nada por si mesmos. Eles têm dificuldade em iniciar uma nova tarefa e trabalhar de forma independente, e evitam tarefas que exijam assumir responsabilidade. Apresentam-se como incompetentes, precisando de ajuda e reafirmações constantes.

Quando assegurados de que uma pessoa competente está supervisionando e aprovando-os, esses pacientes tendem a funcionar de forma adequada, mas não querem parecer muito competentes (sair da sua zona de conforto) para que não sejam abandonados. Como resultado, suas carreiras podem ser prejudicadas. Eles perpetuam sua dependência porque tendem a não aprender habilidades da vida independente.

Eles têm consciência de que seu funcionamento mental é incongruente em relação a quase todas as outras pessoas que conhecem.

Como o tempo não para, as pessoas que têm cuidado dela, como pai, mãe, cônjuge, um dia poderão faltar por motivos como rompimento de relação ou falecimento e isso a obrigará mesmo que não queira a dar um rumo a sua vida minguada, sofrida e dependente, se não afundará ainda mais nesse ciclo infindável de submissão.

Mulher triste e cabisbaixa

Fonte: luxstorm / Pixabay

Tratamento do Transtorno da Personalidade Dependente

Como eu sou Psicólogo Clínico com especialização em Psicologia Comportamental, uso este conhecimento para tratar esse transtorno, porém faço seu somatório com a hipnose, dessa forma consigo acelerar o tratamento e dar alta ao paciente de forma mais rápida e com resultados satisfatórios.

A anamnese de pacientes com este tipo de transtorno, revela traços familiares e relacionamentos com forte indícios de submissão, insegurança, comportamento discreto, introversão, dificuldades sociais e interpessoais, baixa autoestima, principalmente durante sua vida adulta.

Como a hipnoterapia pode ajudar?

Observamos que estes pacientes tiveram seu desenvolvimento com um excessivo cuidado pelos pais (excesso de zelo), eles cresceram sentindo-se superprotegidos e quando em determinado momento da vida se deparam com sua realidade na totalidade nua e crua, a ficha cai e sentem-se desprotegidos, desamparados e muitas vezes fracassados.

Só em a pessoa marcar a consulta com o hipnoterapeuta e comparecer ao atendimento é um excelente sinal, que há uma intenção, deseja dar uma guinada em sua vida. O hipnoterapeuta deve aproveitar essa oportunidade! Faça uma anamnese detalhada, colha o máximo de informações que você ache pertinente as queixas e sintomas identificados e mãos à obra.

O protocolo OMNI – R2C é excelente para se trabalhar o Transtorno de Personalidade Dependente, porque vamos poder através da identificação dos: Evento Causador Final – ECF; Eventos Causadores Secundários – ECSs e Evento Causador Inicial – ECI, entendermos como tudo aconteceu utilizando-se da regressão a causa e assim ressignificarmos todo o conteúdo emocional enraizado no subconsciente dessa pessoa, contribuindo assim para que tenha o controle de sua vida e sua libertação de uma submissão que a impede de ser feliz. Sendo assim estaremos contribuindo para sua melhor qualidade de vida, trabalhar-se-á também seu autoconhecimento, autoestima, autoconfiança, amor próprio…

Desconectar relacionamentos

Identificaremos seus relacionamentos ao longo do tempo e as conexões que estiveram e/ou ainda estão conectadas e os ajudaremos a desconectá-las, libertando-os dessas amarras, sepultando-os no seu devido lugar que é o passado.

A nossa pretensão é que após o tratamento com a hipnoterapia, e desde que a pessoa tenha uma atitude mental positiva e participativa, possamos chegar ao que ideal: amor próprio.

Se você leitor(a) conhece alguém que possivelmente se encaixe no perfil psicológico acima descrito, é possível que tenha Transtorno de Personalidade Dependente. Então compartilhe com ele esse artigo!

Psicólogo, com diversas especializações nas áreas da Psicologia Organizacional e Clínica, é hipnoterapeuta com vários cursos nacionais e internacionais, dentre eles destacamos o da OMNI Hypnosis Training Center em: Hipnoterapia, HypnoSport e HypnoPerform. Atualmente é psicólogo da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba – CAGEPA, e também atua como psicólogo clínico e hipnoterapeuta na cidade de João Pessoa – PB. É atualmente Secretário da Sociedade Paraibana de Hipnose e Sofrologia.

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