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Suicídio na adolescência: atenção às emoções do seu filho

Se existe um tema capaz de aterrorizar qualquer pai ou mãe é o fantasma do suicídio na adolescência. Como mãe de duas crianças, com 2 e 5 anos, tenho pavor somente de imaginar algo assim. Quando não consigo evitar tal pensamento, respiro e reflito que estou fazendo o melhor que posso em nome da inteligência emocional deles. 

E ainda me esforço para ajudar na identificação das emoções, com o debate permanente, em casa, sobre como se acalmar e lidar com os conflitos. É só nisso que nós podemos confiar em tempos tão ansiosos e de tamanha pressão. Um cuidado que deve começar o quanto antes e que tem, na hipnose clínica, algumas excelentes ferramentas de apoio. 

adolescente pensativa olhando para o horizonte

Fonte: Freepik / nensuria

De acordo com dados de um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), as taxas de suicídio na adolescência subiram 24% entre 2006 e 2015 no Brasil. Com o agravante de que atentar contra a própria vida já é a segunda causa de morte mais frequente entre as pessoas com idades entre 15 e 29 anos. No contexto brasileiro, a desigualdade social e o desemprego são apontados como fatores relacionados ao problema. 

Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), nos últimos dez anos, 83% dos países conseguiram reduzir as suas taxas de suicídio. O Brasil, infelizmente, não faz parte desse grupo. 

Na divisão por idade, ainda segundo a OMS, o grupo com o maior aumento nas taxas de atentado contra a própria vida é aquele entre 10 e 19 anos, principalmente entre jovens do sexo masculino. 

Atenção para as mudanças de comportamento

Mas, o que é possível fazer para identificar possíveis sinais, pistas de que os nossos filhos podem estar pensando em tomar uma atitude radical como essa? Sabemos que as mudanças de comportamento são comuns nessa fase, sem muito controle das próprias emoções. 

Segundo especialistas, o ponto central é observar as alterações que chegam e ficam, como o isolamento frequente e eventuais falas sobre a perda do sentido da própria existência e sobre a morte em si. Trata-se de uma questão que passa por um olhar atento e pela proximidade com os filhos. 

Simples, não é. Lembro que fiquei muito tocada após a leitura de O Acerto de Contas de uma Mãe, de Sue Klebold. Ela é mãe de Dylan Klebold, um dos dois jovens que, armados com explosivos e pistolas, invadiram a Escola de Ensino Médio de Columbine, nos Estados Unidos, e mataram 12 estudantes e um professor em abril de 1999. O caso foi tema do documentário Tiros em Columbine, de 2002, vencedor do Oscar. 

Depois da tragédia e de ser acusada de responsável pelo ato do filho por muita gente, Sue escreveu abertamente sobre o tema e sobre tudo o que aprendeu a respeito de jovens capazes de matar outras pessoas e depois cometer suicídio. Ela conta como não foi capaz de perceber os tais sinais de mudanças no comportamento de Dylan. Quando li o livro, cheguei à conclusão de que eu também não conseguiria, sinceramente. Hoje me sinto mais segura e melhor informada a respeito dessas questões. 

Não condeno essa mulher e gostaria muito de, um dia, poder conversar com ela. Acho nobre ela ter mudado a própria vida depois de um trauma dessa dimensão, passando a trabalhar justamente com a prevenção ao suicídio na adolescência e em outras faixas etárias. 

Tudo isso para compartilhar a principal lição do livro para mim, que é simplesmente perguntar ao seu filho como ele se sente e o que você pode fazer para ajudar. Mais básico e mais eficiente impossível. Vale a pena se inspirar na história da Sue e adotar essas práticas. 

mãe conversando com filho sobre suicídio na adolescência

Fonte: Freepik / bearfotos

Outra dica boa é divulgar os serviços do Centro de Valorização da Vida (CVV), que tem várias cartilhas de orientação/prevenção ao suicídio. Existe inclusive uma específica para pais e educadores. Isso além do atendimento pelo telefone 188. 

O papel da hipnose clínica no combate ao suicídio na adolescência

Além da função básica de ajudar a lidar com as adversidades, com toda a carga de emoções mal trabalhadas que acumulamos ao longo da vida, a hipnose clínica é uma excelente ferramenta para fortalecer a autoestima e a confiança em nós mesmos. Um reforço que se mostra fundamental numa época tão instável como esse intervalo entre a infância e a idade adulta, na qual é comum sentir-se perdido, sem referências. 

Se na infância do seu filho, por qualquer motivo, não foi feito esse trabalho de preparação emocional, não precisa se desesperar. Sempre há tempo de olhar para o que não está bom e ressignificar dilemas do passado. Assim como as crianças, os jovens também são resilientes e só querem se sentir amados, apoiados. 

Procure a ajuda de um bom terapeuta. Bato na tecla da hipnose clínica por motivos óbvios, essa é a minha área de trabalho, e porque acredito que a profundidade que esse tipo de terapia traz é perfeita para os adolescentes. Sem falar na eficácia e na breve duração do processo, normalmente concluído em três ou quatro sessões da avaliação ao retorno. Algo adequado para clientes muitas vezes nem tão pacientes assim. 

Num processo terapêutico bem aplicado, um jovem que pode estar pensando em ideias suicidas passará a ter um entendimento mais realista e cheio de empatia a respeito da vida, dos conflitos, das diferenças em relação aos pais, por exemplo. Reflexões que certamente vão acalmar quem eventualmente sofre. 

O poder do perdão

Nessa linha, a hipnoterapia pode ajudar ainda na condução ao perdão, libertando os clientes das mágoas e da sensação de injustiça e desamor tão comuns nessa etapa. Se entender porque os pais agem do modo que agem já é uma revolução para as crianças, normalmente capazes de amar de forma incondicional, imagine para moças e rapazes. Sem dúvida, essa consciência ajuda e muito na prevenção do suicídio na adolescência. 

Ansiosos e pressionados

Além disso, a hipnoterapia pode trabalhar ainda algumas questões cruciais nessa fase como a ansiedade e a pressão social em tempos de vício em eletrônicos e redes sociais desde muito cedo. Desde a infância, em muito casos. 

Você, cara leitora ou caro leitor, que eventualmente tenha entre 30 e 40 anos, consegue imaginar como seria a sua adolescência em tempos de Facebook e Instagram? Como seria ver a maioria dos seus conhecidos aparentando, o tempo todo, levar uma vida perfeita? Ou ter uma rotina sempre exposta demais, por tempo praticamente integral? É muita pressão. Adultos já se sentem mexidos, abalados, imagine quem não fez nem 18 anos ainda. 

Diante desse cenário, temos, sim, um caldeirão de dilemas que pode levar os nossos filhos a pensar em atitudes extremas. Fiquemos alerta, fiquemos perto. Com os olhos da razão e do coração preparados para estar em sintonia com os sentimentos dos nossos amados. Para acolher com atenção, amor e muitos abraços.  Somente assim, seremos capazes de prevenir o suicídio na adolescência. 

Se gostou do artigo, que, apesar de tratar de um assunto espinhoso, é importante ser abordado, compartilhe com os seus amigos e familiares. Indique para quem você acreditar que o assunto será útil. Obrigada pela leitura e até breve! 🙂

 

 

Hipnoterapeuta OMNI. É especializada em hipnoterapia para crianças (Hypnokids) e mulheres. Também é mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Defensora dos direitos da mulher, ajuda a promover o bem estar e a combater as desigualdades à frente da sua Isabela Barros Hipnose Clínica.

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