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Religião e Hipnose: qual a relação?

Será que existe alguma relação entre a hipnose e a religião? O objetivo deste artigo é justamente desmistificar e trazer a compreensão de que a hipnose é um estado natural da mente humana. Acessamos este estado todos os dias e de forma espontânea.

A hipnose é um estado tão natural que nem percebemos quando entramos e quando saímos. Este conceito já elimina qualquer ideia de submissão e controle de mente.

As práticas religiosas levam a um “transe” natural, por várias dinâmicas que alguns templos têm como costume, os fiéis acabam entrando neste estado que, por sua vez, facilita a aceitação das sugestões, dadas pelo líder que está no controle do encontro. Produzindo então, muitos fenômenos hipnóticos.

Este artigo não é, de maneira alguma, contra nenhuma religião. A proposta aqui é justamente o contrário: quero que você entenda que a Hipnose faz parte da sua vida e da sua rotina, até mesmo dentro da sua prática de fé.

A Hipnose

O processo de hipnose pode acontecer de várias formas. Existe inúmeros tipos de induções e de dinâmicas que levam o indivíduo a este estado. A hipnose é um processo muito permissivo e, para que a pessoa tenha experiências mais profundas, ela precisa de pelo menos estes quatro elementos:

– Entender o processo

– Estar de acordo com ele

– Seguir as orientações

– Aceitar as sugestões dadas

Sem isso, nada acontece.

Entendida essa parte, percebemos que não existe “invasão de mente” e “controle mental” no processo hipnótico. O hipnotista ou hipnoterapeuta é apenas um condutor, o GPS que guia para um caminho mais rápido e seguro.

Existe um conceito também que toda hipnose é uma auto-hipnose. A influência externa é apenas um facilitador, mas é possível você chegar a níveis profundos de hipnose sozinho em sua casa. A intenção de ter a experiência junto com algum processo de indução já é o suficiente para você alterar sua consciência e conseguir acesso ao seu subconsciente.

Ninguém consegue te hipnotizar sem sua permissão. Você precisa se entregar ao processo, confiar no hipnotista e querer que as sugestões se tornem realidade. Feito isso, você poderá ter experiências incríveis e, em terapia, você poderá alterar padrões e até mesmo se livrar de doenças.

A hipnose é um processo onde usamos apenas recursos naturais como foco, concentração, expectativa e imaginação. Apenas isso. Não existe nenhuma influência espiritual, mágica, esotérica, mística e religiosa.

O estado hipnótico acontece naturalmente quando você está assistindo um filme ou uma série. Mesmo sabendo que não é real, você optou por assistir e seu cérebro acredita como realidade. Por isso vem a emoção. Você chora, ri e interage com a ficção.

Quando você dirige e se percebe em pensamentos distantes, você está no modo automático. Nesse momento, seu cérebro está no modo “economia de energia”. É por isso que você faz com muita facilidade sem precisar pensar nos processos.

Isso é hipnose. Vivemos hipnose todos os dias.

A Religião

mulher rezando em um fundo azul mesclando a hipnose e religião

Fonte: Pixabay

Quando falamos em religião, é importante ressaltar que todas elas dependem da fé dos fiéis. A fé por si só é algo que ultrapassa a razão. Mesmo sem eu ver, eu escolho acreditar. Com isso, acontece o que chamamos de rebaixamento da faculdade crítica. Por escolher acreditar, nem ousamos questionar as práticas, as regras, os símbolos, as escrituras e qualquer outro elemento.

Praticamente todas as religiões têm alguns pontos em comum:

– Um livro ou um manual que é a base que norteia a conduta e justifica as práticas.

– Uma figura de autoridade, seja um líder, preletor, orador… alguém que leva a mensagem.

– Música ou rito de adoração que cria um ambiente espiritual. Geralmente isso acontece antes da mensagem.

– Vestimenta diferente do líder, que dá a ele evidência e o diferencia.

– Púlpito, altar, palco, ou lugar específico onde somente as autoridades tem acesso.

Tudo isso, vem sempre acompanhado de um ambiente que tem elementos simbólicos como quadros, pinturas, imagens, roupas, alimentos, alguns tipos de oferta, esculturas e quaisquer outras coisas que fazem sentido para aquela religião e aquele povo. Estes elementos são, na maioria das vezes, considerados sagrados.

Praticamente todas as pessoas que praticam a fé relatam que sentem paz somente ao adentrar no templo. Algumas dizem que se sentem muito bem – e até mesmo curadas – após uma oração ou um ritual específico.

O fato é que a religião, para os que praticam, sempre tem um papel fundamental, onde elas podem exercitar sua gratidão, ofertar seus dons e talentos e fazer suas preces. A religião pode ser também como um alicerce que dá forças e até mesmo sustento emocional. Por isso, podemos a considerar importante, e para algumas pessoas, necessária.

Religião e Hipnose: Fé x Razão

O exercício da fé gera a crença de verdade absoluta daquilo que é pregado. Mesmo que fuja da lógica, a parte racional do cérebro desliga diante de elementos tão importantes para a pessoa. A faculdade crítica diminui e isso faz com que toda a mensagem entre direto no subconsciente, sem nenhum filtro e com muita facilidade de aceitação. Não há questionamentos diante de um ambiente ao qual eu acredito e confio, mesmo que contrarie a física, a ciência, a matemática e a razão.

Lembra que eu falei antes que, para que a hipnose aconteça, eu preciso de pelo menos quatro elementos:

– Entender o processo.

– Estar de acordo.

– Seguir as orientações.

– Aceitar as sugestões dadas.

Na prática religiosa são exatamente estes mesmos elementos que eu preciso para manter a minha crença.

Para quem já passou por alguma experiência hipnótica, sabe muito bem que ela não é nada mais do que aceitação das sugestões. Coisas como esquecer o nome, apagar um número, sentir vontade de rir ou chorar com um aperto de mão, tomar água e sentir sabor de refrigerante, entre outros, são fenômenos produzidos pela mente. Tais fenômenos acontecem porque eu entendi o processo, estava de acordo, segui as orientações e aceitei as sugestões.

Atendi certa vez um padre em meu consultório. O mesmo me disse que na formação teológica, dentro do seminário, o seu superior chamava em uma sala com os seminaristas e fazia com eles um processo muito parecido com o que fazemos na Hipnoterapia. Achei o máximo isso! Ele só não disse aos seminaristas que aquilo era hipnose, mas estava introduzindo a prática para ajudar seus alunos nas questões emocionais. O mesmo padre que atendi me disse uma frase que me chamou muito a atenção. Ele disse que “uma homilia bem feita é um processo hipnótico”.

Faz todo o sentido. Por que o estado mental que acessamos no exercício da fé, é um estado hipnótico! Foco, concentração, imaginação, expectativa e fé, é que o usamos na hipnose e nas orações. A mente faz o mesmo percurso. As conexões cerebrais são as mesmas. Em ambos acontecem fenômenos.

Hipnose e Religião: Ciência x Crença

A relação entre hipnose e religião está no processo. Na hipnose, não existe nenhum recurso religioso, mas na religião, existem muitos recursos hipnóticos. E isso é bom! Porque potencializa o exercício da fé e facilita as experiências terapêuticas que algumas práticas religiosas oferecem, mesmo que a intenção não seja propriamente essa.

A mensagem que quero deixar com este artigo é: Vivemos hipnose todos os dias!

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