Junte-se ao grupo de assinantes e receba dicas, e-books e artigos do HypnoPlace.



Relacionamento abusivo: como tratar através da hipnose

Muitas pessoas desejam encontrar um companheiro(a) para compartilhar a vida de forma saudável, prazerosa e feliz. E se essa vontade é algo comum entre a maioria das pessoas, relacionamentos saudáveis deveriam ser normais. Mas muitas vezes percebemos que não é, que há muitas pessoas passando por relacionamentos tóxicos.

E essas pessoas sabem conscientemente que poderiam estar com alguém que realmente a valorizasse, que deveriam se livrar desse relacionamento (mas não conseguem), que deveriam se amar mais, confiar mais em si mesma e ser feliz. Porém, ter a consciência de que está em um relacionamento abusivo, não faz com que a pessoa saia desse relacionamento. Querer sair de um relacionamento abusivo e contar apenas com a força de vontade, também não funciona. A boa notícia é que é possível entender a causa e se livrar do que está te impedindo de se amar mais, ter relacionamentos saudáveis e ser feliz.

E muitas vezes temos a ideia errada de que um relacionamento só é abusivo quando há agressão física. Acabar com o seu amor próprio e reprimir a sua liberdade através de manipulação emocional também é uma forma de violência.

Muitas vezes a pessoa com a qual estamos nos relacionando, é considerada uma ótima pessoa, e o abuso vem disfarçado como cuidado, proteção. Logo surge a manipulação e chantagem emocional, e isso faz com que nós deixemos de ser quem a gente realmente é, abrindo mão do que a gente quer e ficando presa naquela teia sem conseguir se mover. Porque essas mesmas pessoas problemáticas costumam ser pessoas sedutoras, atenciosas e carinhosas, mas que na mesma intensidade que elas fazem a gente se sentir a pessoa mais amada do mundo, quando a insegurança e baixa autoestima aparece, elas querem inferiorizar a gente. Por que é a única forma delas se sentirem autossuficientes. Assim, acabamos aceitando, ouvindo e permitindo que essa situação aconteça.

Muitas mulheres buscam a hipnoterapia por causa de relacionamento abusivo, e, com vergonha, me perguntam se outras pessoas também me procuram para tratar essa questão. Infelizmente isso é mais comum do que se imagina e é por isso que vos escrevo este artigo.

casal com mulher triste

Fonte: Freepik

Relacionamento abusivo: o famoso “dedo podre”

Vou chamar de Graziela uma mulher que atendi recentemente. Grazi tem 35 anos, é bonita, extrovertida, mora sozinha, trabalha com o que gosta e é bem-sucedida profissionalmente.

Olhando para ela, que demonstra ser uma mulher independente e segura, as pessoas não imaginam a quantidade de relacionamento abusivo que ela já vivenciou e a sua dificuldade em se amar. Com 14 anos, teve o seu primeiro namorado e com o passar do tempo a fantasia do “príncipe encantado” foi caindo, e Caio, seu namorado, se mostrou extremamente ciumento, proibindo-a de ter amizades, vestir roupas que achava inadequadas…

E quando Grazi tentava terminar o relacionamento, ele falava que ela não ia conseguir ninguém que a amasse como ele e ameaçava suicídio. Depois de idas e vindas, muita humilhação e muito esforço, ela conseguiu sair desse relacionamento.

Depois do primeiro namorado, ela dizia para si mesma que nunca mais iria se relacionar com alguém assim. Mas mesmo que, de forma racional, ela não queria mais relacionamentos como este, mas o padrão de relacionamento abusivo continuou se repetindo e infelizmente piorando.

Em sua última relação amorosa, ela acabou sendo vítima de muitas agressões verbais e físicas, o que a fez acreditar que tinha o famoso “dedo podre” para escolher homens, pois só se interessava e se relacionava com rapazes possessivos e manipuladores. Então, ela decidiu procurar ajuda e entrou em contato comigo.

Situações como a da Graziela são mais comuns do que imaginamos. Segundo um estudo realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 12,5 milhões de mulheres sofreram ofensas verbais, como insulto, humilhação ou xingamento, que 4,6 milhões (nove por minuto) foram tocadas ou agredidas fisicamente por motivos sexuais. E 1,6 milhão (três por minuto) sofreram tentativas de espancamentos ou estrangulamento.

É muito comum encontrar casos de pessoas que passaram ou estão passando por um relacionamento abusivo. Mas o fato de isso ser comum, não faz disso algo normal. Não podemos generalizar que se algo é comum, é normal.

O que acontece na nossa mente é que estamos programados para buscar aquilo que é familiar pra nós. Graziela, em seus relacionamentos, percebeu algo similar entre eles: “Me sentia acolhida, protegida e amada quando eles mostravam se importar com o que vestia, com quem me relacionava, brigavam com alguém por mim.”

No caso dela especificamente, ela enxergava uma semelhança muito forte com o tratamento do seu pai (que amava muito), toda a super proteção e controle que eles depositavam nela nos relacionamentos “diminuía” a falta paterna, do colo… Daí, sua mente subconsciente seguiu procurando e identificando pessoas com padrões de comportamento “parecidos” com o do seu pai.

Grazi, também conheceu pessoas que eram diferentes do padrão de comportamento que estava acostumada. Mas quando uma pessoa boa, gentil, que a respeitava aparecia no seu caminho… logo, em sua cabeça surgiam coisas como: “Por que ele me ama?”, “Eu não sou boa o suficiente para ele”,  e assim a sua mente subconsciente encontrava uma maneira de afastar essa pessoa da sua vida.

Grazi contou que traiu esse namorado com um outro rapaz que, segundo ela, “não valia nada”, e ouvia da sua mente: “Ele era bom demais para você.” “Não ia dar certo”. E esses pensamentos negativos que tinha eram apenas desculpas da sua mente consciente para dar justificativas para a programação que já estava instalada.

Na primeira vez que conversei com ela e pedi para ela falar um pouco sobre a sua relação com o pai, ela disse:

Eu era muito próxima do meu pai, ele sempre foi muito carinhoso, extremamente protetor comigo, considerava ele o meu herói.

Quando tinha 12 para 13 anos, ele perdeu todo o dinheiro, bens que tínhamos e logo depois foi diagnosticado com câncer. Se tornou uma pessoa agressiva, controladora e acabou falecendo meses depois que descobriu a doença. E eu fiquei com o pensamento de que eu não era importante, digna e amada o suficiente para fazer com que ele tivesse força para lidar com a doença e ter vontade de viver.

Graziela tinha uma programação mental, criada e reforçada ao longo de toda a sua vida, que buscava algo com o qual ela estava acostumada. Por isso, acabava se relacionando com homens parecidos com o seu pai.

É impossível ser feliz sozinho? 

Quando estamos passando da fase da adolescência para a vida adulta é comum ouvir nas festas de família e rodas de amigos, aquelas perguntas típicas: “Você já está namorando?”. E quando se é mulher, principalmente, e vai chegando os 30 anos? Muitas têm a famosa “crise dos 30″, em que sentem a pressão para casar, ter filhos… escultam cobranças como “Filha, não vai ficar pra titia, quero um netinho!”, “Nossa, mas fulana já casou. Você está encalhada”. Sem falar das pessoas e letras de músicas que falam repetidas vezes que é impossível ser feliz sozinho.

Tudo o que ouvimos, repetidas vezes, fica armazenado em nossa mente. E principalmente quando parte de pessoas importantes para nós.

Fomos ensinadas a relevar, a achar que é nossa responsabilidade fazer um relacionamento dar certo, que sempre a mulher está sendo paranoica, que não devemos ser muito exigentes, pois corremos o risco de acabar ficando solteiras e sozinhas, e que ficar sozinha é a pior coisa que pode acontecer na vida de uma mulher.

Muitas das mulheres que me procuram querem encontrar alguém e ter um relacionamento saudável, mas muitas estão em relacionamentos abusivos, com medo de ficarem sozinhas, com medo de não encontrarem outra pessoa, com medo de ficarem sem dinheiro e por aí vai.

Então a mulher vai aceitando aquela situação, se anulando, se criticando, se sentindo burra por ter permitido, sentindo raiva de si mesma, fingindo para os outros que está tudo bem… mas não é culpa dela. Aprendemos assim. E a única forma de não repetir mais esses padrões é compreendendo os motivos de estarmos agindo dessa maneira, buscando autoconhecimento.

mulher pensando em como mudar

Fonte: Freepik

O que fazer para ser mais feliz 

Se você está passando por um relacionamento abusivo, sei o quanto pode ser exaustivo. Sei que as vezes você não tem apoio, que pode achar que não consegue, mas não é sua culpa. Você pode e deve ser feliz. Você não precisa resolver sozinha, pode buscar ajuda profissional. Você sabe que não pode mudar o comportamento da pessoa com quem está se relacionando, mas pode mudar a si mesma!

Graziela passou por uma sessão de hipnoterapia e depois compreendeu o porquê de não conseguir sair daquele círculo vicioso de relacionamento abusivo e se amar. Sua autoestima e amor próprio aumentaram, hoje está namorando com um amigo de infância e disse que a relação deles é harmoniosa e saudável.

A hipnoterapia não faz milagres. O resultado positivo da transformação de Graziela, por exemplo, aconteceu pela atitude que ela tomou: decidiu não permitir mais passar por aquelas situações, de não querer mais agir como vítima, passou a assumir a responsabilidade pela sua vida. Decidiu não permitir que os outros façam com que ela se sinta inferior.

Se você se identificou ou conhece alguém que está passando por esta situação, dê apoio, ajude. É muito importante para sua vida que o amor próprio e o cuidado com você mesma seja prioridade.

Se pergunte diariamente: O que eu posso fazer, hoje, para me tornar mais feliz? Ouça com atenção as respostas e cuide-se com gentileza e amor, pois você merece ser muito amada (por si mesma) e feliz.

Se gostou deste artigo e acredita que pode ajudar alguém, compartilhe. Até a próxima!

Hipnoterapeuta pela OMNI Hypnosis Training Center.  Membro da National Guild of Hypnotists – NGH, especialista em Hipnose para Crianças – HypnoKids. Como hipnoterapeuta vem atuando com adultos e crianças, ajudando-os a melhorarem sua autoestima, serem mais confiantes e a despertarem o potencial que há dentro de cada um, de forma rápida e duradoura.

X