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Regressão a vidas passadas: O que a hipnose tem a dizer

Não raro atendo algum cliente que, lá pelas tantas, com o olhar curioso e fascinado pelo que a hipnose pode fazer, lança a seguinte pergunta: existe regressão a vidas passadas?

Se você espera uma resposta conclusiva para esta pergunta, certamente não encontrará. O que pretendo fazer aqui é fornecer subsídios para que tire suas próprias conclusões. Por ser um conteúdo ainda intocado pela ciência, permanece atrelado a crenças pessoais e religiosas, portanto, o melhor caminho para quem quer estudar o assunto é passar pela experiência e sentir o que ela revela, extraindo as próprias conclusões.

O que posso assegurar é que a regressão a vidas passadas faz parte do rol de técnicas usadas nas sessões de hipnose com grande valor terapêutico e capaz de produzir resultados incríveis. Neste artigo, você descobrirá o porquê.

Ciência e misticismo

pessoa olhando para o mar

Ciência e misticismo são verdades opostas? Fonte: ashleybatz / Unsplash

Existe uma preocupação entre os profissionais da hipnoterapia em elevá-la a um patamar de maior respeitabilidade, dada a grande contribuição que vem proporcionando ao meio terapêutico. Essa preocupação deriva da forma como a hipnose ainda é vista por uma parcela das pessoas, permanecendo envolta em equívocos e inverdades.

A hipnose já esteve atrelada à magia e ao entretenimento, e ainda hoje passa ao grande público uma visão distorcida do estado hipnótico. Quem assiste a uma sessão de hipnose, muitas vezes, tem a ideia de que o hipnotista controla o hipnotizado, ou que é possível alguém ficar preso ao transe, revelar segredos, fazer algo contra a sua vontade, entre diversas outras lendas.

Cabe salientar que o estado hipnótico é neurofisiológico, condição em que a mente subconsciente toma a frente e se abre para receber mais facilmente qualquer tipo de sugestão, desde que aceita pelo hipnotizado. Quanto mais a hipnose conquista notoriedade como recurso terapêutico, maior é o interesse e também a necessidade de atrelá-la à ciência.

A rigor, tudo aquilo que a ciência não comprova, não é considerado verdade na nossa sociedade. E para que algo seja reconhecido cientificamente é preciso que seja testado, comprovado, reproduzível e passível de averiguação. Tudo aquilo que não é embasado teórica ou cientificamente cai no chamado “achismo” e as pessoas querem algo consistente em que confiar.

Reconheçamos também que na era da internet em que qualquer pessoa pode produzir e compartilhar conteúdo, temos que prezar por informações de qualidade, com base em estudos e fontes éticas.

Por outro lado, faço aqui um alerta à busca cega por tudo que é científico sem que se saiba interpretar a ciência. Hoje, existem muitas marionetes nas mãos das pesquisas científicas por terem perdido o potencial inato de buscar e valorizar a verdade interior. A humanidade perdeu o autorreferenciamento e a capacidade de compreender o que é natural.

Alguns fenômenos precisam ser sentidos para fazer sentido, e não exatamente comprovados. Saliento também que uma comprovação científica hoje, amanhã pode se tornar falácia, mostrando que a ciência reflete o entendimento dominante de cada época da história e vai se modificando com o avanço dos tempos.

Hipnoterapeutas têm grande preocupação em afirmar que a hipnose não tem nada a ver com misticismo ou esoterismo, sem conceber que espiritualidade e ciência não se separam. Misticismo, esoterismo e espiritualidade são modalidades que se ocupam de sentir os processos da vida para então explicá-los, ou seja, crer para poder ver.

Os chamados místicos não ignoram os fatos por não poder comprová-los. Já a ciência faz o contrário, quando busca comprovações, busca ver para então crer, admitindo somente o que pode ser comprovado. No fundo, são metades irmãs colocadas em trincheiras opostas e, no meu mundo, não faz muito sentido separá-las.

Quando dizemos que tudo que pedimos ao universo, ele provê (visão quântica), ou tudo que pedimos a Deus, ele concede (visão religiosa), ou tudo que pensamos o nosso cérebro entende como uma ordem (visão neurocientífica), qual posicionamento está certo? Todos! Um não exclui o outro. Não existe verdade absoluta, mas infinitas verdades coexistindo.

“Fé sem ciência é fanatismo. Ciência sem fé pode ser loucura.”  Thomas Edison

O que quer dizer “regressão a vida passada”?

fotografias antigas em um armário

Todos são capazes de passar por essa experiência, independentemente de crer ou não. Fonte: Roman Kraft / Unsplash

A mente subconsciente funciona como um backup, guardando um vasto acervo das nossas experiências de vida. A regressão de memória é, portanto, o uso do estado hipnótico para viabilizar o acesso à memória de longo prazo com a finalidade de compreender e sanar um evento atual.

A regressão a vidas passadas acontece exatamente da mesma forma que a regressão a esta vida. Um comando é dado à mente para que traga à consciência uma existência que justifique um problema na vida atual. Isso ocorre com certa facilidade a partir de uma indução hipnótica. Há pessoas que passam pela experiência espontaneamente, sem precisar de alguém para induzí-las, o que chamamos de regressão espontânea. E todos são capazes de experienciar isso, independentemente de crer ou não, basta querer.

Durante a experiência a pessoa é capaz de acessar informações que seu consciente desconhece e descrever outros lugares, outras épocas da história, como viveu, como deixou aquela vida e, inclusive, o que aprendeu e qual a relação isso tem com seu problema atual, estando justamente aí o caminho para deixá-lo para trás.

Como comprovar que existe alma?

Algumas teorias se dedicam a explicar o fenômeno que acontece com as pessoas que se submetem à experiência de recordar de uma vida passada. Todas elas esbarram em algo que os atuais métodos de pesquisa são incapazes de revelar. Para compreender é preciso abandonar o que se conhece na física e os equipamentos usados nas fontes de pesquisa atuais, já que estados multidimensionais não podem ser vistos por raio-x ou microscópio. Enquanto se tentar por velhos meios comprovar a existência da alma, qualquer comprovação (como tantas já feitas) será considerada insuficiente.

O cerne dessas teorias aceita a existência de uma camada imaterial que acompanha nosso corpo carnal, mas que não perece com a nossa morte, e sim subsiste, ganhando novos corpos a cada existência, se acoplando ao corpo no momento do nascimento e se desligando dele no momento da morte, levando consigo o registro de toda a nossa ancestralidade, incluindo nossas vidas pregressas.

Atualmente a ciência já admite que a parte linear do nosso DNA (os 23 pares de cromossomos) corresponde a menos de 5% do DNA, e se dedica a estudar a camada multidimensional, a maior parte dele, não visível ou comprovável pelos métodos atuais, e que não fica dentro, mas fora do corpo físico. Além do nosso corpo carnal, existem outras camadas imateriais que nos acompanham e estaria nessa parte muito do que a humanidade vem tentando descobrir a esse respeito.

A comprovação o tempo trará no momento em que a humanidade estiver pronta. Até lá, quanto mais abertos estivermos a qualquer tipo de conhecimento, mais rapidamente avançaremos nas descobertas.

Doutor Brian Weiss

homem voltando para algum lugar

É comprovado o poder de cura da chamada terapia de regressão a vidas passadas. Fonte: Mantas Hesthaven / Unsplash

Doutor Brian Weiss segue sendo referência no assunto vidas passadas por ter sido pioneiro em divulgar abertamente o resultado de suas experiências com paciente que se submeteram à prática. Médico psiquiatra, formado pela Universidade de Yale, teve uma vida essencialmente acadêmica, lecionando em várias faculdades de medicina dos Estados Unidos, publicando mais de 40 ensaios científicos na área da psiquiatria. Dr. Brian teve uma carreira, até determinado momento, marcada pelo ceticismo a respeito de todos os campos “não científicos”.

Tudo começou a mudar quando foi diretor do Departamento de Psicologia do Hospital Mont Sinai, em Miami, e atendeu uma paciente chamada Catherine, que sofria de medos, fobias, crises de pânico, depressão e pesadelos recorrentes. Como Catherine recusava qualquer tipo de medicamento, o caminho sugerido pelo Dr. Brian foi a hipnose, numa tentativa de descobrir traumas reprimidos que justificassem seu comportamento.

Contudo, na sua primeira sessão de hipnose, ela acessou informações de quatro mil anos atrás, no Oriente, vendo-se com outra roupa, outro corpo, outro nome, descrevendo detalhadamente como vivia e como deixou aquela vida. Além de extremamente católica, Catherine nunca havia visto aquelas pessoas ou estado naquele lugar.

Todavia, o que revolucionou o pensamento do Dr. Brian foi uma das sessões em que a paciente pairou acima do seu corpo e foi levada a um lugar de muita luz. Lá fez o seguinte relato: “Seu pai está aqui, seu filho que é pequeno também. Seu pai diz que você o conhecerá, porque se chama Avron e sua filha tem esse nome. Ele morreu do coração.” Catherine não poderia saber daqueles fatos, como a morte do filho do Dr. Brian com 23 dias de vida ou a morte do seu pai, que ele mesmo não havia conhecido e que não constava em qualquer obtuário.

Ao final da sessão, ambos estavam chocados. Dr. Brian já havia hipnotizado centenas de pessoas e nunca tinha presenciado tal fenômeno. Ocorre que a partir de então os sintomas de Catherine começaram a desaparecer até ela ficar completamente curada. Foi aí que a visão do cético cientista mudou a ponto de se dedicar exclusivamente à terapia de vidas passadas, cujos casos clínicos são detalhadamente contados em suas obras, incluindo a mais conhecida, “Muitas Vidas, Muitos Mestres.”

O que mudou não foi ter descoberto ou admitido a existência de vidas passadas, mas que esse tipo de terapia oferece um método rápido de tratamento para quadros que a psiquiatria levaria meses ou anos para serem tratados. Os relatos são todos verdadeiros e devidamente documentados em ensaios teórico-científicos e detalhados nos seus livros, comprovando o poder de cura da chamada terapia de regressão a vidas passadas. Dr. Brian segue sendo referência no assunto e seus livros são ricas fontes de pesquisa a quem interessar o estudo.

O que realmente importa

homem de braços abertos em forma de gratidão

Não havendo estudos conclusivos a respeito, o que importa são os resultados. Fonte: Kyle Loftus / Unsplash

A maioria das escolas de hipnose adota posicionamentos imparciais com relação a tudo que envolve crenças e religiões. Por mais que a técnica de regressão a vidas passadas seja comprovadamente muito eficaz na resolução de problemas e também de doenças, quando um cliente ou paciente é submetido à técnica, a forma como interpreta a experiência segue atrelada às suas crenças pessoais.

Se atendemos um cliente evangélico, por mais que possa igualmente viver a experiência, ele pode interpretar como uma fantasia do subconsciente. Quando atendemos um cliente espírita, ele acredita, de fato, ter vivido tais experiências em outras existências.

Como não há estudos científicos conclusivos a respeito, o que importa aos terapeutas e também às pessoas submetidas à técnica, são os resultados. O que posso afirmar enquanto terapeuta, é o seguinte:

  • Qualquer pessoa que deseje é capaz de ser submetida à regressão de memória a vidas passadas;
  • Ainda que o comando direto para trazer à consciência lembranças de vidas passadas não seja dado, alguns clientes podem trazer, espontaneamente, essas memórias;
  • Ela ocorre independentemente de crenças, o que vai determinar a “verdade” contida na experiência, é a forma como cada um a interpreta;
  • É realmente espantosa a riqueza de detalhes trazidos durante esse tipo de terapia;
  • É marcante também o nível de emoção sentido durante esse tipo de terapia;
  • Inquestionável também é o entendimento maior e a compreensão do todo e do problema atual que pode ser conquistador com esse tipo de terapia;
  • Ela visa explicar o que o cliente tem na vida atual, nos dando a entender que, havendo outras existências, somos almas que retornam a este mundo com o objetivo de transcender nossos desafios e dar continuidade à nossa evolução;
  • Nesse estado a pessoa pode não apenas relatar detalhes de suas vidas pretéritas, como trazer informações a respeito do mundo, da humanidade, e de outras pessoas;
  • A chance de os dados históricos e geográficos sofrerem uma distorção e não baterem com a realidade contada nos livros é a mesma margem que a regressão à uma vida atual tem de distorcer alguns detalhes não importantes. O principal nessas terapias e o mais evidente é a moral da história e o que ela ensina.

Relato de caso: Aprendizados do Índio Ruga

A existência do índio Ruga disse, “você veio para ensinar”. Fonte: Teddy Kelley / Unsplash

Todos os casos de regressão à vidas passadas conduzidos por mim foram intrigantes, emocionantes e muito válidos do ponto de vista terapêutico. Coincidentemente, quando comecei a escrever esse artigo, tive dois pacientes na mesma semana que regrediram espontaneamente à outras existências.

Um deles foi o caso de BH, um homem de 39 anos. Ele me procurou por sentir como se tivesse um “freio na vida” relacionado a querer viver, como se não gostasse ou não fizesse sentido estar aqui. Viver, por vezes, era assustador a ponto de paralisá-lo diante dos desafios.

Na primeira sessão fomos buscar na memória a causa da sua queixa. Como evento causador inicial, viu-se na barriga da mãe, sentindo resistência e dificuldade em aceitar o nascimento, o que lhe desafiava a confiar nos processos da vida.

Na sessão seguinte quis ir mais a fundo e busquei o momento anterior à sua concepção na tentativa de descobrir por que já trouxera a esta vida tal sentimento. Foi aí que ambos tivemos uma surpresa. Em uma das vidas pretéritas, ele relatou ser um índio e viver totalmente integrado à natureza.

Com a expressão serena e um discurso fluente, passou a dizer: “tenho tudo que preciso, não falta nada, conheço tudo. Estou bem, no controle. Faço parte, sei onde estão as coisas, sei como os animais pensam, eles são meus amigos. Vida muito feliz e prazerosa. O tempo não significa nada. Trovão não me assusta. Acham que sou louco. Não consigo mais morar com a tribo. Não fico triste com isso. É inebriante e completo aqui. Nada falta. Tudo completo. Vivo fora do tempo. Bebo água da chuva, colho ervas. Canto com os pássaros, brinco com os macacos”, detalhou. Em determinado momento, Ruga (o índio) chorou. Foi expulso da tribo por ser incompreendido e considerado louco.

Quando questionado sobre o que essa existência lhe ensinou, disse: “preciso voltar para ensinar. Está tudo dado pra nós, não precisamos tomar nada. Tem tudo sobrando, tudo é fácil, farto e fluido. A ignorância destrói e mata. Vou voltar e ensinar.” Que mensagem guarda dessa vida e quer levar para suas vidas futuras, perguntei. “Acredite na sua sabedoria. Não duvide. Espelhe a semente por todo canto, que a natureza rega. Deixe brotar. Você vai morrer e não vai ver ela brotar, mas vai brotar. O mundo é lindo. Tem que ter paciência. A semente boa brota, a natureza faz. A mãe terra sabe o que brotar. A terra está doente, mas isso não é verdade. É so uma fase confusa, de transição.”

Ao final da terapia, meu cliente disse a si ter compreendido que sua missão era semear conhecimento. “Estou pronto. Sei como fazer, quando fazer e o que fazer. É só acreditar que eu sei”, serenamente concluiu BH.

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Hipnoterapeuta OMNI Florianópolis/SC, membro da National Guild of Hypnotists – NGH, especialista em Hipnose para Crianças e Adolescentes – HypnoKids, colunista mensal do portal HypnoPlace. Formou-se em Reiki II, estudou Cromoterapia, Cromopuntura, Radiestesia e Metafísica Aplicada à Saúde. Formada em Jornalismo e Direito, trabalhou por 15 anos unindo suas duas formações. Em 2014 deixou o cargo de jornalista para abraçar o que se tornou sua missão de vida: a hipnoterapia. Desde então, tem ajudado centenas de pessoas a resolverem seus problemas e a expressarem seu pleno potencial.

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