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Meu filho não dorme: a hipnose pode trazer a solução

Logo no início da sessão, a primeira delas me perguntou se eu já tinha atendido alguma outra criança com problemas de sono. Respondi que essa era a demanda mais comum nos meus atendimentos com os pequenos. E é mesmo. Problema que, na maioria das vezes, mexe com a família toda, o acordar várias vezes por noite pode ser tratado com a hipnose clínica. Os resultados costumam ser muito bons, afinal, há várias técnicas capazes de ajudar meninos e meninas a relaxarem. Uma tranquilidade que também vai acalmar os pais que nos procuram com o clássico “meu filho não dorme”.

São pessoais e intransferíveis os motivos que levam uma criança a não conseguir dormir bem. Cada um de nós traz um mundo dentro de si, com questões e dilemas próprios. A partir da minha experiência nesse ponto, digo que oferecer ferramentas que ajudem a entender aquilo que se sente, lidando melhor com as emoções, já é suficiente.

Consciente de seus sentimentos, os pequenos são capazes de entender que a tranquilidade está dentro deles, basta saber acessar essa paz. É muito bonito acompanhar esse processo de descoberta e entendimento das próprias potencialidades. Num mundo tão louco, aprender a parar um pouco e viajar para dentro de si mesmo é uma libertação que eu gostaria que todas as crianças experimentassem. 

Filhos sem conseguir dormir

Fonte: jbdeboer / Pixabay

Meu filho não dorme: o que diz a pediatria

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, é importante pensar no conceito de higiene do sono. Trata-se de preparar o clima e o ambiente para que os pequenos durmam bem. Isso envolve desde o estabelecimento de uma rotina com horários definidos para ir para a cama até cuidados como reduzir as luzes e os barulhos na casa pelo menos meia hora antes de deitar a cabeça sobre o travesseiro. 

Sou mãe de duas crianças, Joaquim, de cinco anos, e Maria Teresa, de dois, e nunca tive problemas de sono com os dois. Gratidão eterna por isso, eu morria de medo ao ler aqueles relatos de bebês que acordam a cada duas horas. A partir do segundo mês de vida, era comum que ambos já dormissem várias horas direto, ao menos seis, o que foi aumentando com o passar dos meses. 

Como escapei do dilema “meu filho não dorme”? Começando pela criação de um ritual do sono quando ambos fizeram um mês de vida. A orientação foi da nossa pediatra, uma dica realmente simples: colocar o bebê para dormir sempre na mesma hora, no ambiente do qual ele só vai sair quando acordar (seja o quarto dele ou o dos pais), com luz baixa e, se der, algum som que ajude a acalmar. A trilha sonora, no nosso caso, era o som da minha voz cantando músicas escolhidas com muito carinho. Em condições normais, a minha voz mais espantaria do que acalmaria, admito, mas, com os meus filhos, que me amam e por mim são profundamente amados, sempre deu certo. Pode desafinar à vontade, é só encher de afeto o seu canto e eles vão ficar calmos e felizes. 

Outra recomendação certeira para os primeiros meses de vida, principalmente os dois iniciais, quando o desespero por qualquer tempo a mais de sono costuma ser grande: coloque o chamado “som do útero” para eles ouvirem. Trata-se de uma barulheira danada que, incrivelmente, aquieta os bebês. O motivo? As lembranças da barriga da mãe, que está longe de ser o lugar mais silencioso do mundo. Se quiser usar mais esse recurso (eu usei demais com a minha filha e foi ótimo, não conhecia essa possibilidade com o primeiro), basta procurar no YouTube

No mais, para os pequeninos mesmo, fica a orientação de promover um bom sono também durante o dia. A máxima de que dorme bem à noite quem dorme bem de dia sempre funcionou com os meus. E nada de grandes cuidados com barulho e ambiente escuro nessas ocasiões: nas sonecas diurnas, deixávamos a casa seguir seu ritmo. Mesmo assim, eles conseguiam relaxar, o que até ajudava a diferenciar um sono do outro, ajudando a organizar as coisas à noite. 

Pai e mãe com filho pensando em porque o filho não dorme

Fonte: smpratt90 / Pixabay

As emoções dos pais

Autora do clássico A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra, a psicoterapeuta familiar argentina Laura Gutman defende que as crianças que não dormem simplesmente refletem as emoções e a ansiedade de suas mães. 

Ela vai além e diz que a criança que acorda muitas vezes por noite não incomoda, mas sim é incomodada por sentir o que a sua cuidadora sente. Laura é alvo da crítica de muitas mães por supostamente colocar mais lenha na fogueira da culpa materna. Do meu lado, digo que, após a leitura de seu mais famoso livro, passei a observar como o meu sentimento impactava os meus filhos. Se eu estava nervosa, eles ficavam nervosos também. E só se acalmavam quando a minha poeira baixava mesmo. 

Amplio essa reflexão para as mães e para os pais também. Sempre que um dos dois não estiver bem, que a outra parte cuide do sono dos pequenos. As chances de ter uma madrugada tranquila certamente serão maiores. E o fantasma do “meu filho não dorme” seguirá distante. 

Sleeptalk 

Uma orientação clássica da hipnoterapia para o sono que eu adoro compartilhar com os pais é o chamado sleeptalk. Como o próprio termo em inglês indica, é o hábito de falar para a criança enquanto ela dorme. É a prática de dar sugestões positivas na hora em que os pequenos estão começando a dormir.

Sabe aquele momento em que eles parecem meio no aqui e agora e meio no mundo do sono? Pois nesse quadro de sonolência é chegada a hora de falar. Escolha poucas frases, sempre curtas, afirmações positivas, e repita cada uma cinco vezes.

Faça isso todas as noites, dê sugestões de um sono tranquilo e, se houver uma questão pontual a ser trabalhada no comportamento da criança, aproveite o momento. 

Com os meus filhos, costumo usar três frases todas as noites: “o Joaquim é muito amado pela mamãe, pelo papai, pela Maria Teresa e por toda a nossa família”, “o Joaquim é muito especial do jeito que ele é” e “o Joaquim vai dormir a noite inteira, ter bons sonhos e acordar se sentindo muito bem”. Uso as mesmas frases com a pequena. 

Importante: evite as palavras não e nunca no sleeptalk, o tom precisa ser acolhedor e motivacional. 

Que os nossos dias e noites sejam, em sua maioria, tranquilos. E que tenhamos sensibilidade e consciência para lidar com o caos quando tudo parecer que vai desabar. Com carinho e com respeito a gente dá conta do recado. Boa sorte! E boas noites para todos! 

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Hipnoterapeuta OMNI. É especializada em hipnoterapia para crianças (Hypnokids) e mulheres. Também é mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Defensora dos direitos da mulher, ajuda a promover o bem estar e a combater as desigualdades à frente da sua Isabela Barros Hipnose Clínica.

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