Junte-se ao grupo de assinantes e receba dicas, e-books e artigos do HypnoPlace.



Medo de hipnose: como lidar?

O medo de hipnose muitas vezes se dá pela associação errada que o público faz da técnica com a perda da consciência e, por esse motivo, tantas pessoas dizem ter medo de não recordar do que irá vivenciar durante a sessão. A audição não é desconectada e absolutamente nada é realizado sem o consentimento do cliente.

No entanto, essa resistência à hipnoterapia é natural, pois é um tratamento relativamente novo no país e seu uso como terapia começou agora a ser mais explorado por profissionais da área.

Tenho medo de hipnose porque acho que vão brincar com a minha mente

Algumas pessoas que atendo têm medo de hipnose pois acreditam que serão criados em suas mentes fatos que nunca existiram e que elas passarão a acreditar em alguma mentira que nunca vivenciaram. Todas essas crenças são eliminadas já na primeira sessão, quando é feita uma longa entrevista e alguns exercícios para que o cliente veja como a técnica funciona e como a hipnose é segura. Mas vamos antecipar, neste artigo, alguns esclarecimentos dados no momento da consulta.

Novidade no Brasil

A hipnose é um tratamento que está se tornando cada vez mais frequente no país e há pouquíssimo tempo foi admitida no SUS (Sistema Único de Saúde) como uma terapia que pode ser aplicada em seus usuários.

Ela já é muito utilizada nos EUA e na Europa, inclusive em hospitais para auxiliar no atendimento e recuperação. Crianças com medo de dentista, idosos que já não podem ser submetidos a anestesias e mulheres grávidas que se preparam para o parto são exemplos do uso eficaz da hipnose.

Há muitos profissionais surgindo no mercado e o mais indicado é procurar hipnoterapeutas com formação em uma escola com reconhecimento e certificação internacionais, como a OMNI, que tem experiência comprovada. O cliente precisa ter segurança e sentir conexão com o profissional. É uma terapia rápida que, na maioria dos casos dura três sessões, diferente da construída com um psicólogo, que pode durar anos.

encontre hipnoterapeuta medo de hipnose

Fonte: Hypnoplace

Procure informações na internet, depoimentos de clientes e informações sobre o profissional escolhido; essas medidas ajudam a trazer segurança e tranquilidade de se estar em boas mãos com um hipnoterapeuta responsável e experiente.

Experiência sobrenatural

Não há! O medo de perder a consciência está relacionada à crença de que a pessoa será “transportada” para algum lugar misterioso e para fatos que estavam apagados e, portanto, devem continuar assim. É importante esclarecer que o cliente não vai para lugar nenhum,  mas sim apenas reviver alguns momentos de sua história e entender porque desenvolveu determinado comportamento.

Portanto, não é uma experiência mística nem sobrenatural e por isso você não precisa ter medo de hipnose, ainda que seja surpreendente que a gente tenha essa capacidade de guardar memórias em nossa mente por tanto tempo e ainda assim poder acessá-las anos depois.

Um bom profissional da hipnoterapia apenas conduz seu cliente para situações que marcaram a sua vida, para então ajudar a eliminar a dor ancorada a esses momentos e que o acompanha desde então. Este profissional não adivinha, não antecipa informações, apenas faz as perguntas corretas para entender como aquela emoção foi registrada.

Além de analisar qual a “decisão” que a pessoa tomou naquele momento, ou seja, qual crença foi criada que resultou no mal estar, que pode ser pânico, ansiedade, depressão, medo, dificuldade de se relacionar, entre outros.

É importante ter em mente que o cliente estará o tempo todo com o hipnoterapeuta, sendo guiado, porém consciente de tudo o que está acontecendo, pois é um tratamento. Se ele não lembrasse de nada depois, a hipnose não teria o efeito desejado.

Esclarecer fatos obscuros

São inúmeros os clientes que terminam a sessão e me dizem: “eu achei que tivesse acontecido algo muito ruim, mas até que não foi tão grave”. Isso acontece por duas questões: uma porque aquele fato já não dói mais, já que essa emoção é ressignificada e, portanto, “desligada”.  A outra questão é que normalmente os traumas surgem quando ainda não somos tão racionais, ou seja, dos 0 aos 6 anos, fase em que tudo parece mais assustador e resulta em marcas profundas.

O fato de não ser “tão” grave não significa que o que ocorreu não tenha sido traumático. Já atendi pessoas que relataram que ficaram sozinhas em casa por alguns minutos e se sentiram abandonadas (uma criança assustada pode “gravar” que se passaram horas), pais que gritaram com bebês no berço quando eles choravam de fome (homens e mulheres esgotados que cometeram um erro) e até clientes que passaram mais de 40 anos com dificuldades de se relacionar por causa de uma piada mal interpretada na infância.

Nestes casos, o cliente ao final da sessão sorri e avalia que carregou por anos uma emoção negativa, simplesmente porque uma criança se assusta com certas reações exageradas de seus pais e familiares. É importante lembrar que uma criança pequena é egocêntrica e acredita que tudo de bom e de ruim que acontece a sua volta é causada por ela.

Claro, há também questões extremamente graves como abusos, agressões físicas severas, maus tratos e morte de entes queridos. Esses casos, quando vem à tona, precisam ser tratados com habilidade para que esse sentimento fique para trás e o cliente possa seguir sem essa dor que o limita.

Há sempre formas de superar, e a hipnose ajuda a trabalhar casos mais extremos com muita eficácia, já que estes traumas são profundos e podem impedir desenvolvimento emocional de uma pessoa. É por isso que tanta gente fica feliz quando supera o medo de hipnose e resolve apostar na técnica como tratamento.

Bloqueios

Existem sim emoções que estão “apagadas” de nossa memória e que, mesmo assim, nos causam mal-estar. É uma boa ideia “cavar” esses fatos? A resposta é sim. Atendi uma mulher que passou por uma situação de abuso quando tinha apenas 4 anos e ela começou a detectar um comportamento neurótico em relação aos seus filhos. Ela não lembrava do ocorrido, mas percebeu que as suas crianças poderiam sofrer consequências indiretas por ela se tornar muito controladora.

Não podemos ser regidos pelo medo e transferir nossos problemas aos nossos familiares, pois isso se tornaria um novo trauma. Sua atitude foi corajosa e ela interrompeu um ciclo de doenças.
A hipnose é um ato de coragem, mas isso não significa que você não pode ter medo.

criança triste medo de hipnose

Fonte: Freepik

Ter medo de hipnose é normal, mas, provavelmente, se um cliente descobrir que um parente praticou um abuso, ele vai ter que tomar uma atitude como contar para os familiares ou até mesmo evitar que seus filhos convivam com o abusador.

Gigantes com emoções de crianças

Olhe agora para a sua volta e veja as pessoas da sua família ou colegas de trabalho. Se não tiver ninguém, da próxima vez que caminhar pela rua, observe quem está perto de você. Todos esses adultos são regidos por emoções que foram construídas e definidas na primeira infância.

Isso mesmo! Eles guardam com eles sentimentos de quando estavam na barriga da mãe, começaram a dar os primeiros passos e enfrentaram o mundo na primeira vez que foram para uma sala de aula.

Lembre-se de quando você viu um adulto ficar violento diante de uma rejeição, desmoronar após uma crítica ou sentir ciúmes do sucesso do colega de trabalho. Ele provavelmente está reagindo a uma ferida que apareceu quando era pequeno e está carregando ela há muitos anos, até que uma hora ele “transborda” e se descontrola. Essas emoções podem ser revistas e ressignificadas com a hipnose.

Eu não sou hipnotizável

Mais uma vez, é preciso ter confiança no profissional escolhido. Todos somos hipnotizáveis, basta seguir as instruções do hipnoterapeuta e não “brigar” com as emoções que surgirem na sessão. Se o cliente estiver aberto e disposto a tratar suas feridas, há chances reais de sucesso.

Todas as dores estão em nosso subconsciente, algumas guardadas para não machucar. Mas caso elas não forem tratadas, vão surgir nos momentos mais inesperados. E então? Posso te hipnotizar? 🙂

Hipnoterapeuta e sócia da clínica Fênix Hipnose, jornalista e escritora. Integrante de um grupo que busca combater a violência contra a mulher, acredita que o tema deva ser levado a todas as esferas da sociedade. Estudiosa de Carl Jung e seus escritos sobre interpretação de sonhos, orienta as pessoas a encarar as suas feridas, a ressignificar suas emoções e a equilibrar relações com pais e companheiros(as).

X