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Luto: como a hipnoterapia pode auxiliar

Nunca me esqueço de que quando eu era criança, conheci o significado da palavra morte. E com isso veio o medo, desespero, tristeza e as lágrimas em pensar na possibilidade de perder as pessoas que eu amava.

Dúvidas do tipo: Como eu ficaria sem a minha família se eles partissem? Como seria nunca mais ver a minha mãe? Como assim uma tia agora virou uma estrelinha lá no céu? passavam pela minha cabeça e me assustava demais.

Hoje em dia, muitas crianças ainda são criadas ou passam boa parte do tempo com os avós enquanto os pais trabalham. E quanto maior a convivência e a relação de amor que existe entre eles, mais doloroso o impacto quando uma pessoa querida falece.

Para muitos adultos, esse assunto ainda é um tabu e evitam ao máximo falar sobre isso com as crianças, para poupá-las do sofrimento. Falar sobre a morte com clareza e tranquilidade, em uma idade adequada, fará com que as crianças estejam mais preparadas quando conhecerem o significado da palavra morte ou houver uma perda real.

As crianças possuem uma imaginação muito fértil, onde acreditam que tudo o que pensam pode de fato acontecer ou sejam verdade. Caso ocorra uma morte de uma pessoa querida ou de um animalzinho de estimação na fase que o seu filho é apenas uma criança, é normal surgir questionamentos sobre onde está a pessoa falecida, para onde ela foi, se podem encontrá-la e também se vão morrer. Para os pais, responder a todas essas perguntas pode ser uma tarefa difícil.

Uma forma de lidar com o sofrimento é conversar, compartilhar os sentimentos e responder ao que foi perguntado, sem o uso de metáforas (que podem causar ainda mais confusão na cabeça delas), sendo sincera, pois a verdade sempre funciona melhor. E as conversas sobre o assunto podem se estender por semanas, anos. Conversar pode não acabar com o sofrimento, mas permite que a criança esclareça suas dúvidas e se sintam mais seguras.

Se uma pessoa querida partir, é um equívoco pensar que todas as crianças superam facilmente as perdas e devem se distrair com brincadeiras. Saiba que cada criança expressa e vive seu luto de forma diferente. E também necessitam ser escutadas, compartilhar seus medos, culpas e serem acolhidas.

Pergunte a criança como ela se sente, permita que sua criança chore e explique que é normal chorar. Se observar mudanças de apetite, sono ou comportamento, fique atento. Se achar necessário, procure ajuda profissional caso não se sinta em condições de lidar sozinha com a situação. É comum também que, em um determinado momento, seu filho fique muito triste e, logo em seguida, esteja brincando e dando risadas.

Levar ou não a criança ao enterro de um ente querido também é uma das questões mais delicadas. Deixe claro para o seu filho que ele não é obrigado a ir, mas se achar que tudo bem ele ir, explique que ele também é um membro integrante da família, fale o que vai acontecer, como funciona o velório, enterro, que é um momento que ele pode se despedir e expressar os seus sentimentos.

criança na hipnoterapia para enfrentar o luto

Fonte: Unsplash.com

O que é o luto?

O significado de luto está muito atrelado a morte inesperada ou uma morte anunciada de uma pessoa querida, mas o luto também abrange situações de quando estamos perante o término de uma relação amorosa, quando perdemos um animal de estimação, a perda de um membro do nosso corpo após um acidente ou após uma cirurgia.

Entristecer-se e viver o luto é algo que todos temos direito. A experiência de viver o luto é única. E cada um vive a dor a seu modo. O sofrimento é único, cada um tem o seu. Não é algo vergonhoso.

E embora quando adultos, temos consciência de que a morte é algo natural, que é mais comum que os nossos pais se vão primeiro que nós, não estamos preparados quando a morte acontece. Principalmente se a pessoa que partiu representou para você um pilar de apoio, como seus pais, seus avós, seu cônjuge.

Vivenciar o luto pode ser o seu maior aprendizado

Quando uma pessoa muito querida morre, nós ficamos muito triste e isso é natural. Mas você pode transformar toda essa tristeza e pensar que você quer tanto o bem da pessoa que se foi, a felicidade dela, que ela encontre a plenitude, que você vai agradecer por todos os momentos que tiveram juntos, pelo que aprendeu e continuar a sua existência honrando a pessoa que se foi. Que nunca irá esquecer e sempre irá sentir a falta dela, mas que ela continuará a viver dentro de ti, tanto que não importa quanto tempo passe, você sempre irá sentir a presença dela mesmo na sua ausência.

Entrar em contato com a morte ou com a possibilidade de perder as pessoas que você ama é transformador, a vida passa a ter outros sabores, outras cores, outro sentido. Pois a sensação de perda ou o luto, muitas vezes, te obriga a rever valores, a dar mais valor ao tempo com as pessoas que estão ao seu redor, a viver o dia, a se relembrar que o nosso tempo é escasso e temos que aproveitá-lo da melhor forma e estar com quem a gente ama, que não precisamos de tantas coisas, a parar de perder seu tempo (sua vida) com besteiras, com coisas que não são essenciais.

Eu já perdi uma pessoa extremamente importante para mim, e posso dizer que embora foi muito doloroso, que gostaria de ter muito mais tempo com essa pessoa tão especial, mas escolhi focar na gratidão. Em agradecer o tempo que pude conviver com ela, por todo amor que eu recebi, pelo amor que eu pude dar, por todos os ensinamentos que a minha avó compartilhou comigo, por ter tido ela como uma referência de mãe.

Os últimos meses com minha avó me fizeram enxergar como devemos valorizar a nossa vida, desde as coisas mais simples e principalmente as pessoas ao nosso redor. E a gratidão é algo que te traz cura, alívio, paz.

pessoa em atendimento na hipnoterapia

Fonte: Unsplash.com

Como a hipnoterapia pode ajudar no luto

Para alguns, essa perda causa um grande vazio, nos desestabiliza, faz com que nos sintamos desanimados e sem vontade de viver. A saudade é tão dolorida que algumas pessoas sentem vontade de sair gritando, de tanta dor. Sentimos raiva, alguns não aceitam, e o sofrimento e a angústia são tão intensos que muitas vezes transbordam e colaboram para desencadear a depressão.

Também é comum se lamentar e pensar no que podia ter feito com a pessoa que amava, se arrepender de algum comportamento que teve e então vem a culpa. Sei que é fácil falar, mas não se culpe porque você fez o seu possível naquele momento, com o nível de consciência que você tinha naquele tempo. Nós somos humanos, erramos, as vezes falamos algo que magoa e vamos aprendendo com a correção dos nos erros. Quando você escolhe se culpar, você não apenas magoa e castiga a si próprio, mas muito vezes as pessoas mais próximas que estão ao seu redor e só querem o seu bem.

E em alguns casos, você acha que está bem, que superou, está trabalhando, mas um gatilho acontece (como uma data comemorativa, um cheiro) que lembra a pessoa, e vem todo aquele combo de emoções.

Através da hipnoterapia, pode ser realizado um trabalho capaz de ajudar a superar este momento tão delicado, transformar eventos dolorosos em boas lembranças sem as emoções negativas associadas, se “despedir” da pessoa que se foi, fazer uma limpeza emocional e modificar nossa atitude e comportamento em relação à forma de enxergarmos e vivemos a perda. Com isso, é possível encontrar o caminho do equilíbrio emocional, tornando esse momento um aprendizado valioso.

Só quem tem a morte na consciência (mesmo que não seja o tempo todo) é capaz de viver com profundidade, de recordar que nessa vida aqui, a gente morre apenas uma vez, mas todo o restante nós podemos viver.

Para você que acabou de perder alguém especial, recomendo que faça esse exercício se sentir a vontade: pegue um papel, um lápis, pense na pessoa e escreva tudo o que gostaria de ter falado para a pessoa, como se sente, agradeça todos os momentos. Se for preciso, peça desculpas, transmita a sua boa energia e gratidão para a pessoa, se permita sentir todas as emoções, chorar, relembrar fotos, momentos que viveram juntos, viver o luto.

Desejo que você fique em paz, que sinta um conforto em seu coração, e que ao se lembrar da pessoa que se foi, se lembre de agradecer por todos os momentos que pode compartilhar com ela e de aproveitar melhor o seu tempo com cada um que está na sua vida, de valorizar mais as pessoas, de amar e ser feliz incondicionalmente. E, quando enfim chegar a nossa hora, possamos olhar pra trás e dizer: tudo valeu a pena, aproveitei e vivi de forma plena.

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Hipnoterapeuta pela OMNI Hypnosis Training Center.  Membro da National Guild of Hypnotists – NGH, especialista em Hipnose para Crianças – HypnoKids. Como hipnoterapeuta vem atuando com adultos e crianças, ajudando-os a melhorarem sua autoestima, serem mais confiantes e a despertarem o potencial que há dentro de cada um, de forma rápida e duradoura.

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