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Inteligência emocional: estimule o seu filho com a hipnose

Poucas coisas me impressionam mais do que a resiliência das crianças. Adoro atender meninos e meninas, na maioria dos casos muito abertos à terapia, ao entendimento dos problemas, à superação daquilo que os incomoda. Uma disposição para a mudança que nem todos os adultos têm. Por isso aproveito a oportunidade de ir além da demanda pontual de cada um e trabalhar conceitos de inteligência emocional com os pequenos e suas famílias. Não vejo caminho melhor para ajudar na formação de homens e mulheres com autoconhecimento, empatia e força para seguirem suas vidas. 

Você já parou para pensar em como desenvolver a inteligência emocional das suas crianças? Porque de nada adianta ter um QI alto, uma formação escolar excelente e fluência em três idiomas se não houver a habilidade de lidar com as adversidades, os desafios, as diferenças. Se a pessoa não for capaz de identificar como se sente, aceitando e administrando alegrias e tristezas da melhor forma. 

Assim, nas sessões de terapia, ajudo a criança a entender, em primeiro lugar, que é do jogo sentir raiva, ter decepções, medos, frustrações. Deixo claro que todo mundo passa por isso e que o sofrimento existe para que possamos nos fortalecer, evoluir. Abro espaço para a fala deles, deixo que contem da escola, da mãe, do pai, da avó, da tia, dos primos. E eles aproveitam a oportunidade. 

Inteligência emocional na hipnoterapia

Fonte: Freepik

Não faz muito tempo, um menino de sete anos passou uma hora apenas falando dos problemas que enfrentava no colégio. Isso mesmo: 60 minutos desabafando. Somente depois desse tempo consegui entrar no meu roteiro de atendimento com ele. No mesmo dia, em casa, ao levar uma bronca da mãe, deu a dica: “mamãe, você está muito nervosa, deveria fazer hipnose.” Não é maravilhoso que essa criança tenha o entendimento de como se acalmar quando a coisa fica difícil? 

Sim, isso é inteligência emocional. Conseguir entender o que nos perturba e como lidar com esses incômodos. Nessa linha, o primeiro passo é justamente esse: identificar as nossas emoções e se permitir senti-las. Depois, é possível pensar no que fazer para se acalmar. 

Sem fugir da tristeza

Muitos pais, com a melhor das intenções, acham que devem poupar os filhos do sofrimento incentivando-os a serem felizes o tempo todo, sem dar a devida atenção a momentos de tristeza e decepção, por exemplo. Acreditam que fugir desses assuntos vai ajudar a minimizar a dor dos pequenos. 

Ocorre que é justamente o contrário: para desenvolverem a sua inteligência emocional, as crianças precisam acolher seus sentimentos, sejam eles quais forem, para depois pensarem no que fazer com eles, buscando se acalmar. Sem falar que ninguém aguenta mais essa história de good vibes only pregada à exaustão nas redes sociais. A vida real vai muito além disso, sabemos. 

Assim, na próxima vez que ouvir um choro sentido do seu filho ou sua filha, apenas pare para conversar com ele ou ela, pergunte o que aconteceu e esteja pronto para ouvir. Se a situação relatada lhe for familiar, não economize empatia. Com o meu mais velho, Joaquim, de cinco anos, digo que sei como é ter todos os seus brinquedos bagunçados pela irmã mais nova (no caso dele a Maria Teresa, a nossa caçula, de dois anos), já que também sou a mais velha na casa em que nasci. Ou que também morria de sono quando a avó dele me acordava cedinho para ir para a aula. Acredite: ajuda muito mostrar que você entende os sentimentos dele ou dela. 

Na praia, relaxando

A partir das técnicas da hipnose clínica para o atendimento a crianças, é possível trabalhar a inteligência emocional de diferentes formas. Gosto de conduzir os meus clientes mirins a locais de paz dentro deles mesmos, usando apenas os próprios pensamentos para se sentirem bem. 

Sugiro que fechem os olhos e se imaginem na praia, relaxando. Ou numa floresta, num dia lindo (cena que o Joaquim incrementou levando o Mickey para perto das árvores), perto das pessoas que ele ou ela mais ama na vida. São contextos de calma, foco, segurança em si mesmos. Práticas que os pais podem e devem fazer em casa. Meus pequenos clientes são todos orientados a “hipnotizar” pais, irmãos, tios e quem mais eles quiserem. Ensino técnicas simples, que eles amam replicar (se sentem poderosos, uma graça).  

Por falar em casa, gosto de dar dicas simples para seguir reforçando a inteligência emocional dos pequeninos. Uma delas, a minha predileta, foi uma sugestão do meu  marido. Trata-se do “semáforo das emoções”, uma experiência citada no livro Foco, publicado em 2014, de Daniel Goleman, psicólogo e PHD da Universidade Harvard. Não por acaso ele também é autor do livro clássico sobre o tema deste artigo, Inteligência Emocional, de 1995.

Mas como funciona o semáforo? Faça um desenho simples com três carinhas: no alto, uma vermelha, com expressão raivosa; no meio, uma amarela, com semblante neutro e pensativo; e, por fim, abaixo, uma verde, sorridente. Coloque em algum lugar bem visível na casa. A qualquer sinal de birra, mostre o semáforo e pergunte se a criança está “vermelhinha”, com raiva, como na ilustração. 

semáforo das emoções para inteligência emocional

Fonte: Freepik / macrovector

Acredite: eles em geral param para prestar atenção quando você aponta essa possibilidade e vão diminuindo o tom. Nessa hora, explique que é normal se sentir assim, que todo mundo “fica bravo” em algum momento, e que o passo seguinte é “ficar amarelinho”, começando a pensar no que fazer para se acalmar. Por fim, uma vez calmos, conseguimos “ficar verdes”, felizes. 

Em casa, acreditem, começamos a utilizar com frequência com as crianças.  Funcionou tão bem que até com o meu marido já usei em algumas ocasiões (o semáforo serve para todos, afinal). É óbvio que não existem técnicas infalíveis o tempo todo quando o assunto envolve a educação dos nossos filhos, mas, a partir da minha experiência em casa e nas recomendações que faço aos pais nos atendimentos, posso dizer que o semáforo é uma ferramenta e tanto para trabalhar a inteligência emocional. 

 Como me sinto

Mais uma recomendação adotada na minha casa e no meu consultório: leia livros sobre as emoções para os seus meninos e meninas. Gosto da série Como me sinto da autora e ilustradora Trace Moroney. São nove títulos na linha “Quando me sinto feliz”, “Quando me sinto nervoso”, “Quando sinto medo”, “Quando me sinto irritado” e assim por diante. 

Apenas deixo tudo espalhado pela sala. Geralmente, nem preciso sugerir a leitura: os pequenos mesmos pegam nas mãos e pedem para ler. Aproveito para observar os sentimentos envolvidos nas escolhas deles, embora a maioria queira ler todos. 

Com os meus dois, li tudo ao trazer a coleção para casa. Agora, relemos juntos o que eles selecionam, o que, claro, também me dá subsídios para conversar sobre os assuntos do momento (o último lido foi “Quando sinto medo”, para a Maria Teresa, que estava com medo de um desenho de fantasma, dentro da própria publicação). 

Falar sobre como nos sentimos, entender como funcionamos, é o primeiro passo para ter uma vida com mais inteligência emocional e equilíbrio. Não prive você nem seus filhos desse presente que é saber lidar com as adversidades que, aqui e ali, a vida traz para a gente. 

Se gostou do artigo, compartilhe com os seus amigos e familiares. Indique para quem você acreditar que o assunto será útil. Obrigada pela leitura e até breve! 🙂

Hipnoterapeuta OMNI. É especializada em hipnoterapia para crianças (Hypnokids) e mulheres. Também é mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Defensora dos direitos da mulher, ajuda a promover o bem estar e a combater as desigualdades à frente da sua Isabela Barros Hipnose Clínica.

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