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Homossexualidade e hipnoterapia: Qual a relação?

Decidi escrever este artigo porque alguns homossexuais me procuram para tratar suas dores emocionais. Descobri que, em muitos casos, por trás dessas dores, existe uma programação negativa que lhes direciona para uma vida de rejeição.

O que faz alguém sofrer não é o fato de ser homossexual, é o fato de não se sentir aceito e amado por ser quem é. E ninguém merece ser maltratado por expressar uma característica pessoal que independe de escolha.

Não há que se falar em opção

Quando o assunto é homossexualidade me vejo na obrigação de iniciar a conversa reafirmando algumas evidências, infelizmente nem tão evidentes, já que a desinformação e o preconceito ainda norteiam o entendimento comum. Venho, então, trazer meu ponto de vista enquanto hipnoterapeuta.

Para começar essa conversa, deveríamos abolir do vocabulário o termo “opção sexual”. Sexualidade não é algo pelo qual se opta, é algo que se sente, que se traz, desde que se entende por gente.

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Só posso ser influenciado a algo que ressoe com a verdade que carrego em mim.

Eu, que sou hétero, nunca optei por ser assim. Você também não. Um belo dia se deu conta de que simplesmente era. A expressão da sexualidade não tem a ver com orientação, nem com influência, criação, ou com o meio em que se vive.

Existem homossexuais provenientes de famílias de muitas mulheres, de muitos homens, de dois pais, de duas mães e, inclusive, de famílias ditas “tradicionais”, com pai e mãe. Existem homossexuais de todas as classes sociais, religiões, raças. Existem homossexuais desde que o mundo é mundo. Não é a criação, não é o tipo de família, não é o meio.

O meio tem interferência no sentido de reforçar aquilo que é peculiar a alguém. Só posso ser influenciado a algo que ressoe com a verdade que carrego em mim. Para uma crença ter lugar na minha mente é preciso que faça sentido, que converse com algo meu. Como sabemos, o subconsciente trabalha aceitando ou rejeitando sugestões. E o que o faz aceitar uma sugestão é a forma como cada um se sente.

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O amor passa longe da intolerância, do medo e do preconceito.

Se eu não posso escolher, assim como não escolhi a cor dos meus olhos, a minha altura, a minha personalidade, logo, a determinação sexual é apenas mais um, entre tantos traços que nos compõem.

Por isso, ninguém merece ser mal visto, maltratado, hostilizado, ridicularizado ou violentado por expressar algo que não escolheu, que simplesmente trouxe, assim como qualquer outra característica.

Teoricamente, a sexualidade de cada um pertence à esfera privada, não devendo interessar ou incomodar alguém mais. Mas incomoda. Perturba. Pois o que está por trás do preconceito é o medo. E só temos medo do que desconhecemos e tememos não controlar.

Muitas pessoas, por verem a homossexualidade como uma escolha, entendem que alguém, de uma hora para outra, pode “virar” homossexual, o que confronta suas fortes crenças moralistas e fomenta o medo de que possa acontecer a qualquer momento, com qualquer um.

Ninguém pode ser obrigado a mudar algo que não escolhe ser.

Obrigar alguém a mudar a sua essência é praticar violência contra esse indivíduo. Ninguém pode exigir do outro que ele se transforme em algo diferente daquilo que consegue ser, a fim de obedecer padrões estabelecidos.

Fazendo isso, acabamos por criar problemas mais graves, traumas mais profundos e doenças mais sérias. A homossexualidade existe desde sempre e vai continuar existindo para nos ensinar a focar no que realmente importa.

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Ninguém pode ser obrigado a mudar algo que não escolhe ser.

Inversão de valores

O segundo ponto importante é: nossa sociedade vem supervalorizando a forma em detrimento do conteúdo, aplaudindo o modelo da “família tradicional brasileira”, mesmo com as bases em ruínas, mesmo com famílias doentes e sem amor, mesmo com estruturas familiares vazias, e rechaça uma demonstração de carinho entre homens por não conseguir enxergar amor ali, recusando-se a aceitar as evidências.

Convido-os a sair do raso e a mergulhar fundo no que é essencial à vida: o amor. Ele passa bem longe da intolerância, do medo e do preconceito.

Vivemos numa sociedade em que a violência é vista com indiferença e banalidade, e uma demonstração de carinho e cuidado com o outro chega ao nível do inaceitável, por se tratar de pessoas do mesmo sexo. Parece que há um ensinamento para nós aí.

O envolvimento da família

No fundo, os pais sabem, elas podem perceber e sentir que um filho é homossexual desde pequeno, a menos que vivam tão desconectados da realidade que deixem de sentir seus filhos.

O que os impede de assumir (para si, em primeiro lugar) é o medo, a vergonha, as crenças que carregam, que se assentam como viseiras sob seus olhos, mascarando os fatos. Esse posicionamento, muitas vezes, é inconsciente.

No fundo, as evidências gritam, mas alguns acabam fingindo que não veem, até porque não sabem como agir, não foram preparados para isso e ainda enxergam como um problema.

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Está na família o primeiro passo a favor da aceitação.

Quando decidi escrever este artigo, o fiz porque atendo homossexuais que me procuram para sanar suas dores mais profundas. Até aí tudo bem, héteros, crianças, todos temos marcas das nossas vivências mais extremas.

Porém, o fato que me chama atenção é que por trás das suas dores e dos seus traumas, descubro muita rejeição e preconceito. Recebo com estranheza a ideia de que pessoas inteligentes, amorosas, bem-sucedidas, honestas, que desejam ser aceitas e amadas sejam tratadas com desamor por quem poderia lhes assegurar o contrário.

As primeiras pessoas a projetarem sua vergonha e seus medos nessas crianças são seus pais e suas mães. Está na família o primeiro passo a favor da aceitação, o maior antídoto contra qualquer tipo de sofrimento.

Atendi pais e mães de homossexuais, e é comum as famílias pensarem que fizeram algo errado, que falharam em algum ponto, que foi o que disseram, o que fizeram ou deixaram de fazer, que algo na educação acabou culminando nesse resultado.

Além disso, pensam que podem e que precisam fazer algo para reverter a situação, e dessa forma, muitas vezes acabam traumatizando e violentando seus filhos.

O papel do hipnoterapeuta

Ninguém me procurou até hoje por sofrer pelo fato de ser homossexual. As pessoas me procuram porque têm doenças físicas, problemas amorosos, de autoestima, dificuldades emocionais, enfim, por diversas razões.

Mas quando investigamos no subconsciente a causa desses problemas, comumente encontramos como gatilho uma situação de rejeição ou violência pelo fato de, na infância ou adolescência, terem manifestado a homossexualidade.

Nosso papel, enquanto hipnoterapeutas, vai além de encontrar a causa de um problema e ressignificá-la. Envolve também oferecer acolhimento, compreensão e orientação para resgatar o que de bom as pessoas carregam, impulsioná-las a explorar seu pleno potencial e a conhecerem melhores versões de si mesmas.

Isso é possível através de um olhar livre de julgamentos. Essas pessoas que, de alguma forma, sofrem pela rejeição de um aspecto seu que não podem ou conseguem controlar, sofrem muito, e assim como todos merecem ser respeitadas e aceitas.

Relatos de casos

LLR, um homem de 36 anos, me procurou para tratar problemas gastrointestinais cuja medicina tradicional, até o momento, não havia conseguido tratar.

Sua história de vida estava envolvida no medo e na rejeição.

O evento causador inicial, ou gatilho, deu-se no nascimento. Um parto complicado o fez desenvolver um certo medo da vida. Aos quatro anos ele brincava de boneca com as vizinhas, quando o pai viu e deu-lhe uma surra.

Nessa idade, uma criança não vê maldade em coisas que, na essência, não representam um mal, afinal ele não estava matando, batendo, ofendendo ninguém, a não ser o ego do próprio pai, que no momento não soube lidar com a sua própria vergonha.

Outras cenas de igual teor apareceram, reforçando os sentimentos de rejeição e de medo. Alguns relacionamentos abusivos marcaram sua adolescência e vida adulta, como expressão de uma semente plantada no seu interior, que dizia: Você não tem valor.

TP, outro homem também de 36 anos, havia me procurado para tratar o fim traumático de um relacionamento.

Ele também viveu um relacionamento abusivo, que deixou algumas feridas expostas. A hipnoterapia tornou evidente, entre outras coisas, a não aceitação das suas escolhas por parte do pai, que programou a sua mente para a vergonha, o medo, a angústia.

Esse moço passou a adolescência se escondendo das pessoas. Como consequência da programação que recebeu, atraiu para a sua vida um relacionamento abusivo, do qual lutava para se livrar quando me pediu ajuda.

Esses dois clientes trouxeram cenas fortes e marcantes, envoltas em sofrimento, que revelaram crianças inocentes, que apenas expressavam como eram de fato, como se sentiam, e diante da incompreensão e da ignorância, sofreram violência física, verbal e psicológica, primeiramente daqueles que deveriam protegê-las e prepará-las para o mundo.

Acompanhá-los nessas memórias me fez acreditar que o que se pratica com essas crianças é reflexo daquilo que os adultos não sabem ainda compreender e administrar.

Quero lhes dizer, com isso, que o sofrimento não vem do fato de alguém ser homossexual, vem da intolerância e do preconceito que, muitas vezes, começa dentro de casa.

Não podemos impedir que as pessoas vivam o que lhes foi determinado por planos maiores, pois está aí o seu aprendizado e a sua evolução, mas podemos nos abster do preconceito e do julgamento, pois esses, sim, ferem e prejudicam mais do que qualquer outra coisa.

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Hipnoterapeuta OMNI Florianópolis/SC, membro da National Guild of Hypnotists – NGH, especialista em Hipnose para Crianças e Adolescentes – HypnoKids, colunista mensal do portal HypnoPlace. Formou-se em Reiki II, estudou Cromoterapia, Cromopuntura, Radiestesia e Metafísica Aplicada à Saúde. Formada em Jornalismo e Direito, trabalhou por 15 anos unindo suas duas formações. Em 2014 deixou o cargo de jornalista para abraçar o que se tornou sua missão de vida: a hipnoterapia. Desde então, tem ajudado centenas de pessoas a resolverem seus problemas e a expressarem seu pleno potencial.

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