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Como a hipnoterapia pode ajudar no tratamento da depressão

Se você abriu este artigo, muito provavelmente se identifica com o tema ou está muito próximo de alguém que sofre com esse sintoma, certo?!

Ao pesquisar ‘sintomas da depressão’, podemos achar diversos links que discorrem sobre o assunto e tentam explicar como uma pessoa deprimida se sente. Falo isso porque eu mesma já procurei, e uma coisa que sempre me incomodou foi ler aqueles sintomas todos, ir somando quantos deles eu tinha e, no final das contas, terminar com uma pergunta na minha cabeça: “Tá, e agora, faço o que com isso?”.

Acredito que isso seja bem comum de acontecer, e se identificar nossos problemas os resolvessem, quase ninguém teria problemas, não é? Falta de vontade para fazer as coisas, apatia, pensamentos negativos, sono em excesso ou a falta dele, alimentação irregular e reflexos no peso e no metabolismo, entre tantos outros sintomas ruins.

Se for analisar, todas as manifestações da depressão são muito congruentes, afinal, faz sentido uma pessoa que não tem prazer em continuar viva não ter ânimo para atividades, certo? E se ela não tem ânimo para nada, como vai pensar em coisas positivas? E se ela não pensa em coisas positivas, como ela vai ter vontade de cuidar de si mesma?

Eu vou compartilhar algumas coisas da minha experiência como uma “ex-depressiva”, porque tem coisas que só quem passou por isso entende.

Escutava muito das pessoas que eu não deveria estar daquele jeito porque eu tinha comida na mesa, teto sobre a cabeça e saúde para trabalhar, que tinham pessoas com situações muito piores do que a minha, que tinham perdido os pais de forma trágica ou se acidentaram e ficaram com sequelas… “E olha só, estão todos sorrindo e gratos pela vida”.

Isso não ajudava a ver minha vida de forma positiva, pelo contrário, eu me sentia pior e mais culpada por ter um sintoma que eu não escolhi ter. Ninguém acorda um dia e pensa: “Nossa, acho que hoje eu vou ter depressão”. É uma doença que silenciosamente vai tomando conta da nossa vida e como não é visível, tipo uma catapora, ela é taxada como “frescura”.

Eu aprendi a não julgar e muito menos diminuir a dor dos outros, é desumano comparar alguém que perdeu a família em algum acidente com quem passa fome. DOR NÃO SE COMPARA!

mulher triste

O que  já fiz para tentar me livrar da depressão 

Eu brinco que cheguei a um ponto tão desconfortável da minha depressão, que se alguém falasse “sabia que beber água do Oceano Pacífico por um mês ajuda na depressão?”, eu provavelmente faria isso.  Dei este exemplo absurdo para mostrar que eu já estava disposta a fazer e acreditar em qualquer coisa que pudesse me ajudar.

Eu fiz, contando indas e vindas, aproximadamente 10 anos de terapia (análise e comportamental), e eu já sabia a linha do tempo da minha vida inteira e tudo que poderia ter me afetado negativamente, e, de fato, saber conscientemente sobre seus problemas não resolve quase nada.

Porque se ter consciência deles bastasse, ninguém fumaria, ninguém seria obeso e etc. Afinal, se os problemas fossem lógicos, eu já teria resolvido o meu há muito tempo. Não descarto o apoio da terapia, afinal muitas pessoas nem sabem que tem problemas, e ajuda bastante aprender a ver o lado do outro e repensar alguns paradigmas. 😉

Também já tomei muitos remédios, e quando comecei a ter problemas de insônia também cheguei a testar cerca de 25 tipos de fármacos. E todos nós sabemos que remédios não curam nada, eles apenas tiram os sintomas, mas eu só queria não ficar mais com aquelas emoções negativas e conseguir dormir.

Acabei não me adaptando aos remédios e não gostava da forma como eu ficava, eu não sentia mais tristeza, mas também não sentia mais nada, parecia que se alguém morresse na minha frente aquilo não ia me afetar em nada. E a sensação de ser dependente de um comprimido (no meu caso, vários), me deixava com o sentimento de impotência muito grande, resumindo, não deu certo.

Tentei também diversos outros tipos de tratamento, holísticos, alternativos… e até tentei fingir uma época que aquilo não estava acontecendo, tentei me enganar fingindo que não era comigo e ficava enchendo meus dias com tarefas para eu não ter tempo de sentir toda aquela insatisfação. Não vou dizer que nada disso me ajudou, eu tinha alívios sim, mas temporários.

mulher se sentindo só na multidão

Quando eu não aguentei mais

Chegou a um ponto que eu começava a fazer contas de quanto tempo de vida eu ainda tinha, e que se eu tivesse que viver até os 80-90 anos sentindo essas coisas, o tempo ia demorar muito pra passar. Eu não tinha culpa de não conseguir sentir aquela alegria de viver que muitas pessoas falam, de ter medo de morrer (porque ainda tinha muita coisa para realizar), de fazer planos, de encontrar um trabalho ou um relacionamento, uma família… e aquilo se tornar a razão da minha vida. Eu simplesmente não conseguia sentir absolutamente nada que não fosse apatia, tristeza e desânimo.

Para mim, nada fazia mais sentido, e eu só torcia para que o tempo passasse o mais rápido possível para que um dia, simplesmente, eu não acordasse mais. Cheguei a pedir desculpas para os meus pais por eu ser e estar daquele jeito, e que ficava cada vez mais desmotivada a cada tentativa de ficar melhor e nada funcionava de fato.

Nesta época eu achava que existiam dois tipos de deprimidos, os que queriam se livrar e tentavam de tudo para melhorar, e os que simplesmente se deixavam levar por aquilo, eu, com certeza, não fazia parte do segundo grupo.

A apatia e o desânimo eram tão grandes que se alguém me falasse “Olha, tem um milhão de reais esperando você lá na Disney, topa ir agora?”, eu nem conseguia reagir, e isso valia também para amigos, festas, viagens… simplesmente nada mais era capaz de me fazer ficar bem. Mas pelo menos isso me valeu uma conclusão, eu tive mais certeza do que nunca, que o bem-estar e a tal da felicidade não estão em coisas ou pessoas.

Quando eu cheguei ao ponto de acordar todos os dias e desejar que o dia passasse o mais rápido possível para que eu pudesse dormir novamente, eu pensei “qual a diferença entre querer dormir 24h por dia e não estar mais viva?”, eu vi que aquele desespero das contas que eu fazia de ter que sentir isso por mais 50 anos, pelo menos, começou a me enlouquecer.

Por que a depressão não tem o mesmo impacto que as outras doenças?

A depressão, assim como tantas outras doenças emocionais diagnosticadas atualmente, é difícil de compreender, porque, muitas vezes, é silenciosa de tal forma que não conseguimos identificar ‘de cara’ uma pessoa com depressão, mesmo convivendo com ela. Tanto que é muito comum escutarmos coisas como “Nossa, fulano tem depressão? Nem parece!”, “Poxa, mas ele/ela tem tudo, por que está assim?”. Quem não se surpreendeu, por exemplo, com o suicídio de Robin Williams?

A nossa sociedade está acostumada a pensar nas doenças de forma muito lógica: tudo que manifestamos tem uma causa óbvia. Por exemplo, quem pega dengue é porque foi picado pelo mosquito, quem fica resfriado é porque se expôs ao frio sem agasalho, e assim por diante. Como a depressão não tem um motivo único e óbvio para se manifestar, as pessoas buscam todas as formas que conseguem para preencher esse vazio e mal-estar emocional que sentem, sem saber a causa, e assim é como dar tiros no escuro tentando acertar um alvo distante.

Tentar sair mais com amigos para “se distrair”, entrar em um relacionamento para “sentir-se melhor”, arrumar um outro emprego para “se realizar”, ganhar mais dinheiro para “ser mais feliz”, tomar remédios para “parar de sentir”, e assim uma série de soluções paliativas vão se enfileirando. E se você chegou já neste ponto, é inevitável querer dormir para sempre.

pessoa triste caída no chão

Como a hipnoterapia pode ajudar na depressão?

Vejo a hipnoterapia como uma ferramenta incrível, eu tive acesso a ela no ápice da minha doença, quando eu realmente não aguentava mais e comecei a pesquisar sobre tratamentos para depressão, até chegar na hipnoterapia.

Sabemos que estamos na ponta de um iceberg imenso sobre os estudos da mente humana, e diante de tantas possibilidades, não seria justo dizer que a hipnoterapia é a única ferramenta capaz de ajudar as pessoas no mundo, mas no meu caso, ela salvou o meu!

Afirmo que é uma maneira bastante eficaz de ajudar as pessoas e transformar suas vidas, porque na hipnose é você com você mesmo, sua melhora não é terceirizada para ninguém, você é o responsável pela sua melhora e por tomar as rédeas da sua vida, ou seja, a transformação acontece porque é real, autêntica e totalmente sua.

A causa do problema não precisa ser necessariamente algo marcante e traumático, às vezes, é a repetição de fatos que reforçam uma emoção negativa, e isso também pode causar danos na nossa programação e nos deixar doentes.

Na hipnoterapia, o objetivo é encontrar onde tudo começou e fazer uma reprogramação ou uma reeducação na mente da pessoa para que ela entenda, em vários níveis, o que a afeta (nem sempre precisa fazer sentido), e assim, a pessoa poderá compreender que o sistema dela não precisa mais manifestar a depressão ou qualquer outro sintoma. É verdadeiramente uma reprogramação e uma transformação na maneira de pensar, falar, agir e sentir.

O que posso esperar como resultados?

O resultado, assim como a própria sessão, depende muito de cada pessoa, do engajamento e de admitir de uma vez por todas que a ajuda não vem de fora, através de algo (remédio, álcool, etc) ou alguém (relacionamentos e amigos), nós somos os únicos responsáveis pela nossa felicidade e tristeza, doenças e saúde.

Não conseguimos especificar quando ou como a pessoa vai melhorar, alguns abrem os olhos e se sentem transformados, outros no dia seguinte e alguns no decorrer da semana. Da mesma forma, a intensidade disso pode ser gradativa ou súbita, costumo brincar que é de acordo com o desespero de cada um.

O hipnoterapeuta não tem o poder de abrir a cabeça da pessoa, apertar alguns botões e ela simplesmente abrir os olhos transformada, mas eu faço o melhor com a ferramenta que tenho da hipnoterapia para ajudar a pessoa a enxergar isso e fazer sozinha o que precisa ser feito. A percepção sobre a vida muda, sobre os próprios sentimentos também, e não é nada mágico (apesar de às vezes parecer), mas a pessoa consegue sentir as coisas de formas diferentes e isso muda tudo. Muda completamente!

Formada em Arquitetura e Urbanismo, pós-graduada em Projeto Arquitetônico e Gestão em Inovação e Design pela Universidade Estadual de Londrina. Hipnoterapeuta avançada OMNI Hypnosis Training Center, formação em Hipnose Infantil pelo protocolo Hypnokids, e outros cursos complementares como Hipnose Integrativa com Melissa Tiers, Hipnose Prática com Pyong Lee, Especializada em Hypnowaving com Hansruedi Wipf e Transes Profundos com Michal Cieslakowski  e participação em diversos eventos e palestras da área de hipnose e hipnoterapia.

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