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Problemas de autoimagem: o que a hipnose pode fazer por você?

Tem chamado a atenção relatos de jovens que dizem odiar seus corpos durante o tratamento de hipnose. Quando pergunto o que levou a cliente a procurar a hipnoterapia, e qual questão iremos trabalhar, procuro também investigar qual a relação que aquela pessoa tem com sua autoimagem.  Muitas são taxativas e vão direto ao ponto: eu odeio meu corpo.

Odiar é uma palavra bastante contundente e demonstra a visão que a maioria das mulheres têm de si. Há homens que também têm compulsões, não gostam do que veem no espelho, mas essa relação negativa que gera repulsa normalmente é relatada no discurso feminino.

Isso, infelizmente, começa dentro de casa por meio de críticas feitas pelos pais e irmãos. Esses parentes próximos acham que a crítica pode incentivar aquela criança ou adolescente a fazer dieta e ser mais vaidosa, mas os resultados são sempre baixa autoestima, insegurança e problemas de autoimagem.

O que chamou minha atenção é que no último mês mais de seis clientes mulheres reclamaram de seus corpos. Se sentiam inadequadas, passaram por inúmeras dietas e achavam que seus problemas, como a dificuldade de se relacionar, estavam ligados ao fato de não serem suficientemente atrativas.

Ao examinar essas jovens, todas com menos de 30 anos, notava a visão distorcida que tinham de si mesmas e como elas eram rígidas com as suas formas. Ao meu ver, aquelas mulheres eram belas e deveriam ter orgulho de seus corpos.

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Hipnose X Problemas de Autoimagem

Você deve estar pensando: bem, eu não gosto do meu corpo, e o que a hipnose tem a ver com isso? Acredite, tem tudo a ver! A visão que as mulheres que me procuraram tinham de si mesmas era reflexo do olhar que as pessoas que elas mais amavam tinham da imagem delas. E descobrimos isso durante a regressão.

Uma das clientes relembrou uma cena de quando tinha apenas 3 anos de idade. Quando uma situação, que deveria ser corriqueira, a marcou profundamente e causou seus problemas de autoimagem. Ela observava o olhar de sua mãe para a sua irmã mais velha. Os elogios eram sempre direcionados para a primogênita que era considerada a mais bonita e, logo, ela chegou à conclusão de que era feia.

Outra cliente trouxe para a sessão a lembrança de que quando ainda era garotinha ouviu do seu pai que estava muito gorda. Ela tinha apenas 5 anos e desde então busca perder peso a qualquer custo, mesmo sendo uma mulher linda e cheia de personalidade.

Essas mulheres, desde muito cedo, criaram uma percepção errada de si mesmas uma vez que não foram incentivadas a construir uma autoestima saudável. É como se elas continuassem a reagir como uma garotinha, que é julgada e criticada constantemente pelas pessoas a sua volta.

Não é à toa que possuem problemas de autoimagem, não se acham atraentes e, invariavelmente, se relacionam com pessoas abusivas. Afinal, elas acreditam que não são boas o suficiente para ter alguém que as trate bem, uma vez que se consideram feias e fora do padrão.

Nossa personalidade é criada em nossa primeira infância e esse “registro” de que não somos bonitas e dignas de amor pode perseguir uma pessoa a vida toda, e os resultados podem ser trágicos se não forem detectados e tratados.

Uma pessoa adulta sabe que a felicidade não está ligada a beleza. Mulheres belíssimas podem ser infelizes se passarem a vida toda buscando a perfeição de seus corpos. Enquanto pessoas consideradas fora do padrão podem ter sua vida repleta de amor e autoaceitação. Mas a nossa criança interna pode continuar se sentindo feia e inadequada. A hipnose pode nos levar até esse período de nossa infância e ressignificar essa emoção.

Pais devem ficar alertas 

Há uma busca incessante dos pais para que seus filhos tenham uma boa escola, aprendam línguas diversas, sejam competitivos e alcancem boas notas. Mas qual a real preocupação desses pais com a saúde mental do seu filho? Construir uma boa autoestima é muito mais importante do que investir apenas em escolas caras. Uma pessoa com excelentes notas e com problemas de autoimagem, dificilmente vai se destacar.

Humilhar, dar apelidos e chamar uma criança de gorda, certamente não vai incentivá-la, ao contrário, vai fazê-la acreditar que ela nunca será feliz.

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Observo adolescentes ganhando de presente dos pais cirurgias para aumentar seios ou lipoaspirações para diminuir suas coxas, em um momento da vida em que seu corpo ainda não está constituído. Isso porque, o pai e a mãe acreditam que seus filhos serão mais felizes se eles se encaixarem em um padrão. Entretanto, eu questiono: essa felicidade é real? Qual a mensagem que você está passando para o seu filho(a) ao dar a entender de que ele será aceito e feliz somente se ele se preocupar com seu visual?

A saúde e a beleza

Sempre reforço a importância de manter uma alimentação equilibrada e da inclusão de atividades físicas na rotina. Essas medidas causam bem-estar e isso nos ajuda a lidar com os contratempos que surgem na vida, como rejeição, fracassos, etc.

Estar saudável impacta diretamente na felicidade das pessoas, ao passo que escolher fast food e ser sedentário, traz cansaço e desânimo. Mas o que tratamos aqui são os padrões totalmente fora de realidade que vemos em revistas e nas redes sociais de famosos. Fotos que claramente são tratadas com filtros e que influenciam os jovens.

Outra questão são pais e mães que têm uma visão totalmente errada de como construir uma autoestima adequada em seus filhos. Há parentes que projetam suas frustrações nas crianças e o resultado são adultos que precisam colocar as expectativas de seus parentes na frente de seus planos.

Porque quem nos ama nos machuca tanto?

Como dizia um professor, um cidadão que mora no Japão não é capaz de nos machucar. Pouco importa o que uma pessoa que mal conhecemos pensa a respeito de nós. Mas ouvir críticas de familiares nos abala. Isso se intensifica quando ocorre na primeira infância, época em que começamos a construir a nossa visão do mundo.

Nossos pais merecem uma atenção à parte, por isso que é necessário trazer esse tema para a hipnose. Passamos boa parte da vida reagindo ao que nossos pais acreditam que nós somos, e vamos nos relacionar com base nessa referência primordial.

Há uma luz no fim do túnel?

Nossa psique, em grande parte, é constituída pela influência que os nossos pais têm sobre nós. A sua mente vai se adaptar ao que ela aprendeu, desenvolver crenças e formas de reagir a partir dessa ferida. O que fazer então? Terapia, olhar para essas dores, trabalhar esses sentimentos internamente, entender os limites de quem nos ama e, principalmente, perdoar. O perdão é a única forma de libertação dessas dores!

Hipnoterapeuta e sócia da clínica Fênix Hipnose, jornalista e escritora. Integrante de um grupo que busca combater a violência contra a mulher, acredita que o tema deva ser levado a todas as esferas da sociedade. Estudiosa de Carl Jung e seus escritos sobre interpretação de sonhos, orienta as pessoas a encarar as suas feridas, a ressignificar suas emoções e a equilibrar relações com pais e companheiros(as).

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