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Hipnose funciona?

O conceito de neuroplasticidade, isto é, a capacidade que os neurônios têm de fazer novas conexões e, portanto consolidar aprendizados, processo eficaz sobretudo em estados de rebaixamento da consciência, mostra que sim: podemos mudar!

No tempo de James Braid, Liébault, Bernheim, Charcot e Freud, para citar alguns dos nomes da história da hipnose, não havia tecnologia para mensuração, nem tampouco validação científica dos seus efeitos, que não a própria remissão da sintomatologia, bem como os relatos médicos e de pacientes que a experimentavam como via de tratamento.

Esses foram alguns dos principais práticos e estudiosos, – ainda de forma empírica, mas com alguma produção teórica -, que legitimaram o uso da hipnose em perspectiva clínica e graças às suas contribuições, a técnica sobreviveu na contracorrente do ceticismo e do preconceito.

A partir de meados do século 20, com o advento de aparatos tecnológicos aplicados à Medicina e pesquisa em Psicologia, foi possível estudar mais aprofundadamente a ação hipnótica e seus resultados na mente humana com a localização anátomo-fisiológica do seu funcionamento e a comprovação irrefutável de como atua a hipnose nos processos cerebrais e psíquicos.

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Porque então a hipnose funciona?

O que temos hoje, de acordo com pesquisas confirmativas da neuroplasticidade cerebral, é que a hipnose e a psicoterapia realmente funcionam como abordagem clínica e terapêutica para uma série de disfunções de ordem psicológica e estão diretamente relacionadas à consolidação de memórias e, portanto, aprendizagem.

O Sistema Nervoso possui uma importante propriedade de reorganização, que está na base desses processos de memória e de aprendizagem.

Sua intrincada rede neural produz, inclusive, estratégias de reabilitação em casos de perdas estruturais ou funcionais por lesões, algo que Freud, diga-se, já afirmava, a partir de um estudo de caso sobre a afasia, reputando tal funcionamento à esfera do inconsciente em sua relação neuroanatômica; mas, na ausência de tecnologia de mensuração, naquele tempo, o conceito se restringiu à Psicanálise, sendo, contudo, parcialmente aceito, então, por estudiosos isolados de neurologia e de Psiquiatria e por aqueles que abraçavam a causa psicanalítica.

Em hipnose, algumas metabolizações importantes de neurotransmissores são ativadas, fazendo reverter estados como ansiedade, angústia e medo em sensação instantânea de bem-estar.

O professor de Psicologia Devin Terhune, da Universidade de Londres, é categórico em afirmar que “a hipnose ocorre por meio de complexa interação de fatores neurofisiológicos e psicológicos, (…) e parecem variar subjetivamente”.

Conforme as pesquisas avançam na área, tornou-se claro que o fenômeno (hipnótico) tem o potencial de revelar insights únicos sobre como a mente humana trabalha. Isso inclui aspectos fundamentais da natureza humana, em como nossas crenças afetam a nossa percepção de mundo e como podemos experimentar o controle sobre as nossas ações.

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Pense bem

Nas últimas décadas, firmou-se o conceito da neuroplasticidade, que é, portanto, a capacidade das células nervosas (neurônios) realizarem novas conexões, de modo a que sejam criados processos que nos permitam formar novas memórias, ou seja, a mente humana possui a capacidade intrínseca de aprender continuamente e, portanto, modificar padrões.

Para que uma nova memória de longo prazo se consolide – e a aprendizagem está no campo das memórias de longa duração, aquilo a que os neurocientistas chamam de “traços de memória”- é necessária a ativação conjunta de várias áreas cerebrais. Essa ativação articulada e repetida vai criando e reforçando interconexões que, ao se completarem, se transformam em memória permanente.

Assim, no encadeamento semelhante ao de um músculo, quanto mais exercitado o cérebro na criação e recriação de conexões, tanto melhor o seu funcionamento.

Nesse aspecto, quanto mais utilizamos determinados circuitos de pensamento, mais o reforçamos. Portanto, a ideia do ‘pensar bem’ nada tem de fortuita nem segue somente fundamentada em crenças e preceitos religiosos ou princípios humanísticos (sempre louváveis, diga-se).

Está cientificamente comprovado que quanto mais pensamos em bem-estar, sentimentos positivos de gratidão, confiança e autoconfiança, respeito etc., tanto mais fortalecemos memórias, sentimentos e sensações, criando, assim, conexões definitivas e estabelecendo um mind set (atitude/organização mental) mais propício ao sucesso e ao bem-estar.

No contexto da hipnose e da hipnoterapia isso se dá por intermédio de um rebaixamento da esfera racional (com técnicas de indução e aprofundamento ao transe hipnótico), em que a receptividade a sugestões que possam se transformar em ‘aprendizado’ ou ‘ressignificação’ fica significativamente amplificada.

Essas sugestões podem ser diretas ou indiretas. No processo OMNI de hipnoterapia, trabalham-se as sugestões diretas (Direct Drive Technique ; Boinking; Overload), com a licença da utilização das sugestões indiretas (sobretudo as metáforas) a partir de dados coletados na anamnese ou que apareçam no momento da terapia.

Considerando a tese de Richard Bandler de que a mente não opera por resultados, mas por direções, a hipnose mostra ser a situação mais adequada para que essas direções, em acordo com o paciente e a partir de sua queixa, sejam lançadas, de modo a que funcione no sentido desejado.

Dessa forma, a hipnose pode ser utilizada como uma excelente ferramenta para estabelecimento de mind set, visualizações, gerenciamento da dor, administração de crenças limitantes/disfuncionais, restituição da funcionalidade psíquica etc., considerando a premissa de Dave Elman e Gerald Kein da substituição de sugestões não funcionais por sugestões aceitáveis na esfera do rebaixamento da consciência.

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Reforçando circuitos positivos

“Comportamentos e sugestões podem alterar a morfologia e a função do sistema nervoso e vice-versa. A hipnose pode ser usada para amplificar habilidades, conceitos, reforçar e transformar crenças. Nesse sentido, a hipnose associada ao conceito de neuroplasticidade pode se tornar uma ferramenta ainda mais potente.

O reforçar de circuitarias positivas e o sistema de crenças, associado a uma ferramenta que diminui a racionalidade, aumentam a capacidade dedutiva e a visualização”, ratifica a psiquiatra e precursora da hipnoterapia no Brasil, Sofia Bauer, em seu livro “Hipnoterapia Avançada e Técnicas Psicossensoriais”, (Wak Editora).

Essa plasticidade, que por fim, consiste na forma de o nosso cérebro agir e reagir adaptativamente ou não, criando novas habilidades ou até mesmo novas maneiras de pensar, demonstra o poder que a mente tem de transformar, de maneira permanente ou pelo menos prolongada, as suas cognições, de modificar os seus padrões.

O que a Neurociência explica definitivamente é que estamos aparelhados para a mudança, e, se o nosso cérebro/mente é capaz de construir um problema, é também capaz de buscar a sua solução. Então, sim, podemos mudar e a hipnoterapia é uma grande aliada nesse processo!

Hipnoterapeuta OMNI, psicóloga clínica pós-graduada em Psicanálise, jornalista e escritora, tem seis livros lançados, dentre eles o ‘Pássara’ e ‘Começa em Mar’, e várias premiações literárias, como o Off Flip e o UFES de Literatura (Universidade Federal do Espírito Santo).

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