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Fobia Social: o papel da hipnoterapia no tratamento

A Fobia social, também conhecida como sociofobia ou transtorno de ansiedade social, é uma patologia que tem origem no transtorno da ansiedade e que evolui a tal ponto de impedir as relações sociais do indivíduo.

Gosto de falar sobre o que tenho propriedade, das questões que já vivi ou que já tratei e, atendendo algumas pessoas com este transtorno, percebo um padrão comum, o padrão comportamental. Neste artigo, quero trazer a luz de como a hipnoterapia pode ser uma ferramenta incrível e poderosa no tratamento da fobia social, entre muitas outras doenças e questões.

 

Fobia, Ansiedade e o cérebro

 

a ação da fobia social

Photo by Kat Jayne from Pexels

No nosso cérebro existe uma parte que podemos dizer que é a parte responsável pelos nossos instintos, que é a Amígdala Cerebelosa. Ela é muito mais que isso, mas vamos focar no contexto do tema. A grosso modo, e biologicamente falando, essa Amígdala é como se fosse o “alarme” que recruta o nosso corpo para fuga ou luta em uma situação de perigo. Essa é a parte da autopreservação (ou autoproteção) da mente.

Quem manda a informação de perigo para a Amígdala, são nossas emoções. Podemos dizer que nossas emoções são um conjunto de ações espontâneas, autônomas e inconscientes que identificam e interpretam o perigo baseado em nossas experiências anteriores.

Geralmente, essas experiências, que chamamos também de eventos, acontecem na nossa primeira infância (0 a 7 anos), e podem caracterizar um trauma, que tem um impacto muito maior, ou podem ser apenas eventos comuns, mas com alguma carga emocional.

No caso da fobia social, estima-se que apenas 30% têm origem genética como a hereditariedade. Ela está mais propensa a ser uma doença com características a ser aprendida pelo ambiente em que a pessoa foi inserida. Pode estar ligada também com a forma como a pessoa foi criada pelos pais, ou por algum evento traumático como bullying, rejeição ou ridicularização.

Uma vez registrado um evento como perigo em nosso cérebro, ele cria conexões para nos proteger de algo igual ou parecido ao que já passamos ou aprendemos. É a maneira que o cérebro usa para nos “proteger”, transmitindo a mensagem: corre que você está em perigo!!

A causa da fobia social

Para ficar mais fácil a compreensão de como acontece a doença na maioria das vezes, vou trazer o caso de um dos meus atendimentos. Para preservar sua identidade, chamarei de Pedro.

Pedro, 42 anos, apresentava muitos sintomas da fobia social, e já sofria com a doença há aproximadamente 15 anos. Na busca pela causa da fobia, em hipnose, Pedro teve acesso a uma memória que trouxe a ele uma grande dor.

Ele se percebeu dentro da barriga da mãe e sentiu dela a rejeição, que se estendeu ao longo da sua infância. Estava diante de mim um bebê ,ainda nem nascido, chorando e sentindo a mesma angústia e dor de 42 anos atrás. Ele descreveu a cena dizendo que a mãe falava que não queria tê-lo, e que ele ia atrapalhar a vida dela. Encontramos a causa. O primeiro evento que deu origem a todo esse padrão mental.

Depois disso, Pedro foi até outro momento da infância, agora com 4 anos de idade, seus pais estavam brigando e ele entendeu que era por sua culpa. Em outro evento, com 6 anos, sua mãe falava que ele era burro, e que ele não fazia nada direito.

No próximo evento, com 8 anos, Pedro precisou apresentar um trabalho para turma da escola, e não conseguiu. Sentiu muito medo e ansiedade. A partir disso, começou a sofrer bullying, o que só reforçou ainda mais este padrão de comportamento que agora era fugir das pessoas.

Pedro tinha alguns outros eventos depois destes, mas estes já são o suficiente para o cérebro adotar padrões para “protegê-lo” da rejeição e do sofrimento que as pessoas causavam.

 

Autoproteção

Cérebro acorrentado pela fobia social

Imagem de 3D Animation Production Company por Pixabay

 

Como expliquei acima, o cérebro tem um sistema de proteção que é inconsciente. Não depende da nossa escolha e não está sob nosso controle. O cérebro humano contém cerca de 86 bilhões de neurônios, que se comunicam entre si e criam conexões que registram os eventos que tiveram algum impacto emocional, positivo ou negativo.

Quando a pessoa que apresenta fobia social é exposta a alguma situação que o cérebro reconhece como perigo, ele busca e traz as mesmas sensações e sentimentos que ficaram registradas nos primeiros eventos que geraram este aprendizado.

Em uma fração de menos de um segundo, ele ativa a Amígdala que prepara o corpo todo para a fuga. Aqui estamos falando de fuga mesmo! Como se falar em público, por exemplo, fosse um predador igual a uma onça, um leão ou um tigre. Nosso sistema cerebral é o mesmo do homem primitivo, porém nossos predadores hoje são outros.

O “predador” do fóbico social, são todas as situações que geram desconforto, ansiedade e medo e que está associado a exposição ou ao fato de estar na presença de mais pessoas. Na grande maioria das vezes, a pessoa sabe que os sintomas são irracionais, mas ela não sabe de onde vem.

 

Sintomas da Fobia Social

Já tive alguns casos de pacientes que tratei que vieram com o diagnóstico de fobia social, e os sintomas que vou descrever são os sintomas que estas pessoas relataram que tinham quando iniciamos o tratamento:

– Medo de ser julgado, avaliado negativamente ou rejeitado em uma situação social.

– Ansiedade intensa quando exposto, apresentando sinais visíveis de sudorese, perda do ar enquanto fala, ou nem mesmo consegue falar, gagueira e vermelhão no rosto.

– Ritmo cardíaco acelerado, náusea, desconforto quando está com mais pessoas.

– Medo de falhar, pensamentos negativos e tendência a ser pessimista, sempre esperando que o pior pode acontecer.

– No dia a dia pode apresentar dificuldades de fazer coisas simples como ir ao mercado ou ao banco, ansiedade ao ficar preso no transito, irritabilidade com o barulho de pessoas falando quando está em local público ou até mesmo evitar sociais com amigos e conhecidos, apenas por ter mais pessoas juntas.

– Pode apresentar sintomas de depressão.

– Sente-se impotente diante de situações rotineiras.

Estes são alguns dos principais sintomas da fobia social, mas tudo varia de pessoa para pessoa.

 

O tratamento com a Hipnoterapia

O principal protocolo que usamos na hipnoterapia, é buscar a causa do problema, que é a base e que chamamos também de E.C.I (evento causador inicial). Depois buscamos os outros eventos que dão estrutura ao padrão que a pessoa tem, que chamamos de E.C.S (eventos causadores subsequentes). Seguimos com o processo até a chegar ao que chamamos de E.C.F (evento causador final).

Antes, eu trouxe como exemplo o caso do Pedro. Comentei que ao encontrar o ECI, ele sentiu um grande sofrimento por conta da dor da rejeição. Apesar do desconforto em sentir isso de novo, entendemos que é libertador.

Essas conexões cerebrais ligadas aos traumas só se desfazem quando são ativadas novamente e quando recebem outro significado. Chamamos isso de ressignificação. E é por isso que a Hipnoterapia é reconhecida pela eficiência. Porque o estado de hipnose facilita a compressão dos eventos, potencializa todas as dinâmicas terapêuticas e ressignifica os traumas tirando a carga negativa dos eventos. Depois disso, o cérebro não reconhece mais o trauma e não vê mais a necessidade de “protegê-lo” das coisas que antes a pessoa tinha dificuldade.

Gosto de deixar sempre bem claro, que este processo todo é realmente maravilhoso, MAS… é um processo muito permissivo. A pessoa precisa estar de acordo com a proposta, precisa querer se livrar do problema e estar disposta a enfrentar seus medos.

A hipnose clínica, sem dúvida nenhuma, é uma ferramenta que pode, de forma muito mais rápida e natural, ser o início de uma vida livre, saudável e feliz!

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Abração e até a próxima!

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