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Estupro: a hipnoterapia como forma de tratamento

Com apenas 9 anos de idade, Márcia foi deixada pela sua mãe na casa dos seus tios. O que era para ser um agradável final de semana se tornou uma marca indestrutível na vida daquela menina, pois seu primo de 15 anos oferece a ela um “pirulito” diferente. Caso ela não pegasse naquilo, seus tios a colocariam para fora de casa e ela dormiria com os cachorros.

Assustada, a inocente menina obedece a contragosto e, sem perceber, cria um profundo sentimento de culpa, nojo e vergonha. Vinte anos depois, esse sentimento irrompe como uma obesidade mórbida, uma vida de relacionamentos dolorosos e abusivos e uma necessidade de autopunição continuamente.

Foi assim que a Márcia, aos 29 anos, veio para a sessão de hipnose. Na verdade, ela achava que já havia superado aquele estupro, afinal, o primo não fez nada mais “sério”.

mulher cabisbaixa sentada num banco

Fonte: RyanMcGuire / Pixabay

O subconsciente guarda tudo

Essa é a interpretação racional de uma mulher adulta que, sob influência da mente consciente, cria um álibi para seus problemas ao mesmo tempo que desvia do verdadeiro assunto. Devido a influência de séculos de raciocínio lógico, tenta usar sua mente analítica para entender, controlar e até mesmo suprimir emoções.

Obviamente que o cérebro humano, criado há milhares de anos, não cairá nessa crença de “se eu mudar o pensamento, tudo se altera”. Como ele foi programado para procurar e seguir padrões, mesmo que de forma não consciente, criou toda uma realidade para Márcia.

Mesmo não precisando mais reagir àquele primo, continuava se comportando como uma mulher indigna, “suja” – como ela mesma se chamava – e acreditava que todo esse sentimento podre sobre si mesma era decorrente da obesidade. Exatamente o oposto da realidade!

A hipnose como tratamento em casos de estupro

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou uma média de 164 estupros por dia em 2017. Meus estudantes conseguem observar isso quase que diariamente em seus consultórios, quando descobrem que toda a dor e a tragédia da vida de uma pessoa começou com uma brincadeira de mal gosto, incesto ou atentados ainda mais violentos, mesmo que décadas antes ou acontecimentos ocultos da mente consciente.

Agora, como é possível tratar essa ferida emocional tão intensa? Deve-se levar a pessoa ao momento da dor, via regressão de idade? Fazer uma pessoa reviver o estupro não seria pior?

Infelizmente, eu já atendi centenas e centenas de pessoas (homens e mulheres) que, durante o processo de hipnoterapia – onde quase sempre uso a regressão de idade –, voltam espontaneamente ao momento do abuso.

Isso exige um olhar muito atento e amoroso por parte do hipnoterapeuta, porque você não pode simplesmente olhar a pessoa como uma “vítima fraca” e nem ficar julgando os atos do agressor, por mais doloroso e estranho que isso pareça. Afinal, ambas as partes são apenas o resultado de programações feitas ao longo de suas vidas.

Mas preste atenção: se uma pessoa chegar diretamente para você, alegando que quer fazer uma hipnose com regressão para “saber” se houve estupro no passado, fuja disso. Há um perigo iminente de falsas memórias!

Um exemplo típico disso é a criança que sofre de alienação parental, onde a mãe instaura continuamente ao longo do tempo a ideia de que o pai é ruim porque fazia coisas “erradas”, o que vai ajudando a mente da pessoa a criar uma ilusão de realmente aquilo aconteceu.

Além disso, você deve saber que se o hipnoterapeuta dá uma ordem direta como “agora, quando eu estalo os dedos, você está no momento do estupro”, fatalmente isso acontecerá em estado de hipnose, porque as sugestões são muito mais aceitas pelo subconsciente. Uma sugestão direta (e errada) como essa só criará imagens que geram dor.

Eu já tive clientes que me procuraram para se livrar da dor de um estupro, o que parece ser diferente do alerta que acabei de dar. Porém, igualmente não farei isso, porque nem sempre a dor ou sofrimento atual de uma pessoa é decorrente daquele estupro em si, mas de outros eventos que foram sendo criados, repetidos e reforçados ao longo do tempo – e que nomeio como Linhas de Aprendizado. Esse é um padrão desenvolvido pelo subconsciente com o objetivo de economizar energia reproduzindo continuamente experiências já validadas.

Assim, mesmo que a pessoa consciente saiba ou não do estupro, sempre procurarei trabalhar com a emoção mais dolorosa e negativa do momento presente da pessoa, para que não haja interferências racionais ou criação de memórias falsas na mente dela.

mulher se abraçando buscando se confortar

Fonte: Anemone123 / Pixabay

Regressão em casos de estupro

Caso a pessoa regrida a um momento onde começa a dizer que algo ruim está acontecendo, NÃO PRESSUPONHA! Já tive casos onde a pessoa “achava” que havia sido abusada pelo pai, quando na verdade o pai apenas a segurou pela virilha quando era uma criança para não cair no chão.

Acontece que aquela sensação de desconforto ficou no subconsciente e, graças à interferência da mãe da garota, que ficava falando de como o pai era uma pessoa ruim e perigosa, a mente criou uma falsa ideia de que aquele momento foi um abuso, e portanto, criou uma realidade para justificar aquilo.

Ao chegar em um evento “estranho”, mantenha-se neutro e focado. Faça perguntas abertas e não direcionadas. Por exemplo, se na regressão a pessoa começar a chorar e dizer que está sendo agarrada por um homem desconhecido, não caia no erro de perguntar: “é um estupro?”. Por favor, não faça isso! Diretamente, você já está sugestionando isso. Apenas mantenha-se neutro e pergunte “o que está acontecendo? Quem é este homem? O que você sente?”

Tais perguntas permitirão que o hipnoterapeuta tenha uma visão melhor da cena e, caso realmente esteja acontecendo um estupro, obviamente não será nada bom deixar a pessoa passar por tudo aquilo de novo. Apenas retire-a da cena e faça o procedimento terapêutico adequado.

Se você é hipnoterapeuta e não conhece o procedimento terapêutico a ser utilizado em uma regressão, recomendo as formações da OMNI Brasil.

É claro, o hipnoterapeuta qualificado não apagará aquela cena e nem irá abafar colocando-a num “cofre” ou “gaveta” da mente. Pelo contrário, ele ajudará o subconsciente em um processo que chamo de Reeducação do Sistema, aliviando aquela dor, despejando a raiva e, inclusive, perdoando o agressor e a si mesma.

Sim, isso mesmo! Em hipnose é possível perdoar, porque o verdadeiro perdão é emocional, não racional. Uma pessoa em hipnose está profundamente emocional e dali advém um poder incrível de transformação pessoal.

Assim que a pessoa emerge da hipnose, aquela velha emoção que a fez sofrer por tantos e tantos anos não está mais ali, e uma nova programação do subconsciente foi feita, o que trará mudanças e benefícios em inúmeras áreas da vida daquela pessoa.

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Hipnoterapeuta OMNI e orgulhoso em fazer parte do seleto grupo de instrutores com certificação internacional. É graduado em Administração Pública e possui pós-graduação em Psicanálise, e é pós-graduando em Neurociência Clínica. Apaixonado pela mente humana, vê em seu trabalho uma maneira de contribuir para um mundo melhor.

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