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Dor: como controlar utilizando a hipnose

Quase todo mundo pode afirmar que já sentiu algum tipo de dor, com exceção das pessoas que são portadoras de insensibilidade, também chamada de analgesia congênita. Você saberia explicar o que é a dor? Aquela que você pode sentir por quebrar uma perna ou queimar um dedo, é a mesma dor que se sente ao perder alguém que se ama, seja por fim de relacionamento ou por morte?

A princípio, a dor pode ser definida como uma sensação penosa, desagradável, produzida pela excitação de terminações nervosas sensíveis a esses estímulos e, classificadas de acordo como o seu lugar, tipo, intensidade, difusão e caráter. Mas também pode ser mágoa originada por desgostos do espírito ou do coração, sentimento causado por decepção, sofrimento, morte de ente querido, entre outros.

mulher olhando para cima

Fonte: Pixabay

A hipnose no tratamento da dor

Seja qual for a origem da dor, a hipnose pode auxiliar eficazmente no seu tratamento, seja esquecendo sua memória ou caindo na linha do esquecimento, a partir de sua ressignificação.

A avaliação da dor é uma atividade que faz parte das competências dos profissionais de saúde (médicos e enfermeiros) por ser indispensável à excelência dos cuidados de saúde. Contudo, ainda existe alguma resistência por parte de alguns profissionais (enfermeiros, médicos) a esta mudança.

A dor é um desafio quer para o doente, quer para os profissionais de saúde, principalmente quando se trata de dor crónica. Melzack (1987) refere que a dor é um desafio para o doente, uma vez que se deve encontrar meios médicos, científicos e financeiros para controlar ou prevenir, da melhor forma possível a sua dor.

Inicialmente, vamos dividir a dor em aguda, que se manifesta quando algum tecido está lesionado a menos de seis meses. Normalmente, após sua recuperação, essa sensação simplesmente desaparece.

Já a dor crônica, sua ocorrência existe a mais de seis meses, se divide em maligna (neoplasia, artrose…) e benigna (tratamentos inacabados e mal sucedidos).

A dor é um sintoma, um caminho que significa que algo não está funcionando bem. Quando algum paciente nos procura com queixa de dor, recomendo que vá inicialmente ao médico para uma avaliação cuidadosa e um diagnóstico apropriado para o seu caso requer. Não havendo nenhum achado físico, essa dor poderá ser de cunho emocional, ou seja, ter outro nome. E nestes casos, a hipnose pode ser fundamental no tratamento.

A dor e seus desafios

Na nossa experiência profissional, temos atendido diversas crianças e adolescentes. Em muitos desses casos, seus pais apresentam-se desesperados por não conseguirem entender o que de fato está acontecendo com seus filhos. Muitos pacientes alegam dores de cabeça e mal estar, que são totalmente inexplicáveis pela medicina.

Após uma anamnese minuciosa, um rapport bem sucedido e um pre-talk esclarecedor, iniciamos seu atendimento e logo, logo, descobrimos que esse mal estar ou essa dor realmente tem outro nome. Quando criança, quase sempre os sintomas estão associados aos dias onde ocorrerão as provas, ou por se sentirem intimidados por algum colega de classe (bullying).

Trabalhamos sua autoestima, autoconfiança e as formas apropriadas de enfrentamento. Modelamos seu comportamento, quase sempre é suficiente para reequilibrar seu corpo-mente. Para essas crianças a dor é real, elas não conseguem relacionar sua dor como consequência do medo que sente, seja de ser avaliada nas provas ou intimidada por algum colega de classe.

Quando a pessoa está em estado ampliado da consciência, ou seja, hipnotizada, ela fica tão focada, concentrada e relaxada, que o cérebro impede a percepção da dor, devido à liberação de hormônios como serotonina e beta endorfinas.

Estes, por possuírem propriedades analgésicas, inibem a ação do cortisol (hormônio do estresse). Este hormônio é produzido em abundância sempre que ocorre algum processo doloroso.

Quando algo ocorre e lesa ou traumatiza alguma parte do corpo, os nociceptores são ativados e enviam essa sensação à medula espinhal. De lá, os neurônios levam essa informação até o cérebro, que é o responsável por perceber e reconhecer a dor.

Este estímulo doloroso poderá ter sua percepção ampliada, caso ocorra associação ou generalização a memórias emocionais experienciadas anteriormente (lembranças negativas), dando assim a impressão de ser mais grave. Para casos de dores de cabeça aguda, a indução hypnoflash do Mestre Michael Arruda, tem demonstrado muito eficácia.

Já no caso da fibromialgia, ela tem como comorbidade a depressão. Neste caso, inicia-se o trabalho com foco na depressão, para que a pessoa se sinta mais leve. Posteriormente, trabalhamos as dores, que se manifestam em várias partes do corpo, botando para fora o que sufoca e está retido dentro do corpo. Normalmente, isso é mais comum surgir nas mulheres.

Já para casos de extração dentária, canal ou fibromialgia, o coma hipnótico (Estado Esdaile) é a técnica indicada, porque remove temporariamente a memória de desconforto físico, também conhecida por dor.

Eu, por exemplo, tive uma torcicolo grave que me deixou com o pescoço totalmente rígido, eu só podia olhar para frente, não conseguia fazer movimento nenhum. Fui levado ao hospital e fui atendido por um Ortopedista e uma Fisioterapeuta, porém observei um paciente com crise renal aguda. Percebi que ele sentia tanta dor, que socava a parede, mesmo já estando medicado com morfina.

Pensei: “tenho que fazer algo para ajudá-lo” e disse que era Psicólogo e Hipnoterapeuta. Ofereci ajuda explicando que, possivelmente, sua dor seria reduzida. Então lhe perguntei: “Você quer ser hipnotizado, quer que esta dor seja reduzida?”

E como eu imaginei, sua resposta foi: “sim claro que quero”. Calibrei sua dor reavaliando-a numa escala de 0 à 10, em seguida, estendi minha mão como se fosse apertar a dele e, fiz a indução Handshake (aperto de mão de Richard Bandler).

Aprofundei e estabilizei o transe hipnótico. Usei a metáfora que, em nosso cérebro, existe um compartimento especial chamado de “sala de controle”, que podemos regular esses controles para mais ou menos e, assim, restabelecer o equilíbrio interno.

Aquela dor avaliada em 10 (dez) foi reduzida para 1 (um) e, como sugestão pós-hipnótico, disse-lhe: “a medicação que lhe for prescrita, siga de acordo com a orientação até o final do tratamento, pois assim dará certo”. E parafraseei o Fernando Sabino: “No fim tudo dá certo. Se ainda não deu certo, é porque não chegou no fim”.

Apesar do cérebro ser o órgão que percebe a dor, ele é incapaz de senti-la por não possuir receptores próprios da dor. Algumas pessoas que se sentem carentes, por exemplo, podem ter a impressão (ou até a certeza) que, ao falarem que estão sentindo dor, conseguem a atenção dos seus familiares e amigos.

Na verdade, essas pessoas estão usando a dor para obterem um ganho secundário, que é a atenção e, assim, suprir sua real necessidade da carência.

homem com a mão na cabeça triste

Fonte: geralt / Pixabay

Dor: membro fantasma

De acordo com Rohlfs e Zazá (2000), o membro fantasma é a experiência de possuir um membro ausente que se comporta como um membro real. A pessoa tem a sensação da presença do membro ou do órgão após a sua amputação que, muitas vezes, vem associada à dor que varia em intensidade, tipo e duração.

Esta é uma queixa que tem surgido com certa frequência no nosso consultório. Trata-se de paciente que teve algum membro amputado, geralmente derivados de acidentes de carro e principalmente motocicletas.

A lembrança do ocorrido é bem forte e traz sequelas emocionais, principalmente o medo de voltar a conduzi-los, dor e/ou sua readaptação no uso de prótese.

Esse tipo de dor é denominada de dor no membro fantasma, apesar dessa parte do corpo ter sido removida (amputada), a pessoa tem a impressão que ela ainda está lá presente. Uma analogia interessante ocorre com muita gente, talvez até com você, que agora está lendo esta matéria.

Imagine que algum móvel da sua casa como, um armário ou fogão, é colocado em outro local e, quando você percebe, está lá naquele local onde o móvel estava, com o objetivo de pegar algo.

É assim que também ocorre com o membro fantasma. A pessoa sente a presença dele e principalmente dores naquele local que não existe mais, além de calor, descarga elétrica, e formigamento.

É bem possível que haja fortes dores, até mesmo antes de amputá-lo. Essa memória fica registrada no subconsciente, e pode ser ativada sempre que algum gatilho for acionado.

A dor ocorre, principalmente, quando se está estressado. A hipnose, através do transe sonambúlico, proporciona uma tranquilidade, paz e relaxamento inigualáveis, tudo o que a pessoa precisa. O relaxamento é importante principalmente porque, segundo estudos com eletromiografia, há indícios que os principais músculos do coto ficam tensos antes do surgimento de dor ou câimbra, e permanecem tensos por todo o episódio doloroso.

Através da hipnose e auto-hipnose, o paciente aprende a relaxar seu corpo e mente, inclusive, especificamente, próximo a região amputada.

Dentre as técnicas hipnóticas, podemos utilizar a partir do transe hipnótico nível sonambúlico:

Ressignificação do Evento Causador Inicial – ECI (cena do acidente)

Estado Esdaile (coma hipnótico) – Ocorre principalmente no início do tratamento. Essa indução remove toda a sensação de dor que o paciente esteja sentindo.

Luva Hipnótica – A mão do paciente fica anestesiada e ele aprende que ao passá-la em locais doloridos, essa dor diminui significativamente ou é removida temporariamente.

Sala de Controle ou Comando – O paciente aprende, ao imaginar uma sala com vários controles e interruptores, que pode desativar alguns estímulos. Normalmente eles fazem isso com os que ativam as memórias desagradáveis, como as dores sentidas no momento em que o membro que foi amputado.

Imagéticas – Acontece quando o paciente descreve sua dor e, após isso, ela é transformada em algo tolerável por ele, como, por exemplo, a sensação de fogo e explosão, que poderá ser enfrentada com lança água ou abafamento por um jarro ou pote. Sensação de corte ou raspagem da carne, e também de formigamento.

O que os olhos não conseguem enxergar, o cérebro sente. Obviamente a dor é um indicativo que seu funcionamento interno está em desequilíbrio homeostático. Somos da opinião que ela não deve ser removida totalmente nos casos de dor crônica, que após sua calibragem numa escala de 0 à 10, será reduzida para 2 ou 1.

Com isso, a pessoa se distrai e o tratamento evolui de forma mais relaxada. No caso de ser retirada totalmente, o paciente pode perder a noção de evolução negativa, talvez até abandone a medicação em uso, o que pode resultar numa catástrofe. Recomendo a leitura do livro: Imagens Que Curam, de Gerald Epstein. Ele pode colaborar no manejo e redução da dor.

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Psicólogo, com diversas especializações nas áreas da Psicologia Organizacional e Clínica, é hipnoterapeuta com vários cursos nacionais e internacionais, dentre eles destacamos o da OMNI Hypnosis Training Center em: Hipnoterapia, HypnoSport e HypnoPerform. Atualmente é psicólogo da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba – CAGEPA, e também atua como psicólogo clínico e hipnoterapeuta na cidade de João Pessoa – PB. É atualmente Secretário da Sociedade Paraibana de Hipnose e Sofrologia.

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