Junte-se ao grupo de assinantes e receba dicas, e-books e artigos do HypnoPlace.



Desvendando crimes com a hipnose

A hipnose enquanto técnica utilizada para a melhoria do bem-estar e da vida do ser humano, deriva desde a criação da humanidade. Naquela época, de acordo com a bíblia em seu livro de Gênesis, Deus criou o mundo em seis dias: “a luz; o céu; a terra seca e vegetação; sol, lua, estrelas; animais aquáticos e aves; animais terrestres e o ser humano e, no sétimo descansou”. Gênesis 2:2-3

Apesar desse seu trabalho árduo o homem criado (Adão), sofria do que hoje chamamos de solidão. “Então o Senhor Deus fez cair um sono profundo sobre Adão. Quando este adormeceu, tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com a carne”. Gênesis 2:21.

Dessa forma pode-se concluir que o primeiro hipnotista e/ou hipnoterapeuta foi Deus.

Mistérios e Mitos

O hipnotismo é uma ciência fascinante. Aos olhos da grande maioria, o hipnotista ainda se apresenta como o homem que faz dormir e que impõe a sua vontade à vontade dos outros. É o homem que tem força. E uma força toda especial, universalmente ambicionada.  Karl Weissmann

Apesar da hipnose ser extremamente antiga, ao longo dos anos se pensou que a pessoa detentora do seu conhecimento era capaz de ter grande influência sobre a vida daquele que está hipnotizado, dentre os diversos mitos, temos as seguintes dúvidas:

  1. A hipnose é causada pelo poder do hipnotizador?
  2. Quem pode ser hipnotizado?
  3. O hipnotizador controla a vontade do hipnotizado?
  4. A hipnose pode causar algum mal à saúde?
  5. Pode-se tornar dependente de hipnose?
  6. A pessoa pode não voltar do transe?
  7. O sono é hipnose?
  8. A pessoa hipnotizada fica inconsciente?
  9. Hipnose é relaxamento?
  10. O hipnotizado revela seus segredos?

Estas dúvidas são apenas frutos dos mitos que rodeiam a hipnose, histórias que têm se repetido ao longo dos tempos como verdadeira, mas que são inverdades ou mentiras repetidas milhares de vezes.

Hoje, principalmente, devido aos esforços do Dave Elman, aquele que foi considerado o hipnotista mais rápido do mundo e também o criador de uma das induções mais eficazes e usadas nos consultórios e que leva seu nome, é a preferida da maior parte dos hipnoterapeutas por possuir testes como: olhos colados, pano molhado e amnésia dos números.

Dura em média três minutos, dando tudo certo, o hipnotizado se encontrará no nível sonambúlico, aquele que é o ideal para se fazer as reprogramações mentais, instalação de novos hábitos e ressignificações. Sabemos que a pessoa para ser hipnotizada precisa não apenas querer, mas permitir e consentir, além de ter uma atitude mental positiva, como: “isso é bom e quero para mim, faz sentido”, e que toda hipnose é uma auto-hipnose.

A hipnose não é uma panaceia universal capaz de resolver todos os tipos de problemas que existam na vida daquele que busca tratar-se com a hipnoterapia, mas uma técnica auxiliar da terapêutica utilizada por odontólogos, médicos, psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros, assim como por milhares de hipnoterapeutas mundo à fora. Sabe-se da sua eficaz capacidade de tratar ansiedade, fobia, pânico, depressão, compulsões etc.

mulher detetive

Fonte: RyanMcGuire / Pixabay

Desvendando crimes com a Hipnose Forense

Ciência Forense é um conjunto de conhecimentos científicos e técnicas utilizados para desvendar não apenas crimes, como também outros assuntos, sejam cíveis, penais ou administrativos. Podemos defini-la como o uso da hipnose como ferramenta complementar e auxiliar para o alcance e desvendamento de crimes a pessoas, pois quase sempre há o tripé: vítima, algoz e testemunha.

Sua utilização se faz indicada quando o caso a ser investigado em que a vítima da violência ou testemunha sofreu e/ou presenciou algum tipo de crime e por algum motivo não está conseguindo se lembrar em detalhes o que aconteceu e nem tão pouco descrever informações cruciais, como placa de carro, descrição do algoz (assaltante ou agressor), para que a polícia possa ter seu entendimento e dessa forma as condições de desvendá-lo, assim ajudar a justiça decisão de pena para o criminoso.

Quase sempre a vítima ou testemunha, quando se apresenta à autoridade policial, vem com sintomas de ansiedade, angústia, depressão e principalmente com indício de traços do Transtorno de Estresse Pós-traumático – TELP, além de outros sintomas como insônia, apatia, desânimo, falta de concentração, hipervigilância, insegurança, tristeza, medo, flashbacks (revivescência) das cenas do crime (de quando a pessoa esteve na cena do crime e que essas informações que ela deveria dar, estão travadas, congeladas ou a pessoa acaba ficando com amnésia parcial durante a oitiva policial).

Poderá ser solicitada pela autoridade policial sua recomendação que se submeta a sessões de Hipnose Forense, para subsidiá-lo das informações como placas de carro e descrição dos traços faciais para a confecção do retrato falado do criminoso.

A Hipnose Forense é geralmente indicada para as vítimas ou testemunhas de assalto, assassinatos e estupros.

Temos dois tipos de memórias formadas a partir da ocorrência traumática:

  • Procedimentais, que são as memórias não declarativas, elas são formadas a partir do momento em que houve o congelamento da vítima durante a situação em que sofreu violência, ocorre que nesse momento não houve a descarga dos resíduos congelados e assim os rastros dessa memória são formados.
  • Declarativa, que são as memórias narrativas e autobiográficas do trauma.

No estresse traumático há uma ameaça real à integridade física da vítima, deixando-a totalmente desamparada, desprotegida e a mercê do seu algoz, levando-a assim a uma resposta de luta ou fuga, que poderá resultar no seu congelamento e amnésia (brando da memória), impossibilitando a pessoa de se lembrar de detalhes esclarecedores da cena do crime.

Sessão de Hipnose Forense

Quando a vítima é encaminhada pela autoridade policial para se submeter a Hipnose Forense, o Hipnoterapeuta fará o rapport e o pre-talk, logo após iniciará o procedimento com a indução que mais lhe for familiar e apropriada, sempre levando em consideração o perfil de suscetibilidade do hipnotizado e o objetivo a ser alcançado.

Após colocá-lo no transe hipnótico sonambúlico, fará sua regressão ao momento em que sofreu a violência e a instalação do trauma, e através da hipermnésia o hipnotista acessará os rastros das suas memorias procedimentais, desfazendo seu congelamento e acessando-a na sua integridade.

Dessa forma, poderá adquirir informações cruciais e necessárias como placa de carros, letras ou números totais e/ou parciais, traços fisionômicos faciais capazes da formação do retrato falado do criminoso.

A Hipnose Forense ainda não é reconhecida como prova pela justiça brasileira para ficar desvendando crimes, mas a partir da identificação do criminoso, a polícia o localiza e quase sempre ele está associado a outros crimes, sendo retirado de circulação e convívio com o cidadão de bem e a sociedade em geral.

Aqui no Brasil o pioneiro com a Hipnose Forense foi o curitibano médico psiquiatra, psicólogo e hipnoterapeuta Dr. Rui Fernando Cruz Sampaio, fundador do Laboratório de Hipnose Forense do Instituto de Criminalística do Paraná, que faleceu aos 63 anos, no dia 24/02/2018.

Então, se gostou do artigo, compartilhe com seus amigos e familiares. Até o próximo!

 

Psicólogo, com diversas especializações nas áreas da Psicologia Organizacional e Clínica, é hipnoterapeuta com vários cursos nacionais e internacionais, dentre eles destacamos o da OMNI Hypnosis Training Center em: Hipnoterapia, HypnoSport e HypnoPerform. Atualmente é psicólogo da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba – CAGEPA, e também atua como psicólogo clínico e hipnoterapeuta na cidade de João Pessoa – PB. É atualmente Secretário da Sociedade Paraibana de Hipnose e Sofrologia.

X