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Déficit de atenção: como a hipnose pode ajudar seu filho 

Imagine uma criança de seis anos que traz, em sua bagagem emocional, o peso de uma tonelada de rejeição. Não se sente plenamente acolhida na família e escola. Tem o olhar perdido, triste e na maior parte do tempo, é muito inquieta.

Você já conheceu algum menino ou menina com déficit de atenção? Já olhou nos olhos dele ou dela e viu desamparo? É de cortar o coração. A boa notícia é que há excelentes opções de terapia para ajudar os pequenos diagnosticados com esse problema e, nesse cenário, a hipnose clínica vem ganhando espaço em relação as outras técnicas.

O chamado Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA), é um transtorno neurobiológico identificado na infância. Os principais sintomas associados são desatenção, inquietude e impulsividade. Pontos que podem atrapalhar os relacionamentos e a vida profissional no futuro. 

Segundo informações da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), entre 3% e 5% das crianças são diagnosticadas com o transtorno, de acordo com dados globais. 

Com muita frequência, os médicos recomendam o uso de remédios. Duro ver uma criança de seis anos tomando medicamentos controlados? Sim. Mas como julgar uma mãe que tomou essa decisão depois de ver o filho ser rejeitado por anos pelos colegas de escola por ter o comportamento que tem? Que nunca dormiu direito e simplesmente não consegue parar quieto? 

Impossível condenar. Hipnoterapeutas, inclusive, não podem incentivar ou proibir o uso de medicação de qualquer tipo. Disso a medicina se encarrega. A gente cuida é da mente subconsciente das pessoas, da programação mental que, uma vez instalada, pode afetar comportamentos por uma vida inteira e multiplicar crenças limitantes. 

A beleza do nosso trabalho está em proporcionar bem-estar. O resto é consequência. 

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Déficit de atenção e autoestima

Não à toa, a primeira coisa a fazer na hora de tratar o déficit de atenção de uma criança por meio da hipnoterapia é trabalhar a autoestima. As técnicas para isso são as mais variadas. Para uma menina que se sente menos interessante que as outras do seu grupo, que sempre foi considerada a prima chata nas reuniões familiares, o simples ato de pegar um espelho nas mãos e olhar para si com atenção por alguns segundos é transformador. 

São ações que fazem toda a diferença. Olhar para um espelho e descobrir a própria beleza, tirar de si a raiva usando um “aspirador de pó mágico” (que na verdade é um simples aspirador de brinquedo), ter a oportunidade de falar, falar e falar.

Impressiona como as crianças se abrem quando sentem confiança. Quando ouvem de um adulto que tudo bem ser diferente, que o mundo seria um lugar muito chato se todos fôssemos iguais. De fato é um trabalho de reforço de confiança que se estende para toda a família. 

Atender uma criança, aliás, seja qual for a demanda, é atender, por tabela, quem estiver no seu entorno. É estar disponível e orientar pais e mães sobre como agir com o filho para que as mudanças sejam efetivas. De nada adianta fazer um trabalho incrível com o seu cliente mirim se, em casa, tudo permanecer o mesmo. É preciso deixar isso bem claro. 

E por falar em pais, esses também precisam ouvir que o seu filho é perfeito, mesmo tendo TDAH. Se a sociedade não está preparada para lidar com o problema do déficit de atenção, esse é um debate coletivo, que vai além da casa, da individualidade, dizendo respeito a todos. O sistema educacional, por exemplo, também tem de se adaptar, estar preparado para acolher crianças de todos os perfis. Se isso não acontece, que seja revisto o sistema então. 

Esse conceito de suporte familiar, de destacar para a criança que ela tem raízes sólidas, também ajuda no tratamento. Vale a pena conduzir o cliente para um lugar de paz, dentro de si, onde estão, ao seu lado, as pessoas que ele mais ama na vida. Um local para onde ela ou ele sempre poderá voltar e assim se sentir melhor. 

Siga aquela flor 

Preparada a base do amor-próprio, entram em cena técnicas específicas para auxiliar os pequenos a entenderem como eles são. E nesse momento são oferecidas ferramentas que os ajudam a lidar com isso. A hipnose clínica, sabemos, é uma das terapias de autoconhecimento mais poderosas que existem, vai fundo dentro de cada um de nós, aponta as causas dos nossos problemas e dá a eles um novo significado. Hipnoterapia liberta

Sempre com foco no uso de recursos lúdicos para encantar e trabalhar o déficit de atenção dos clientes, podem ser usadas as mais variadas atividades durante as sessões de terapia. 

Um binóculo, por exemplo, pode ser usado para ajudar a menina ou o menino a entender o que é foco. Usar a figura de uma colmeia para explicar que a mente de quem foi diagnosticado com TDAH está sempre em plena atividade também ajuda a entender a questão e, em conjunto, são ensinados “truques” para fazer essa colmeia relaxar. 

Uma dica boa para ser usada na escola é explicar que o professor ocupa um papel semelhante ao da flor mais bonita e poderosa de um jardim. Uma flor que a criança deve seguir com seu olhar. Vai ajudar muito na concentração. 

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Imaginação e carinho

A melhor parte de atender crianças, sejam aquelas que sofrem com déficit de atenção ou com qualquer outro problema, é ser livre para, conhecendo a técnica e os princípios da hipnose clínica, trabalhar com imaginação e carinho. 

Modelos gerais, desenvolvidos a partir de testes e estudos, serão sempre bem-vindos, claro. Mas cada criança é única e deve ser atendida de modo personalizado, pensado de acordo com as suas questões, com a sua individualidade e com as características de sua família. 

O contato com os pequenos e o acompanhamento de sua evolução são os melhores guias de um hipnoterapeuta que decide trabalhar com esse público. 

A maior recompensa? A carinha sorridente que a gente vê quando ganha aquele abraço apertado, na hora da despedida. Como crianças costumam ser autênticas e verdadeiras, ter o reconhecimento explícito delas nesse momento enche o coração de qualquer profissional. Ao final, ficamos tão gratos quanto os pequenos clientes pela oportunidade de usar nossa técnica para ajudá-los em seu desenvolvimento e no ganho de qualidade de vida.   

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Hipnoterapeuta OMNI e jornalista. É especialista em hipnoterapia para crianças (Hypnokids) e mulheres. Também é mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Defensora dos direitos da mulher, tem orgulho de ser uma das sócias da Fênix Hipnose Clínica, ajudando a combater desigualdades e fazendo do mundo um lugar melhor para nós todos.

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