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Cultura do estupro: como a hipnose pode ajudar as vítimas

O assédio é, infelizmente, mais comum do que se pensa. Muitas pessoas são vítimas da cultura do estupro diariamente, e os abusos podem ocorrer na rua, no transporte público, na escola, no trabalho, na casa de vizinhos e até mesmo dentro da sua própria casa.

Falar sobre a cultura do estupro hoje é essencial, já que é um assunto que está muito presente e sendo constantemente abordado nas mídias, ruas, em manifestações populares, e até nas conversas cotidianas.

Mas o que é cultura do estupro?

Cultura do estupro fala sobre como a sociedade responsabiliza as vítimas de assédio sexual e como esse assédio contra as mulheres é normalizado nos meios de comunicação e na cultura popular.

Esse termo começou a ser utilizado nos anos 1970, para divulgar comportamentos sutis ou explícitos que silenciam ou relativizam a violência sexual contra a mulher.

Imagine o seguinte: quando você ouve de um conhecido ou até de um desconhecido que alguém foi assaltado, o primeiro pensamento que passa na sua cabeça é culpar a vítima? Ou quando um amigo conta que foi roubado, você iria imediatamente pensar que ele está mentindo?

Provavelmente você responderia não as perguntas acima. Então por que as pessoas, ao ficarem sabendo de um caso de abuso, o primeiro pensamento que se passa em suas cabeças é o de se perguntar, se a vítima está realmente falando a verdade? Ou querer saber a roupa que a mulher estava usando, se tinha bebido, se estava na rua de noite, se foi consensual, como se isso justificasse o estupro.

E a resposta é simples: isso acontece por causa da cultura do estupro, que está extremamente enraizada na nossa sociedade. E, por conta dessa cultura, da vergonha em se expor, pelo medo de julgamentos, de ver sua honestidade sendo questionada, do sentimento de culpa, que apenas 8% dos casos de estupro são denunciados no Brasil, como mostra a Pesquisa realizada pelo Ministério da Justiça.

Ouvir casos de estupro tornou-se algo habitual que passou a ser aceito e tolerado. Segundo a pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 26% dos entrevistados acreditam que uma mulher usando roupa que revele o corpo merece ser atacada.

E é necessário que fique claro: nenhuma mulher merece ser estuprada. Cada mulher é a dona do seu corpo e a única que pode dele dispor como bem quiser. NÃO quer dizer NÃO. E esses são pressupostos básicos para que a cultura do estrupo pare de ser naturalizada no nosso cotidiano.

cultura do estupro mulheres conversando

Cultura do estupro e a compreensão do que é o assédio sexual

Vamos deixa algo bem claro: tudo o que possa ser encarado como comportamento sexual inaceitável é classificado como assédio sexual. Mas como identificar esse tipo de comportamento que sustenta a cultura do estupro tão fortemente?

Se uma mulher fosse abusada por um homem estranho numa rua á noite, ela provavelmente reconheceria aquilo como estupro. Mas, quando o abusador é um conhecido próximo, identificar isso fica confuso para a maioria das pessoas. Atitudes descritas abaixo são consideradas como assédio sexual:

  • Conversar ou contar piadas com caráter obsceno e sexual;
  • Compartilhar ou mostrar imagens ou desenhos de conotação sexual;
  • Enviar cartas, e-mails, mensagem ou fazer ligações telefônicas de natureza sexual;
  • Avaliar uma pessoa unicamente pelos seus atributos físicos;
  • Fazer comentários sexuais sobre a forma de se vestir ou se apresentar;
  • Assobiar ou fazer sons inapropriados em público;
  • Fazer gestos ou emitir sons de natureza sexual;
  • Fazer ameaças diretas ou indiretas com o objetivo de conseguir favores sexuais;
  • Convidar uma pessoa repetidamente para manter relações sexuais ou para saídas;
  • Insultar ou dizer palavrões;
  • Olhar de forma ofensiva;
  • Levantar questões inapropriadas sobre a vida sexual de alguém;
  • Abraçar, tocar, beijar ou encostar em uma pessoa sem permissão;
  • Seguir uma pessoa ou tentar controlá-la;
  • Tocar uma pessoa para que outros vejam;
  • Molestar com palavras ou gestos;
  • Atacar sexualmente.

Uma das primeiras reações das vítimas é a negação (“eu não fui estuprada“), depois os questionamento (será que isso é um estupro?) e a culpa. Isso acontece justamento por causa da cultura do estupro, tão enraizada em todos nós.

Além do trauma do que aconteceu com essa vítima, há a maneira como se interpreta e se pune pela forma como ela reagiu à situação.

Como a cultura do estupro pode mascarar o agressor

As pessoas acreditam que o abusador será um desconhecido. Mas é justamente o contrário, na grande maioria dos casos são pessoas conhecidas. E, em muitos casos, o estuprador está próximo da vítima. É um pai, um avô, um irmão, um marido, um vizinho, um tio, namorado, amigo…

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos uma em cada cinco mulheres já foi vítima de estupro e mais da metade delas conhecia o agressor. Além disso, um levantamento realizado pelo IPEA aponta que 24,1% dos agressores das crianças são os próprios pais ou padrastos, e 32,2% são amigos ou conhecidos da vítima.

cultura do estupro mulher triste com problemas

Cultura do estupro e o papel da hipnoterapia no tratamento das vítimas

Segundo dados do 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 60.018 casos de estupro em 2017, o que corresponde a uma média de 164 por dia, ou um a cada 10 minutos.  Considerando que a minoria das pessoas denunciam, o número é, infelizmente, muito maior.

Outro ponto a se levantar é o quão traumático vivenciar esse tipo de experiência pode ser, e o quanto ser vítima de assédio sexual ou estupro pode transformar uma pessoa, fazendo com que ela desenvolva medos e ansiedades que antes não existiam. Poucas pessoas sabem disso, mas a hipnose pode proporcionar grandes melhoras no tratamento dessas vítimas de abuso e violência sexual.

Agora quero que conheça a história da Roxane Gay, que escreveu em seu livro Fome, Memórias do meu Corpo, sobre como, após sofrer um abuso sexual coletivo passou a utilizar seu próprio corpo como uma proteção.

Ela sabia que não teria capacidade de suportar outro estupro como aquele e, com medo de que isso acontece novamente, ela começou a comer compulsivamente. Quanto mais comia, mais segura se sentia. Assim como tantas vítimas, ela sentiu culpa e vergonha. Além de engordar, cortou os cabelos e usava roupas masculinas, para proteger seu corpo de novos abusos. Acreditava que assim afastaria olhares alheios e conseguiria manter os homens longe. Ela chegou a pesar 261 quilos.

Roxane fala em seu livro como conseguiu parar de se odiar, porque aprendeu que aquilo não foi sua culpa. Ela aprendeu a se amar da forma como ela é. A comida não controla mais a sua vida. Hoje é sua mente quem a guia.

Claro que não podemos generalizar, mas já tive casos de mulheres que passaram por tentativas de assédio e abuso sexual e que também desenvolveram compulsão alimentar como Roxane. Isso ocorre porque, a nossa mente possui a função de autopreservação, e ao passar por uma situação de perigo, ela quer nos proteger.

Para algumas pessoas, a mente pode “protegê-la” através de uma compulsão, pois vai acreditar que comendo em excesso e se tornando “menos atraente”, irá conseguir se manter mais segura e longe do perigo de ser assediada novamente.

Ao utilizarmos a hipnose, é possível desvincularmos a experiência traumática e emoções negativas limitantes, que a aprisionam. É possível levar a pessoa a perdoar a si mesma, e ao abusador, porque o verdadeiro perdão é emocional, não racional.

Perdoar não é concordar com o que aconteceu, mas se libertar e viver sem esse peso. A pessoa não esquece o que aconteceu, mas aquelas emoções que carregou, que a faziam sofrer não permanecem mais, pois uma nova programação da mente subconsciente foi feita e trará mudanças e benefícios na vida daquela pessoa.

Se passou por um abuso, e está carregada de emoções negativas. Primeiramente não se culpe pelo que aconteceu. Cuide e olhe para si com carinho, gentileza e respeito, pois você não precisa mais se punir pelo que aconteceu. Se perdoe e aprenda a se amar. Para te ajudar nesse caminho, procure ajuda profissional, pois é possível se libertar desse peso, e o primeiro passo é querer. Queira, pois você merece e é digna de ser amada e ser feliz.

Hipnoterapeuta pela OMNI Hypnosis Training Center.  Membro da National Guild of Hypnotists – NGH, especialista em Hipnose para Crianças – HypnoKids. Como hipnoterapeuta vem atuando com adultos e crianças, ajudando-os a melhorarem sua autoestima, serem mais confiantes e a despertarem o potencial que há dentro de cada um, de forma rápida e duradoura.

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