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Crianças viciadas em tecnologia: como a hipnose pode ajudar

Imagine a cena. Você está em um restaurante, é almoço de domingo… Olhe ao redor e, provavelmente, vai ser difícil encontrar uma mesa em que a cena não se repita: enquanto os pais conversam, os filhos não desgrudam os olhos da telinha e passam o tempo todo entretidos com algum desenho ou jogo no celular. Isso quando todos à mesa não estão distraídos do mesmo modo, cada um no seu mundo. O interessante é notar que esse recurso, que, sim, é um respiro na rotina puxada com os menorzinhos, convenhamos, também é usado com os maiores, que em tese seriam capazes de ficar sentados até o final da refeição, batendo papo também. Ninguém discute: há cada vez mais crianças viciadas em tecnologia por aí. O que nem todas as famílias sabem é que a hipnose clínica tem excelentes técnicas para libertar nossos meninos e meninas dessa prisão. 

O problema é tão real que a Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu classificar o vício em videogames como um distúrbio de saúde mental em 2018. O objetivo é ajudar a preparar melhor os sistemas de saúde dos países para lidar com o problema. 

As crianças viciadas em tecnologia normalmente começam a grudar os olhos em telas desde cedo. São celulares, tablets, televisores sempre a postos para conter os pequeninos. Sim, conter, afinal, acalmar esses recursos não acalmam, só fazem com que os bebês fiquem ainda mais pilhados quando os pais e cuidadores desligam os aparelhos. O efeito zumbi é só durante o uso, vale lembrar. Ou você nunca ouviu falar de bebês com menos de um ano que berram quando os seus cuidadores os tiram de perto da TV, de tão acostumados que estão com a prática? 

criança encantada com o mundo tecnológico

Fonte: Pixabay

Acesso controlado conforme a idade 

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, é preciso dosar o acesso aos eletrônicos conforme a idade. Antes dos dois anos, é fundamental que haja interação social para que sejam estimuladas as habilidades cognitivas, motoras, de linguagem e socioemocionais. Depois, é possível começar a ver filmes e vídeos. Mas isso, claro, com moderação, seguindo a lógica de, no máximo, uma hora contínua de TV ou tablet. Dos 6 aos 12 anos, é possível esticar esse limite para duas horas diárias de conexão somados todos os tipos de telas. 

Com esses cuidados, seria possível reduzir o número de crianças viciadas em tecnologia. E, claro, evitar problemas futuros como o desenvolvimento de quadros de ansiedade e depressão. 

A hipnoterapia como tratamento das Crianças viciadas em tecnologia

Se na sua casa esse trabalho de prevenção, digamos assim, não pôde ser feito, sai  ba que a hipnoterapia pode auxiliar o seu filho. São muitas as técnicas possíveis para ajudar crianças viciadas em tecnologia. O objetivo é sempre mostrar que a vida, claro, é maravilhosa fora dos domínios da internet e da televisão. E o que a criança ou adolescente perde ao se enfiar no mundo virtual muitas horas por dia. 

Uma das que eu mais gosto é conduzir o cliente mirim a se ver num carrossel (desses de parque de diversões mesmo) girando muitas vezes, por muito tempo, sem sair do lugar. Enquanto isso acontece, a vida segue lá fora. Nesse ponto, ele ou ela começará a ver seus amigos crescendo, se divertindo, praticando esportes, fazendo passeios, viajando. Depois, num espaço de tempo maior, de mais anos, apresentado durante o processo terapêutico, esses amigos terão seus trabalhos, suas casas, estarão felizes por atingirem os seus objetivos. Por colherem os frutos após terem se dedicado, vivido, estudado, trabalhado, saído da bolha da internet em nome de outras coisas. 

Enquanto isso, as crianças viciadas em tecnologia seguem ali, girando em círculos. Um reflexão, claro, acompanhada de todo um reforço de autoestima, com a valorização das características pessoais do cliente. 

Como identificar a dependência

Para saber se o seu filho é um viciado em eletrônicos, observe pontos, como: se ele prefere esse tipo de recurso a se comunicar com as outras pessoas, se fica nervoso longe das telas, se deixa de fazer atividades reais para ficar na internet e assim por diante. No caso dos pequeninos, com menos de cinco anos, avalie a reação com o término do tempo do desenho. Pode até ter reclamação e aquele toque especial de birra que a gente conhece bem, mas eles logo devem arrumar alguma outra brincadeira para se distraírem. 

Em entrevista ao blog Ser mãe é padecer na internet, o psicólogo e coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, Cristiano Nabuco, afirmou que os efeitos da dependência de eletrônicos nas pessoas são semelhantes aos observados em viciados em álcool e drogas. “Assim como existe a dependência química, existe também a dependência comportamental. E no uso patológico da internet e do celular, muito embora não exista a ingestão de uma substância externa, os efeitos e dependência observados são muito semelhantes”, afirmou Nabuco na ocasião. 

Dicas para usar em casa

Em casa, no convívio com os filhos, há modos de ajudar a criança a não mergulhar nas telas. Sou mãe de um casal, um menino de quatro anos e uma menina de dois, e sei que não é simples estar o tempo todo à disposição para papos e brincadeiras. 

Do meu lado, tento reduzir o tempo de acesso à TV em uma hora por dia de segunda a sexta, com alguma flexibilidade aos finais de semana. Isso para o mais velho, a pequena geralmente não fica parada assistindo desenho por mais que alguns minutos (exceção para a Galinha Pintadinha). Celulares, só em situações estratégicas, como a hora de cortar as unhas ou quando a pequena faz escândalo no carro porque detesta ficar na cadeirinha (sempre começo o percurso conversando com ela e mostrando o caminho, o telefone é usado somente quando não há mais o que fazer). Tablet, não temos. 

Também converso com eles sobre o tema. Digo que as crianças precisam conversar, brincar, observar o mundo para se desenvolverem. Destaco que a companhia deles é importante. E, lógico, faço o meu esforço pessoal para estar disponível na maior parte do tempo aos sábados e domingos, quando eles têm mais tempo livre. Na semana, a cuidadora deles faz o seu melhor em nome das brincadeiras também. 

Dá trabalho? Muito! Tem um preço? Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim! Mas quem disse que educar filhos é uma tarefa que não demanda esforço dos pais? Onde está escrita essa informação? A estratégia é focar no que dizem os mais velhos: aproveite enquanto dá, passa rápido e, num piscar de olhos, eles já serão adolescentes. 

Faça o seu melhor e tudo vai dar certo no final. Como diria aquela música fofa do Caetano Veloso chamada O seu Amor: “ame-o e deixe-o brincar”. Sejamos felizes! 

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Hipnoterapeuta OMNI e jornalista. É especialista em hipnoterapia para crianças (Hypnokids) e mulheres. Também é mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Defensora dos direitos da mulher, tem orgulho de ser uma das sócias da Fênix Hipnose Clínica, ajudando a combater desigualdades e fazendo do mundo um lugar melhor para nós todos.

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