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Crianças na pandemia: a hipnose acalma seus filhos

A TV está ligada, mas eles nem ficam mais sentados, quietos para assistir o desenho animado favorito. Você ergue os olhos do computador, vê que eles estão brincando juntos, que está tudo sob controle e volta para o que estava fazendo. Dois minutos depois, porém, é hora de pedir para a mais nova parar de pular no sofá e para o mais velho não sair comendo biscoito enquanto anda pela sala, varrida horas antes. Assim tem sido com as crianças na pandemia.

Na sequência, um choro de menina. Está triste porque o irmão disse que ela era a Elsa, de “Frozen”, quando, naquele dia, o que ela queria ser era a Chapeuzinho Vermelho. Hora de deixar o computador de lado de novo.

Pais que estão isolados em casa sabem: as crianças na pandemia do novo coronavírus estão mais demandantes, mais sensíveis. A humanidade inteira está mais vulnerável nesse momento, então, por que seria diferente com eles, que estão em formação e, naturalmente, já precisam mais de apoio? Pois vamos ao que interessa: a hipnose clínica é uma aliada dos pais nesse momento e oferece ferramentas simples que ajudam muito a acalmar.

Sou mãe de um menino de cinco anos, Joaquim, e de uma menina de quase três, Maria Teresa. Portanto, as cenas acima são baseadas em fatos reais de crianças na pandemia. Adoro atender crianças e passei a brincar dizendo que, quando esse turbilhão passar, serei a melhor hipnoterapeuta do Brasil na área, já que agora uso 24 horas ao dia o método Hypnokids, desenvolvido pela suíça Barbara Scholl.

Para começar, destaco que as crianças na pandemia merecem toda a nossa atenção. Não é fácil para elas lidarem com o isolamento, com a ausência da escola e do contato com os amigos e familiares além dos pais. Elas estão inseguras, mesmo que já tenham entendido o que é o coronavírus e o que ele tem causado mundo afora. Os meus nem pedem mais para passear e raramente perguntam pela volta às aulas, mas morrem de saudade de tudo. 

Vira e mexe, chegam a afirmar que “esse corona-bichinho é um idiota”. Apenas concordo, digo que ele é ridículo mesmo e deixo que aliviem a raiva que sentem batendo em qualquer coisa que não quebre, como almofadas, como se estivessem atacando o próprio vírus famigerado. De vez em quando, até ajudo a combater o maldito, me acalmando também.

Muitos pais estão exaustos, aqui em casa estamos também, mas entendo que as nossas crianças na pandemia precisam de todo o suporte para passar por esse período sem grandes traumas. É claro que uma hora a gente vai surtar, gritar e morrer de vontade de sair correndo para qualquer lugar onde exista silêncio. Está tudo dentro do pacote da nossa imperfeição, do fato de que somos falíveis, frágeis. Estamos em constante aprendizado, acertamos e erramos. 

É exatamente isso que eu falo para os meus dois quando me irrito acima da média: “a mamãe nunca quer gritar e fica mal quando isso acontece. Me desculpe pelo grito e faça a sua parte: ouça com atenção sempre que a gente pedir qualquer coisa para você. É conversando que a gente se entende e você sempre pode conversar com os seus pais”. Acredite, isso funciona.

Mulher conversando com as crianças na pandemia

Fonte: Pexels

Crianças na pandemia: use a hipnose com o seu filho

Não faz muito tempo, acompanhei uma live do hipnoterapeuta Rafael Kraisch na qual ele defendia serem os pais os maiores hipnotistas do mundo para os seus filhos. Concordo com ele e busco dar esse suporte emocional para os meus, em casa, e para os meninos e meninas que atendo.

Seja com as crianças na pandemia ou na vida em geral, somos nós que estamos na linha de frente e que, por isso, podemos ajudar os nossos pequenos. E aqui vai uma boa dica: use elementos da hipnose com o seu filho. Isso mesmo, ensine-o a encontrar calma dentro de si mesmo. A partir dos quatro anos, já existe uma concentração mínima para isso, confie.

Como fazer? Vamos lá: coloque algum brinquedo pequeno nas mãos dele. Outra opção é fazer uma carinha feliz num dos dedos. Posicione o bracinho dele esticado, a uma altura acima da cabeça e dê a orientação de ele olhar fixamente para o brinquedo, sem desviar os olhos, até que o objeto (ou o dedinho com a carinha) toque o nariz (é a própria criança quem vai segurar a peça na mão e aproximar do nariz). Quando isso acontecer, explique que ele vai fechar os olhos e começar a andar por uma estrada linda, com as cores do arco-íris, num dia muito bonito, iluminado pelo sol, em direção a um lugar tranquilo, a um parque que é o cantinho da paz dele.

Aí é só dar asas à imaginação e, conforme os gostos e estilos da criança, descrever esse cenário em detalhes como um espaço de calma, para onde ele sempre pode ir quando se sentir triste ou desanimado. Ele mesmo pode utilizar elementos da hipnose sozinho, com o brinquedo na mão ou mesmo só olhando para a ponta de um dos dedos.

Além de ser uma atividade divertida, já deixa neles a noção de que todas as causas e as soluções para os nossos problemas estão dentro de nós.

crianca na pandemia de olhos fechados

Fonte: Pexels

Só fechar os olhos

Seu filho não tem quatro anos ainda? Tente pedir que ele feche os olhos e visualize algo que o acalme na hora do nervoso. Fiz isso com a minha pequena, Maria Teresa, de dois anos e 11 meses, esses dias. Enquanto ela chorava de irritação, a peguei no colo e sugeri que ela fechasse os olhos e visse o mar para se sentir melhor. Deu certo! 

A reação será a mesma sempre? Não. Sabemos que não existem técnicas 100% infalíveis em matéria de educação e comportamento. É tudo tentativa e erro. Porém, fique atento ao seu filho e nunca deixe de tentar, de querer ajudar. Isso faz toda a diferença.

Sleeptalk

Uma orientação simples que eu sempre passo para os pais e cito em meus artigos para as famílias é o sleeptalk. A palavra vem do inglês e significa o hábito de falar para a criança enquanto ela dorme. Consiste em dar sugestões positivas na hora em que os pequenos estão começando a dormir.

Naquele momento em que eles estiverem quase dormindo, começando a fechar os olhos, selecione algumas frases, não muitas, sempre curtas, com afirmações positivas, e repita cada uma cinco vezes. Importante: não use as palavras “não” e “nunca” no sleeptalk, o tom precisa ser leve, para cima.

Faça isso todas as noites e dê sugestões ligadas às demandas de cada criança, ao momento. Exemplo: o Joaquim vai dormir à noite inteira, ter bons sonhos e vai acordar se sentindo muito bem, muito tranquilo. E assim por diante.

Com as crianças na pandemia, ou mesmo fora dela, o resultado costuma ser muito bom. Posso assegurar. 

Força para todos nós e para as nossas crianças nesse momento. Com amor, sensibilidade e paciência, a gente chega lá. Saúde e proteja-se!

Gostou do artigo? Compartilhe com os seus amigos e familiares. Indique para quem você acreditar que a reflexão será útil. Obrigada pela leitura e pela companhia. Até breve, só o melhor para nós! 🙂

Hipnoterapeuta OMNI. É especializada em hipnoterapia para crianças (Hypnokids) e mulheres. Também é mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Defensora dos direitos da mulher, ajuda a promover o bem estar e a combater as desigualdades à frente da sua Isabela Barros Hipnose Clínica.

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