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Controle pediátrico da dor através da hipnose

Gostaria de aliviar a dor dos seus filhos quando eles se machucam? Conhece alguma criança que passa por tratamento médico e quer ajudá-la a sentir menos dor?

Confira no artigo algumas dicas de como a hipnose pode ajudar!

Sobre a dor

Antes de iniciar qualquer processo hipnótico nesse sentido, é importante que tenhamos a compreensão de alguns aspectos sobre a dor.

Primeiramente, precisamos ter consciência de que a experiência da dor é um processo subjetivo, não limitado a lesões físicas.

Crenças baseadas em experiências anteriores afetam a percepção da dor, assim como a sensação de segurança/insegurança e a presença de recursos de cuidado.

Processos de dissociação com relação ao corpo (distrações, pensamentos abstratos, etc) sabidamente geram uma experiência de dor menos intensa.

Embora lesões possam estar presentes, a dor é um processo relacionado ao sistema nervoso, e trabalhar no processamento central é eficaz no controle das sensações. Ainda que um tratamento local seja necessário, é possível trabalhar de maneira separada no processamento da dor.

Outro ponto importante a levar em consideração é a função da dor. Sentimos dor para indicar ao cérebro que existe algum problema naquela área. Ou seja, a dor funciona como um alerta para que possam ser tomadas as decisões necessárias para lidar com o problema. Essa ideia é de extrema importância quando trabalhamos com controle de dor, porque queremos manter essa função de alerta ativa mesmo quando diminuímos a sensação.

pai com a mão do filho tentando controlar sua dor

Fonte: skalekar1992 / Pixabay

Especificidades no trabalho com crianças

Umas das grandes vantagens em se trabalhar com crianças é a facilidade que elas têm em entrar em hipnose.

Jogos de faz de conta, brincadeiras com a imaginação e outras sugestões lúdicas tendem a funcionar melhor do que processos clássicos de indução. Além de estimular o lado da brincadeira e da criação, devemos ser sensíveis aos medos da criança. Pedir que ela feche os olhos, principalmente em um momento de dor, além de desnecessário, pode ser muito ansiogênico.

Engajar a criança nessa brincadeira para indiretamente introduzir a ideia de controle de dor é mais eficaz do que acessar diretamente essas questões. Você pode também se utilizar de elementos de interesse para a criança. Desenhos, personagens, animais de estimação, etc. Tudo o que facilite estabelecer um vínculo e que traga a ideia de conforto.

Devemos também tomar cuidado com nossa linguagem corporal. Expressões de surpresa e tensão são facilmente processadas e influenciam na sensação de dor. Se a criança vê você erguer as sobrancelhas, assustar-se, tensionar os músculos da face, a compreensão de que algo está errado servirá de termômetro para a sensação. Se existe um feedback não-verbal de um adulto com relação à gravidade da situação, a dor pode aumentar. É necessário, portanto, trabalhar seu modo de expressão e acalmar-se antes de realizar qualquer procedimento.

Ainda nesse sentido de preparação ao lidar com crianças, é muito importante assumir uma postura acessível. Falar de maneira simples e compreensível, devagar, pode ajudar a estabelecer uma relação de maior confiança. Agachar-se e colocar-se na altura dos olhos da criança também facilita a interação.

Outro fator ao qual devemos atentar é a presença de ganhos primários ou secundários que possam influenciar no alívio dessas dores. Esses ganhos devem ser entendidos de maneira sistêmica e tratados de maneira integral para que a hipnose tenha efeito.

Por último, mas que talvez seja o ponto mais importante, obtenha consentimento. Peça permissão para ajudar. Pergunte diretamente à criança se você pode ajudá-la a sentir-se melhor e explique o que você vai fazer, validando e reconhecendo o sofrimento dela.

Como medir a dor?

Geralmente utilizamos escalas de dor para verificar a eficácia dos procedimentos de controle em hipnose. Com adultos, uma simples escala numérica é suficiente, mas no controle pediátrico da dor o ideal é utilizar algum elemento gráfico, dependendo da idade.

Os medidores são essenciais para gerar a ideia de antes e depois, e aumentar a sensação de controle e alívio.

Uma escala simples pode ser criada utilizando desenhos de “carinhas” com expressões de felicidade, indiferença e diferentes níveis de tristeza. Caso não seja possível, tente utilizar uma escala de cores. Geralmente o vermelho está culturalmente associado a maior intensidade de dor e o azul ao maior conforto.

Essas escalas podem ser utilizadas para facilitar a comunicação e permitir que a criança peça ajuda quando necessário.

menina dormindo na cama tranquila

Fonte: ddimitrova / Pixabay

Técnicas de controle pediátrico da dor

Bexiga na barriga

Uma das melhores maneiras de lidar com a dor é realizar exercícios de respiração.

Peça para a criança colocar as mãos na barriga e imaginar que tem uma bexiga ou balão lá dentro. Quando ela respirar, imagine que o ar entra pelo seu umbigo e infla a sua barriga e logo depois a bexiga desinfla. E assim por diante.
Esse exercício ajudará na redução da tensão e, portanto, diretamente na sensação de dor.

Lugar seguro

Peça para a criança descrever um lugar agradável e tranquilo, real ou imaginário. Traga a maior quantidade possível de informações fazendo perguntas que estimulem diferentes canais sensoriais.

Como é o lugar, se é de dia, quais são as cores nesse lugar? Quais as texturas no chão? Existe algum cheiro nesse lugar? A temperatura é agradável? Quais os sons que podem ser ouvidos ali?

Uma vez que o lugar tiver sido bem construído, combine algum gesto com a criança para ancorar essa sensação. Estalar os dedos, esfregar as mãos ou qualquer outro gesto confortável.

Cinema

Como as crianças são no geral bastante visuais, peça para que ela imagine um filme com um personagem que a está representando. Indique como o personagem está sentindo algum tipo de desconforto e peça para a criança imaginar um desfecho alternativo para o filme e que faça esse desfecho acontecer. Enquanto a criança imagina e recria as cenas, peça também que ela note como isso a faz sentir.

Cores

Peça para a criança imaginar que a região dolorida tem uma cor. Depois peça que imagine qual cor seria mais confortável e peça para que ela imagine que está pintando a região onde existe desconforto com essa nova cor, percebendo como se sente ao fazê-lo.

Metáforas

Conte uma história para a criança com uma metáfora para seu sofrimento. Ao ouvir na história ou fábula como os personagens resolvem suas dores, a tendência é que a intensidade do sofrimento diminua.

Podem ser histórias fantasiosas ou utilizando o recurso de dizer que aquilo aconteceu com uma outra criança. Dependendo da idade e da disposição da criança em entrar no jogo, a segunda opção (mais a título de exemplo do que de história) pode ser mais eficaz.

Conclusão

Essas são apenas algumas sugestões de como utilizar hipnose para ajudar as crianças a sentirem menos dor. Vale sempre lembrar que de todos os modos é importante sempre buscar auxílio médico.

Se gostou do artigo, compartilhe com seus amigos e familiares. Até breve!

Psicóloga formada pela Universidade de São Paulo e hipnoterapeuta pela OMNI Hypnosis Training Center. Utiliza a hipnose na área clínica, com foco em tratamento de ansiedade. Trabalha também com hipnose experimental e auto-hipnose para desenvolvimento pessoal.

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