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Compulsão alimentar: Tratamento através da hipnose

Todos nós sabemos o quanto é difícil controlar a alimentação. Fazer escolhas alimentares saudáveis exige muita disciplina, mas nem sempre ela é suficiente, especialmente quando se tem um diagnóstico de compulsão alimentar.

Existe um fator interno que nos aproxima ou afasta de escolhas saudáveis, afinal, todos sabemos o que faz bem, mas nem sempre conseguimos optar pelo que é benéfico.

Se a alimentação fosse uma escolha 100% consciente, bastaria querermos nos alimentar bem e seria fácil fazer da decisão uma realidade. A dificuldade reside justamente num fator subconsciente, do qual falarei aqui.

Primeiramente vamos entender o que é a compulsão alimentar.

Compulsão alimentar: Tratamento através da hipnose

Não basta querermos nos alimentar corretamente, existe um fator interno além da disciplina.

O que é compulsão alimentar 

A compulsão alimentar é tida como um transtorno psicológico pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, DSM-5, da Associação Americana de Psiquiatria. É definido pela ingestão de uma quantidade de alimentos maior do que a maioria das pessoas consumiria no mesmo período, em circunstâncias semelhantes.

O consumo excessivo de alimentos é acompanhado por uma sensação de falta de controle, que é identificada pela incapacidade de evitar comer ou de parar de comer.

Em termos gerais, podemos dizer que a compulsão alimentar se caracteriza pela anormalidade na quantidade de alimentos ingeridos, que extrapola as necessidades do organismo, e que o indivíduo não se vê capaz de dosar. Ela não está relacionada a tipos específicos de alimentos, e as preferências podem variar de pessoa para pessoa. Mais relevante do que o conteúdo, nesse caso, é a quantidade, não importando muito o que se come, mas o quanto se come.

Na compulsão alimentar, os episódios ocorrem pelo menos uma vez por semana no período de 3 meses.

Esse distúrbio vem precedido de um sofrimento marcante que leva à compulsão, podendo estar ligado à depressão ou à ansiedade, e também vem seguido de culpa e arrependimento, que ocorrem logo após os episódios.

O transtorno é mais comum na adolescência e na idade adulta, mas também acomete crianças, podendo estar relacionado a fatores hereditários.

A compulsão alimentar pode ser diferenciada por níveis, do leve ao extremo:

  1. leve: 1 a 3 episódios por semana
  2. moderada: 4 a 7 episódios por semana
  3. grave: 8 a 13 por semana
  4. extrema: 14 ou mais por semana

 

Compulsão alimentar: Tratamento através da hipnose

A ingestão de alimentos em exagero e sem controle são características da compulsão alimentar.

Como saber se tenho compulsão alimentar

Comer é um dos grandes prazeres humanos. Sentar em torno de uma mesa farta é ponto de encontro em muitas culturas. As refeições estão ligadas a celebrações, reuniões de família, motivo ou “desculpa” para reunir os amigos, e cada vez aumenta mais o prazer também por cozinhar. Com tanto apelo, fica difícil resistir, o que me faz lembrar da célebre frase de Oscar Wilde, “posso resistir a tudo, menos às tentações.” Mas a paixão por comida é bem diferente da compulsão alimentar.

A compulsão não tem a ver com gostar de comer, com comer bem ou ter bom apetite. Na compulsão há sofrimento envolvido, há fatores emocionais a serem levados a sério.

O normal é a pessoa comer quando está com fome ou para satisfazer um desejo momentâneo, em quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo, sentindo saciedade.

Já a compulsão, extrapola as barreiras da razoabilidade. O indivíduo que desenvolve esse transtorno perde o controle sobre a alimentação e passa a ser controlado por ela. Nesse caso, é como se houvesse um latente vazio, não físico, mas existencial, que precisasse ser constantemente preenchido.

Segundo a American Psychiatric Association, o transtorno da compulsão alimentar, ou food disorder, é caracteriado pelos seguintes aspectos:

  1. comer mais rápido do que o normal
  2. comer até se sentir desconfortável
  3. comer sem ter fome
  4. comer escondido, sentir vergonha por comer
  5. sentir-se culpado ou arrependido após comer

 

Compulsão alimentar: Tratamento através da hipnose

O indivíduo que desenvolve a compulsão alimentar sente-se incapaz de controlar o que come.

A pessoa que desenvolve esse transtorno normalmente tem consciência dele, muito embora algumas vezes coma sem se dar conta. Uma mulher de 36 anos que me procurou objetivando se tratar através da hipnose, relatou muitas vezes comer “cegamente”, dando-se conta da quantidade somente no dia seguinte, quando olhava para a lixeira e via as embalagens que havia descartado. Por mais que se esforçasse, e conseguisse, por muitos dias, controlar o cardápio, tinha “ataques de fúria”, que eram como um vício, e que não tinham relação com a fome, mas com uma outra espécie de impulso, como a busca por prazer ou forma de compensação por algum sentimento guardado.

Compulsão alimentar e obesidade 

Fato curioso é que a compulsão alimentar não necessariamente ocorre em pessoas obesas. Muitos obesos não são diagnosticados compulsivos, são duas coisas distintas. Aliás, chama atenção entre as mulheres que me procuram, o fato de muitas delas se verem mais gordas do que realmente são. Embora compulsivas, percebem-se engordando muito mais do que, de fato, estão. É perceptível em algumas delas a baixa autoestima e a repulsa do próprio corpo.

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, testes laboratoriais apontaram que indivíduos com transtorno alimentar consomem mais calorias e tem mais prejuízo funcional e também mais sofrimento do que obesos sem compulsão alimentar.

O fato é que nem sempre a compulsão alimentar está ligada à obesidade. Nem todos os compulsivos são obesos e nem todos os obesos são compulsivos.

As consequências da compulsão alimentar 

A compulsão alimentar causa prejuízos na qualidade de vida, na saúde, no convívio social, e pode acarretar risco maior de ganho de peso. Ela está relacionada a transtornos bipolares, de ansiedade, depressivos, entre outros.

A pessoa portadora desta patologia normalmente sabe que está ingerindo alimentos sem estar com fome, e muitas vezes também sem vontade, movida por um forte impulso, nem sempre consciente. Elas o fazem em busca de um prazer momentâneo, como se procurassem compensação, ou até mesmo como forma de autopunição por não se sentirem merecedoras de algo, como um corpo bonito ou um bom relacionamento. Após comerem, sentem-se culpadas e arrependidas, e muitas vezes envergonhadas, o que as leva a comer escondido ou a negar o que comeram.

Não raro, essas pessoas se afastam dos relacionamentos sociais e amorosos.

Tudo que gostariam era comer com equilíbrio e sentirem-se leves, física e emocionalmente.

Hipnoterapia para compulsão alimentar 

Compulsão alimentar: Tratamento através da hipnose

A hipnoterapia nos permite identificar o gatilho emocional que impulsiona o comportamento compulsivo.

A hipnose tem se mostrado extremamente eficaz no tratamento da compulsão alimentar, constatando que por trás de escolhas alimentares não saudáveis, há uma busca por preencher uma espécie de vazio existencial. Há um sentimento negativo que impulsiona a pessoa a esse tipo de comportamento.

Como já falamos, todos sabem o que é bom e saudável para o organismo, e se a alimentação fosse uma escolha consciente, bastaria escolher e seguir a risca o cardápio, mas nem sempre isso é possível. Muitas vezes há uma briga entre o que eu devo comer e o que eu quero comer, justamente porque o consciente e subconsciente estão duelando ai!

Ficou claro aqui que a compulsão não advém da fome, mas de um impulso emocional. Sendo assim, a hipnoterapia é um caminho para a investigação e o tratamento dessas emoções reprimidas.

A hipnoterapia nos permite, através da regressão à causa, identificar o gatilho que impulsionou este comportamento, e a partir daí, ressignificá-lo, ou seja, saná-lo lá mesmo no subconsciente.

Uma pessoa compulsiva desenvolve esse transtorno em algum momento da vida, após uma determinada experiência. Acessando a mente subconsciente é possível identificar esse evento e saná-lo na raiz.

O tratamento da compulsão pede a visita a outros profissionais relacionados à área, como psicológos, nutricionistas, endocrinologistas e afins, mas não posso deixar de mencionar que as mulheres que me procuraram com essa queixa relataram já terem buscado todo tipo de ajuda, sem resultados efetivos, e todas elas perceberam consideráveis ganhos com a hipnose, ganhos que vieram logo após a primeira sessão.

Foi o caso de Gabriela Cordioli Coto, 31 anos, que procurou a hipnoterapia em última instância, já que convivia com a compulsão alimentar há quinze anos e havia tentado diversos tipos de tratamento, sem o êxito esperado. Foram anos se sentindo refém da comida, ingerindo quantidades enormes de doces e em constante briga com seu corpo. “Com a hipnose consegui entender o verdadeiro conflito que eu vivia, que tinha na compulsão apenas sua aparência”, avaliou Gabi.

O gatilho da sua compulsão estava ligado a sentimentos de medo, solidão e abandono. A regressão de memória lhe permitiu identificar exatamente quais foram os episódios que criaram esses registros negativos. A partir daí, com técnicas hipnóticas, foi possível trabalhar esses sentimentos.

Desde então, há um ano e quatro meses da terapia, Gabi não teve mais episódios de compulsão, desenvolvendo maior domínio sobre a alimentação e assumindo mais o controle sobre o que come. “Para mim, essa foi uma grande libertação”, concluiu.

Compartilhe este texto com alguém que queira tratar a compulsão alimentar e até o próximo artigo!

 

 

 

 

Hipnoterapeuta OMNI Florianópolis/SC, membro da National Guild of Hypnotists – NGH, especialista em Hipnose para Crianças e Adolescentes – HypnoKids, colunista mensal do portal HypnoPlace. Formou-se em Reiki II, estudou Cromoterapia, Cromopuntura, Radiestesia e Metafísica Aplicada à Saúde. Formada em Jornalismo e Direito, trabalhou por 15 anos unindo suas duas formações. Em 2014 deixou o cargo de jornalista para abraçar o que se tornou sua missão de vida: a hipnoterapia. Desde então, tem ajudado centenas de pessoas a resolverem seus problemas e a expressarem seu pleno potencial.

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