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Como a hipnoterapia pode tratar o alcoolismo

Temos observado ao longo dos tempos que algumas pessoas buscam uma solução mágica para a limitação humana. É estimado que cerca de 10% a 15% da população consome álcool excessivamente, 6% a 8% usam drogas ilícitas com frequência e que pais que consomem álcool além do social tem 70% mais chance de ter filhos que se drogam com frequência, é também a porta de entrada para as drogas ilícitas.

A dependência química não faz discriminação. Afeta pessoas de todas as etnias, profissões e níveis socioeconômicos. Grande parte dos acidentes de trânsito, comportamentos antissociais, violência doméstica, ruptura de relacionamentos e problemas no trabalho são provenientes do abuso de drogas.

O álcool por ser uma droga psicoativa, de acordo com a dose, frequência e circunstâncias, poderá ser consumida sem problemas, no entanto seu uso inadequado possivelmente trará graves consequências a nível orgânico, psicológico e social.

Neste processo ocorre uma interface entre o beber normal e o alcoolismo, em geral de vários anos, a pessoa passa a priorizar sua relação com o álcool em detrimento aos demais aspectos de sua vida, caracterizando a relevância da bebida e estreitamento do repertório.

Alguma vez você já perguntou a um dependente químico do álcool: Por quê você bebe? Muito provavelmente sua resposta foi: “Bebo para esquecer”. Esquecer o quê? O que tem acontecido ou está acontecendo na vida dessa pessoa que ela está querendo esquecer?

Sem dúvida, o álcool tem essa característica de fazer a pessoa que o consome de forma descontrolada a esquecer momentaneamente o que está acontecendo na vida dela, mas ao baixar o nível de alcoolemia no sangue, tudo volta como antes, acrescido de uma forte ressaca, que quase sempre, o dependente, para aliviá-la, ingere algumas doses, como costumam chamar de: “Beber para controlar os nervos”, que se dá no início da cronicidade com uma dose, como a doença é progressiva, evolui para três, quatro doses…

A música O Ébrio, de Vicente Celestino, nos fornece uma visão de como funciona a mente daquele que declara: “Bebo para esquecer!”

Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer
Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou
Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer
Não tenho lar e nem parentes, tudo terminou
Só nas tabernas é que encontro meu abrigo
Cada colega de infortúnio é um grande amigo
Que embora tenham, como eu, seus sofrimentos
Me aconselham e aliviam o meu tormento.

É fato consumado, que uma em cada dez pessoas que consuma bebidas alcoólicas tornar-se-á alcoolista. O problema é que, ninguém espera tornar-se dependente químico do álcool. “Isto não acontecerá comigo”, pensamos. Entretanto todos os que ingerem bebidas alcoólicas, têm potencialmente possibilidades de se tornar dependente químico do álcool (alcoolista), e/ou dependente de outras drogas.

O dependente químico do álcool, busca desesperadamente preencher um vazio, um buraco, uma emoção indefinível, incrustada solidamente no seu subconsciente.

Tem alcoolista que consegue se livrar sozinho? Sim, claro que tem, eu conheço vários, esses conseguiram adotar o princípio da “cessação voluntária”, em média 2 a 3% da população consegue dessa forma, a grande maioria precisará talvez passar pelo que os Alcoólicos Anônimos chamam sabiamente de “fundo do poço e o despertar espiritual”, para assim poder retomar os rumos da sua vida.

É necessário, quase sempre, a partir de uma decisão unicamente do alcoolista de deixar de beber e se tornar abstêmio. Se não será perda de tempo! É necessário que reconheça ser impotente diante do álcool. Conforme está explícito no primeiro passo dos Alcoólicos Anônimos: Admitimos que éramos impotentes perante o álcool, que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.

Como a hipnoterapia pode tratar o alcoolismo

Definição

¨É qualquer uso de bebidas alcoólicas que ocasiona prejuízos ao indivíduo, à sociedade ou a ambos”. Jellinek

Já de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades.

Dessa forma podemos concluir que o alcoolismo é uma doença, inclusive está catalogado no Código Internacional de Doenças – CID10 – Transtornos Mentais e Comportamentais devidos ao uso de álcool. Podendo ser classificado entre F10.0 à F10.9.

Causas do Alcoolismo

Biológicas:

Algumas pessoas podem ou não desenvolver a dependência química do álcool, geralmente se escuta alguém dizendo “fulano é forte”, qualificando aqueles que bebem muito.

Ocorre que ao ingerir a bebida alcoólica, mais de 90% dela é absorvido e eliminada pelo fígado, 2 a 5% é excretada sem modificações na urina, suor e respiração.

O primeiro passo na metabolização do álcool é sua biotransformação pelo fígado em aldeído acético, substância que é convertida em acetato, através da enzima acetoaldeído desidrogenase, essa enzima é geneticamente determinada, dessa forma, ela poderia funcionar como um freio para quem a possui em níveis baixos, pelo fato de acumular mais aldeído acético e por produzir efeitos como rubor facial, náuseas, taquicardia, etc.

Observações mais recentes, sugerem que níveis mais baixos de acetaldeído, estão relacionados ao efeito euforizante, sabidamente reforçador. Amit (1985; Brow, p. 83)

Segundo Ramos (1990, p. 28), há experimentos que demonstram que o comportamento de beber do alcoolista pode ser mediado por estímulos ambientais e cognitivos, não podendo ser descrito tão somente como resultado de uma compulsão biológica que o leva a beber até a embriaguez.

Psicológicas:

Temos observado ao longo dos nossos 27 anos de atuação na prevenção e no tratamento da dependência química do álcool, a perpetuação de frases como: “Beber para esquecer!”, “Beber para ser mais confiante!”. Sem dúvida essas são mentiras repetidas dezenas, centenas, milhares de vezes ao longo do tempo. Sabemos que quando uma mentira é repetida muitas vezes, tende a mentirosamente, querer tornar-se verdade.

Na verdade, a pessoa usa o álcool para ludibriar sua condição emocional. Toda pessoa possui um sensor ou vigilante, denominado de Superego, ocorre que o álcool faz com que ocorra a submersão dele e emerja a outra face de sua personalidade. Sendo assim, o introvertido se torna extrovertido, o inseguro se torna seguro.

Outro pressuposto é que o alcoolista aprende a lidar com suas questões existenciais, através dos efeitos do álcool, o que, de certa forma, justificaria a perda de controle.

Sociais:

Sabe-se que algumas culturas adotam o uso do álcool em seus rituais religiosos, com base em suas normas procedimentais administram com sabedoria e isso tem até prevenido o surgimento de novos casos de alcoolismo.

É fato que há regiões em diversas partes do mundo que tem contribuído indiretamente para o desenvolvimento do alcoolismo, por terem temperaturas baixas e possuírem hábito cultural de consumirem bebidas com teores alcoólicos diversificados, dessa forma pessoas que possuam tolerância alta ao álcool, precisará consumi-lo em quantidade maior para alcançar determinado nível de alcoolemia.

Com isso há uma forte tendência de acréscimo de pessoas que poderão torna-se dependente químico do álcool.

Como a hipnoterapia pode tratar o alcoolismo

Fases do Alcoolismo

1. Pré-alcoólica

Beber ocasionalmente para obter alívio;
Beber por prazer;
Aumento da tolerância.

2. Prodômica

Início dos blackouts de memória (amnésia lacunar, apagamento)
Beber escondido;
Beber pela manhã;
Incapacidade para discutir o problema.

3. Crucial

Diminuição da capacidade de parar de beber;
Beber amparado em desculpas;
Problemas familiares e ocupacionais;
Tremores nas extremidades digitais;
Deterioração física.

4. Crônica

Intoxicação crônica;
Medos indefinidos;
Obsessão por beber;
Todos os álibis descartados;
Completa derrota admitida.

Sintomatologia do Alcoolismo / Indicadores

Físicos:

Olhos avermelhados;
Tremores nas extremidades digitais;
Emagrecimento;
Anorexia;
Vômito pela manhã;
Pancreatite;
Pelagra;
Disfunção Sexual;
Contusões repetidas;
Nistagmo;
Delirium-Tremens.

Psicológicos:

Nervosismo;
Amnésia Lacunar;
Alucinações;
Zoopsias;
Alteração no estado de ânimo;
Insônia.

Comportamentais:

Retraição ao se falar em bebida;
Freqüentes consultas ao médico;
Absenteísmo;
Baixa produtividade;
Uso de purificador de hálito;
Dívidas acima do normal;
Hálito alcoólico;
Acidentes de trânsito.

Sociais:

Má adaptação social e familiar;
Rejeição social;
Problemas com: emprego, família, amigos, polícia, etc.

Laboratoriais: (Solicitação Médica)

Gama Glutamil Transferase – G.G.T.;
Volume Copuscular Médio das Hemácias – V.C.M.;
Triglicerídios.

Como a hipnoterapia pode tratar o alcoolismo

Tratamento / Diagnóstico

Uma etapa crucial para se iniciar o tratamento do dependente é ultrapassar seu mecanismo de defesa, que é composto por:

1. Negação, o dependente, na maioria das vezes, nega terminantemente que está tendo algum problema relacionado a sua relação inadequada com o álcool;
2. Racionalização, ele está sempre com boas e convincentes respostas para quaisquer perguntas que lhe façam;
3. Projeção, ele tende a projetar em alguém ou alguma coisa os porquês de sua situação, como: a mulher ou marido não entende, o salário não dar para nada…

Em alguns casos, eles se sentem invadidos em sua privacidade e soltam o verbo: “Eu bebo quando quero e com o meu dinheiro, paro quando quiser e não é da sua conta!”

O diagnóstico dar-se início com a anamnese detalhada, onde será analisada os porquês dessa relação inadequada paciente x álcool e seus relacionamentos. Além da pergunta clássica: Você quer parar de beber por que?

A resposta tem que ser convincente, que o desejo de parar é dele, do paciente, e não porque a esposa/marido ou filhos querem, se percebemos que o desejo não é do paciente, encerramos a sessão e o orientamos a voltar quando a decisão for unicamente dele.

No processo avaliatório, usamos as doze perguntas dos Alcoólicos Anônimos, onde sugere que caso haja uma resposta positiva, há indício que a pessoa tenha ou venha a ter, um dia, problemas com o álcool.

A nossa experiência de já ter aplicado centenas desse questionário nos fornece subsídios para propor os seguintes resultados com respostas positivas “sim”:

De 01 a 05 – Dependência leve;
De 06 a 08 – Dependência moderada;
De 09 a 12 – Dependência Grave.

Esse questionário é um excelente indicador de que pode haver problemas relacionados ao hábito pouco saudável de ingerir bebidas alcoólicas.

Outro questionário que fazemos uso é o CAGE, serve para identificar pacientes com descontrole no uso de álcool, que é composto por quatro perguntas:

Alguma vez você sentiu que deveria diminuir a quantidade de bebida alcoólica ou deveria parar de beber?
As pessoas o aborrecem porque criticam o seu modo de tomar bebida alcoólica?
Você se sente chateado consigo mesmo pela maneira como costuma tomar bebida alcoólica?
Costuma tomar bebidas alcoólicas pela manhã para diminuir o nervosismo ou a ressaca?

Caso haja duas respostas sim, das quatro acima, existe forte indício de existência de dependência química do álcool.

No Brasil, a validação do CAGE foi feita por Masur e Monteiro (1983).

É indispensável para que seja feito um diagnóstico sólido, o encaminhamento do paciente para avaliação médica, com o intuito de encontrar achados físicos (hepatopáticos, cardiopáticos, neoplasias …) e mentais, merecedores de atenção especial, como: ciúme alcoólico, Delirium Tremens, etc.

Caso o Médico conclua que aquele paciente faz uso de forma inadequada e descontrolada do álcool, possivelmente recomendará sua internação em hospital de clínica médica geral para desintoxicação, devido a síndrome de abstinência alcoólica.

Tratamento com Hipnose

Ao utilizarmos essa eficaz técnica complementar da terapia praticada por odontólogos, médicos, psicólogos e fisioterapeutas, buscar-se-á aquela emoção, que é incompreensível para o entendimento daquele que diariamente se entope de etanol, com um único propósito descrito por eles como sendo: “beber para esquecer”. Esquecer o quê?

O dependente nem sabe o que é, a emoção está muito além da análise, e das razões que o consciente faz uso para chegar a seu entendimento, é claro que ele criará conjecturas e metas, e se esforçará para atingi-las, ocorre que o subconsciente é preguiçoso, há anos vem atuando de um jeito e, por isso, acredita que está tudo bem com a pessoa, acreditando que está protegendo.

E para complicar, ainda tem o fator crítico que filtra rigorosamente todas as sugestões positivas, já as negativas são como uma faca quente na manteiga, encostou e já foi . Nem sempre as decisões do subconsciente são as mais apropriadas, ele age da maneira que for melhor para ele.

Com a hipnose, vamos ultrapassar o fator crítico e acessar o subconsciente do paciente e reprogramá-lo com hábitos saudáveis, vamos conseguir, através do acesso às memórias permanentes, encontrar o ECI-evento causador inicial, também chamado de cena nuclear, e os ECSs-eventos causadores secundários, que ao longo do tempo reforçaram o ECI, e ressignificar tudo, assim conduzir o paciente a um nível de sensação de paz, tranquilidade, até a restauração do seu autocontrole e domínio de sua vida.

O protocolo R2C da OMNI HYPNOSYS TRAYNING CENTER, sem dúvida é muito apropriado e completo, capaz de alcançar esse objetivo. Como o princípio da dependência química se assemelha, pode-se-á também utilizar o protocolo antitabagismo, adaptando-o às questões alcoólicas, reforçando assim o tratamento em andamento.

É possível haver recaída?

A recaída é o tendão de Aquiles de quem trabalha com dependência, e é possível que haja recaída, sim, no entanto, nos casos que atendemos, já montamos um plano de contingências que fornecerá subsídios, caso ela ocorra, poderemos atuar eficazmente, entendendo os porquês, ressignificando-os, para que haja aprendizagem e o paciente se capacite para enfrentar positivamente situações semelhantes no futuro, caso voltem a acontecer.

Segundo o Alcoólicos Anônimos, o consumo de bebidas alcoólicas é um voo no escuro.

“Se o seu caso é beber, o problema é seu, se seu caso é parar de beber, o problema é nosso!” Alcoólicos Anônimos

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Psicólogo, com diversas especializações nas áreas da Psicologia Organizacional e Clínica, é hipnoterapeuta com vários cursos nacionais e internacionais, dentre eles destacamos o da OMNI Hypnosis Training Center em: Hipnoterapia, HypnoSport e HypnoPerform. Atualmente é psicólogo da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba – CAGEPA, e também atua como psicólogo clínico e hipnoterapeuta na cidade de João Pessoa – PB. É atualmente Secretário da Sociedade Paraibana de Hipnose e Sofrologia.

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