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Como fazer um pre-talk de sucesso

Lembro do meu primeiro pre-talk. Era a minha consulta inaugural na carreira como hipnoterapeuta. Iria atender uma senhora com Alzheimer. Não tinha um script, ou melhor, não quis me prender a ele. Não coloquei qualquer empecilho à realização do trabalho, como local (já que fui à casa da cliente), idade, grau de dificuldade, nada!

Fui disposta ao acolhimento, à conversa olho no olho, e o mais importante, desejando muito fazer aquela senhora se sentir melhor. A conversa foi a ótima, embora ciente de que a recuperação da memória não seria uma garantia, a cliente se sentiu muito bem, disse estar saindo melhor do nosso encontro, especialmente com relação ao quadro depressivo, sendo que não fiz nenhuma demonstração de hipnose ou usei qualquer técnica.

Desde então, muitas vezes tem sido assim, tenho clientes que me enviam mensagens ou chegam para a primeira sessão de hipnose dizendo, “já me sinto melhor desde o pre-talk”. Percebi, desde cedo, que alguns cuidados garantem um pre-talk de sucesso. Saiba quais são eles.

O que é pre-talk?

mulher escrevendo

Uma boa conversa prévia garante o bom resultado da hipnoterapia. Fonte: Unsplash

Pre-talk, como o nome diz, é a conversa prévia com o objetivo de preparar o cliente para as sessões de hipnoterapia. Nele é feita a hipnoanálise, ou seja, o hipnoterapeuta faz as perguntas que julgar importantes para conhecer o caso e também explica como funciona a mente, a diferença entre consciente e subconsciente, o que é a hipnose e o estado de transe, como será a sessão, além de desfazer as dúvidas, sanar os medos do cliente, passar o valor do tratamento e deixá-lo seguro para começar.

Esse contato inicial é de suma importância, pois refletirá em uma boa terapia. Um pre-talk bem feito é garantia de que o cliente chegará pronto para as sessões de hipnose, com o que chamamos de postura mental positiva, ou seja, convencido da eficácia da hipnose e aberto às sugestões.

O pre-talk precisa criar expectativa no cliente, e para tanto, envolve um processo de convencimento. Isso se torna fácil para o hipnoterapeuta apaixonado pelo que faz, afinal, convencer o cliente não é, de forma alguma, pressioná-lo a fazer a hipnoterapia, mas transferir a ele a sua paixão, mostrar os resultados alcançados, e o que considero primordial: mostrar o verdadeiro interesse em fazê-lo se sentir melhor.

Existem protocolos que podem ser seguidos, ótimos para inspirar e embasar a explicação, mas nada substitui você perceber o que o cliente busca e ir conversando sobre cada ponto. Só assim você poderá compreendê-lo, acolhê-lo e chegar ao resultado esperado.

Etapas do pre-talk

Receber o cliente

mulher sentada tomando um chá

Quem procura ajuda, procura acolhimento. Mostre sua paixão e real interesse em ajudar. Fonte: Unsplash

O pre-talk provavelmente será o seu primeiro contato pessoal com o cliente, após o contato telefônico ou por redes sociais. Inicialmente, mostre a sua cordialidade.

Gosto de receber meus clientes com um abraço, um sorriso, chamar pelo nome, apresentar minha sala e oferecer uma água, chá ou café. Quem procura ajuda, procura acolhimento. É fundamental mostrar que o cliente ou paciente é bem-vindo, que ele é importante, que você está interessado em ajudar e estava aguardando por ele. Não falo em forçar, mas fazê-lo sentir o amor que deposita no seu trabalho.

Hipnoanálise

dardo com o pino no meio

Converse sobre o problema com objetividade. Fonte: Unsplash

Em seguida, faço a hipnoanálise com as perguntas de praxe para o meu registro e estudo do caso, explicando que logo conversaremos sobre o problema e por fim explicarei tudo sobre a hipnose, e que ele sairá de lá apenas quando todas as suas dúvidas forem sanadas.

Na hipnoanálise não há necessidade de saber demais. Uma das diferenças da hipnose para outros tipos de terapia, é que você não precisa saber detalhes da história de vida do cliente. O principal, nesse caso, é a pessoa chegar com uma queixa e um objetivo claros. Quanto mais claros, melhor. É possível ajudá-lo a alcançar essa clareza, perguntando, dentre tantas queixas, qual ele tem mais urgência em resolver. Normalmente resolvendo o que é urgente, os demais problemas amenizam ou podem ficar mais claros.

Gosto de ter um breve panorama de como andam as relações familiares, amorosas e profissionais. Pergunto também que nota daria para a sua vida, somando todos os aspectos dela, de 0 a 10. Quando necessário, torno a fazer essa pergunta no final como forma de mensurar e comprovar os ganhos.

Importante também fazer perguntas que ajudem a identificar um possível ganho secundário, como por exemplo, “o que o problema lhe obriga a fazer?”, ou “resolvendo esse problema, o que você estaria perdendo?” Muitas pessoas chegam a nós porque sabem que tem algo a resolver, dizem que querem resolver, mas no fundo podem estar tendo algum tipo de ganho oculto com o problema, o que dificultará o resultado.

Aos hipnoterapeutas iniciantes, aconselho testar e adaptar os formulários, tornando-os cada vez mais personalizados. As perguntas precisam fazer sentido para você, em primeiro lugar. Em segundo, precisam lhe ajudar a traçar um mapa do cliente, com o que busca tratar e qual o seu objetivo com a hipnoterapia.

Lembre-se: na hipnoterapia não é preciso falar demais, quanto mais claros e específicos forem em relação ao problema, você e o cliente, melhor.

Falar sobre o problema

pés no chão

Clientes satisfeitos são o motivo do nosso trabalho e a nossa melhor propaganda. Fonte: Unsplash

É importante deixar o cliente falar sobre o que sente e mostrar que você o entende, atentando para não se estender demais. Se for problema amoroso, por exemplo, deixe-o contar como se sente, interaja contando casos semelhantes e os resultados que outros clientes obtiveram. Costumo ter materiais para passar ao cliente nesses casos. Indico livros, filmes, envio algum material para leitura, para que acesse antes de iniciar as sessões. É possível presentear o cliente com brindes relacionados ao tema, como forma de motivá-lo. Troque experiências, deixe o cliente seguro de que você tem condições de ajudá-lo. É isso que vai fazê-lo sair se sentindo melhor, ver em você alguém com quem pode contar.

Hipnoterapeutas gozam do benefício de poder se aproximar do cliente. Não precisamos ficar restritos a um relacionamento distante, muitos dos meus clientes viram amigos, entram em contato de vez em quando, enviam feedbacks espontâneos, perguntam da minha gravidez, acompanham meu Instagram, e tudo isso não vem de graça, é conquistado com carinho. Prezo muito por um bom relacionamento e me deixa feliz construir essa ponte com eles. Clientes satisfeitos são o motivo do nosso trabalho e a nossa melhor propaganda.

Modelo da mente

É essencial o cliente sair do pre-talk sabendo o que é hipnose. Isso precisa ficar absolutamente claro para ele. Sabemos que muitos acreditam que a hipnose é algo que ela não é, o que gera uma série de equívocos, dificultando o trabalho do terapeuta.

É legal ter um desenho do modelo da mente, que ajude a ilustrar a diferença entre consciente e subconsciente. Algumas pessoas questionam se atingiram o estado hipnótico pelo fato de não compreenderem a mente subconsciente. A memória de longo prazo não é tão vívida e colorida, e as respostas brotam sem que se precise pensar ou buscar.

Uma das informações que mais fascinam os clientes é saber que o subconsciente é como uma câmera 24 horas ligada dentro de nós, registrando nossas experiências de vida desde antes do nosso nascimento, em termos de sentimentos. Esse registro não se perde e podemos dispor dele para nos ajudar. O estudo da mente vai ajudá-lo a criar um arquivo mental de informações e usar suas próprias palavras na explicação, pinçando o que achar conveniente em cada caso. É importante ter flexibilidade no discurso, falar a linguagem do cliente e ir acompanhando as suas necessidades.

Àqueles que demonstram medo e resistência e que questionam se vão conseguir ser hipnotizados, afirmo que até hoje nunca atendi uma pessoa que não conseguisse hipnotizar ou na qual não conseguisse fazer a regressão de memória, informação verdadeira que sempre tranquiliza o interlocutor.

Falando em verdade, fale sempre a verdade para o seu cliente. A sinceridade conquista as pessoas verdadeiras e é o melhor caminho em qualquer circunstância.

Sanar as dúvidas

É importante também perguntar se o cliente tem dúvidas e se colocar disponível para dirimi-las. Gosto de dizer que estarei disponível por Whatsapp, e em caso de dúvidas, podem entrar em contato.

Por outro lado, uma boa explicação, você verá, exime qualquer necessidade de pergunta. Você pode ser bem objetivo e dizer somente o que interessa e ainda assim fazer uma bela explicação. Seu cliente retornará para as sessões preparado e cheio de expectativa.

“Demitir” o cliente

Como disse, gosto de construir um relacionamento de amizade e proximidade com meus clientes. Ainda assim, não escapamos de eventuais problemas. Tive uma cliente que me deu um certo trabalho. Ela se sentiu melhor após a terapia, mas depois de um tempo decaiu novamente e veio reivindicar o resultado. Cabe aqui um alerta importante. Essa cliente chegou dizendo que havia feito hipnoterapia com outros colegas e que não tinha resolvido “nada”. Nessa hora meu alarme de emergência interno disparou, mas o excesso de autoconfiança me fez crer que conseguiria tratar o problema.

Nunca vi a hipnose não trazer algum benefício, o que não podemos garantir é o tamanho do resultado, pois depende muito do cliente, mas a hipnoterapia é um processo profundo, que, no mínimo, traz autoconhecimento, compreensão e aponta os caminhos.

Aquela cliente deu alguns indícios de que não estava pronta para o resultado, como pedir para fumar durante a sessão, não fazer as tarefas, e desconfiei de um ganho secundário envolvido, já que se aposentaria precocemente em virtude da doença. Aliás, costumo dar tarefas em alguns casos para sentir o engajamento do cliente. A pessoa engajada já chega dizendo, “fiz o que você recomendou”, e me contando o resultado. Outros sequer lembram da tarefa ou de usar a “âncora hipnótica”, o que mostra sua falta de comprometimento. Conhecemos a mente e sabemos que tudo que é esquecido, é deixado por algum motivo.

Enfim, quando sentir que o cliente espera um milagre, se vitimiza demais e quer que você faça todo o trabalho, você não só pode como deve declinar de atendê-lo, já que o comprometimento é requisito para o sucesso da hipnose. Uma forma elegante de fazer isso é colocar a responsabilidade nas mãos dele. Você logo sentirá, pela resposta, se ele está disposto a dar a sua contrapartida ou não. Importante dizer que terapia é via de mão dupla, é contrato bilateral. Você conduzirá o processo, mas a mente dele fará o trabalho. Quando você deixa clara a responsabilidade do atendido, você tem condições de confirmar, pela reação dele, até que ponto está disposto.

Passar o valor

Faço isso ao final de tudo, depois de explicar como funciona a hipnose, relatar casos de sucesso e deixar o cliente seguro sobre o que está contratando. Sabemos que a hipnose tem várias vantagens sobre outros tipos de terapia por ser breve, profunda e muito eficaz, por isso, tem um valor compatível com o que oferece.

Uma forma que encontrei de explicar o excelente custo-benefício da hipnose, é dividindo o valor do pacote em horas. Enquanto outro tipo de terapia pode custar 300,00 a hora, sendo que não há um limite de sessões ou uma estimativa de resultado, na hipnose você sabe exatamente que terá ganhos após um número “x” de sessões.

Eu trabalho atualmente com três sessões. Como disse, não podemos garantir a profundidade e a extensão dos ganhos, que dependerão muito de cada pessoa, mas podemos, sim, garantir que notará melhora e que isso pode acontecer a partir da primeira sessão.

Top 10 dicas:

  1. Falar a verdade, sempre, em qualquer circunstância. Existem mil jeitos de falar a verdade, encontre um!
  2. Tratar o cliente como gostaria de ser tratado. Eu não gosto quando estou interessada num serviço e a pessoa passa o valor apenas pessoalmente, então não vejo problema de passar por Whatsapp no primeiro contato. O valor das sessões não deve ser um tabu.
  3. Mostrar verticalidade. Mostre que sabe o que está fazendo e, sobretudo, saiba o que está fazendo.
  4. Paixão pelo que faz. Apaixone-se todos os dias pelos seus resultados e conseguirá, com muita naturalidade, sem esforço algum, transmitir ao cliente os benefícios da hipnose.
  5. Interesse em fazer o outro se sentir melhor. Essa dica deve ser o combustível do seu trabalho. Nos momentos em que precisar de inspiração ou mesmo tiver dúvidas sobre como conduzir um caso, pense simplesmente em fazer aquela pessoa se sentir melhor e a inspiração virá.
  6. Uma leitura, um vídeo, tirar dúvidas com os colegas e mesmo uma sessão de auto-hipnose antes de realizar um atendimento vão fortalecer suas convicções e trazer os argumentos que você precisa, na hora em que precisar.
  7. Seja o exemplo que você quer dar. Já vi pessoas que oferecem hipnoterapia ou coaching financeiro para ensinar outras pessoas a serem milionárias, sendo que elas próprias não são. Isso não funciona. Você só pode transferir aquilo que você tem, portanto, seja modelo para seus clientes.
  8. Confie mais em você do que em qualquer técnica. Já vi muitos colegas em início de carreira extremamente inseguros, por prenderem-se à teoria e se afastarem da intuição, ou melhor, nem saber ouvi-la. Seguir o coração é ir ao encontro da felicidade, sempre! Aliás, a hipnose nos aproxima muito disso. É isso que você faz com os clientes quando conversa com o subconsciente, superconsciente ou “eu superior”. Faça isso consigo também. Ouça-se! E bons resultados!
  9. Você lida com sonhos e esperanças. Trate as expectativas do seu cliente como um bem valioso que você transporta com cuidado, mostrando comprometimento e responsabilidade.
  10. Tranquilize-se. Pode ser fácil, leve e divertido se você estiver tranquilo. Um bom caminho para isso é tomar do próprio remédio, praticando auto-hipnose.

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Hipnoterapeuta OMNI Florianópolis/SC, membro da National Guild of Hypnotists – NGH, especialista em Hipnose para Crianças e Adolescentes – HypnoKids, colunista mensal do portal HypnoPlace. Formou-se em Reiki II, estudou Cromoterapia, Cromopuntura, Radiestesia e Metafísica Aplicada à Saúde. Formada em Jornalismo e Direito, trabalhou por 15 anos unindo suas duas formações. Em 2014 deixou o cargo de jornalista para abraçar o que se tornou sua missão de vida: a hipnoterapia. Desde então, tem ajudado centenas de pessoas a resolverem seus problemas e a expressarem seu pleno potencial.

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