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Como convencer alguém a buscar ajuda na hipnoterapia

Quando sentimos uma dor física, temos como hábito ir até a farmácia mais próxima e comprar algum medicamento para ter alívio imediato, afinal, ninguém gosta de sentir desconforto.

Quando queremos emagrecer e vemos um anúncio de uma pessoa que perdeu 10kg tomando uma cápsula sem mudar a alimentação e fazer exercícios físicos, queremos acreditar que aquilo será a nossa “salvação”.

E como grande parte dos brasileiros adotaram esse comportamento de querer o caminho mais simples, fácil e rápido… no momento que elas compreendem que hipnoterapia é um trabalho de cooperação, ou seja, não é uma pílula mágica que ela toma e não precisa fazer nada, muitos desistem, pois queriam um “milagre”.

Algumas pessoas que me procuraram, quando ouviram falar que a hipnoterapia é uma ferramenta rápida e eficiente para tratamentos como depressão e ansiedade, por exemplo, contaram que tinham a ilusão de que durante a sessão elas ficariam inconscientes e acordariam sem aquele incômodo, sem a depressão, como se tivessem tomado uma pílula mágica e não houvesse a necessidade de fazer nenhum esforço, a não ser pagar pela “pílula”.

Porque querer ser feliz, todos querem, mas estar comprometido e se esforçar para isso, nem todos estão realmente comprometidos.

ilustração de duas pessoas conversando

Fonte: SerenaWong / Pixabay

Como convencer alguém a buscar ajuda: só saber do problema não resolve

Hoje, o que mais atendo são pessoas com depressão, e nesse artigo vou focar nessa abordagem.

As pessoas que procuram a hipnoterapia para tratar a depressão têm consciência do que sentem (falta de vontade para fazer atividades “simples”, como acordar de manhã, se alimentar, choro excessivo, tristeza, excesso de sono ou insônia), de como isso as prejudica. Sabem caminhos que podem ser uma alternativa para tratar a depressão e muitas delas já estão em tratamento tomando medicamentos, mas como não percebem uma melhora instantânea e significativa, elas querem eliminar toda dor e sofrimento por meio do suicídio.

O que eu quero deixar claro é: ter a consciência do seu problema não resolve o seu problema. Mas então, qual o caminho para isso?

Causa

Em hipnoterapia, parto do pressuposto que você não nasceu com a depressão. Isso teve um início, uma causa. Ou seja, houve algum evento na sua vida que desencadeou esse comportamento. E esse evento, na maioria dos casos, ocorre na primeira infância.

Você não precisa saber o que originou isso, só precisa entender que a nossa mente é dividida em três partes: mente consciente, mente subconsciente e mente inconsciente. Na sua mente subconsciente, que é a parte que representa 90% da sua mente, ela armazena todas as suas memórias de longo prazo, desde que você estava na barriga da sua mãe.

O que faço, basicamente, é encontrar a causa do problema e dessensibilizá-lo, eliminando-o definitivamente. Em hipnose, podemos regredir diretamente ao momento em que o problema começou e alterar essa programação.

Resumidamente, se você não nasceu com depressão, se isso foi aprendido e interpretado na sua mente de uma maneira que desencadeou o programa da depressão, quando você altera essa percepção, você altera automaticamente a sua programação e comportamento.

Eventos subsequentes

E você pode pensar que teve vários momentos da sua vida que não ocorreram na sua infância e que você acredita que contribuiu para a depressão.

Em hipnose, depois de regredirmos à causa, trabalhamos também os momentos subsequentes que reforçaram a sua programação mental relacionados a depressão.

Autorresponsabilidade 

Recebo muitas mensagens perguntando sobre como agir com uma pessoa próxima (filho, marido, pai) que está claramente precisando de ajuda profissional, que está fazendo com que a vida de outras pessoas também seja influenciada negativamente pelo seu comportamento e não aceita ajuda.

Sabendo que ajudar quem não quer ser ajudado é inútil, quando uma mãe me relata que a filha tem depressão e me pergunta se a hipnoterapia pode ajudá-la, a primeira pergunta que faço é: a sua filha sabe que você está falando comigo, ela aceitaria passar por uma sessão de hipnoterapia?

Quando a mãe me liga e conta toda história da filha com depressão, que está há anos sofrendo, existem três probabilidades. A primeira é que a filha tem interesse e comprometimento em fazer sessão para desenvolver o processo de autocura da depressão; a segunda é que a filha está sofrendo, mas não quer ajuda; a terceira probabilidade é a mãe querer que a filha mude de comportamento, mas para a filha, o seu comportamento não é um problema e não quer agir de forma diferente.

Nas duas últimas probabilidades, se a filha não quer ajuda, não tem como ajudar quem não quer ser ajudado. E fazer hipnoterapia implica na pessoa querer ser hipnotizada e demanda autorresponsabilidade.

Autoresponsabilidade significa a pessoa decidir ser a única responsável pela sua vida, não culpar mais os outro, não se colocar mais no papel de vítima.

Mas na situação em que a filha claramente precisa de ajuda e está desacreditada em sair daquela situação. Então, o que os pais podem fazer é mostrar à filha que existem caminhos para que ela possa sair da depressão, dar apoio (sem passar a mão na cabeça), mostrar que se ela precisar de ajuda, irão apoiá-la, que poderão participar da caminhada com ela, mas que somente ela pode percorrer e dar os passos para se libertar.

corpo por dentro

Fonte: VSRao / Pixabay

Autoproteção 

É importante entender que a nossa mente tem a função de autoproteção. A nossa mente quer nos proteger de perigos reais ou imaginários.

Por exemplo: atendi uma mulher que sofreu um abuso sexual. A mente dela entendeu que homens são perigosos, que ela precisa ficar em alerta nas próximas situações, mas a forma que a mente dela decidiu protegê-la foi fazendo com que ela tivesse uma compulsão alimentar, porque dessa maneira ela engordaria e estaria se tornando menos “atraente” para os homens.

Mesmo sofrendo com a depressão, a mente só quer proteger, ela tem uma intenção positiva por trás desse programa.

Garantia da hipnoterapia 

É comum também as pessoas me perguntarem se existe uma garantia que a hipnoterapia vai funcionar. Para que você compreenda a resposta, é necessário ter muito claro o que é hipnose.

  • Hipnose é um estado natural da mente e toda hipnose é uma auto-hipnose. Ou seja, não é o hipnoterapeuta que hipnotiza alguém, mas é a pessoa que precisa querer ser hipnotizada e seguir as instruções.
  • Todas as pessoas podem ser hipnotizadas, exceto pessoas com alguma deficiência cognitiva.
  • Em hipnose a pessoa permanece consciente. Se ela está consciente, ela não dorme, ela está no controle e não faz nada que não queira.
  • O que faz a pessoa não entrar em hipnose é o medo. Se ela tiver algum medo em relação a hipnose ou ao hipnoterapeuta, a mente dela bloqueia e ela não entra nesse estado.
  • Ganhos secundários. Algumas pessoas tem benefícios maiores em permanecer com o problema do que os benefícios de eliminá-los.

Logo, se para a pessoa entrar em hipnose ela precisa querer e seguir as minhas instruções, o processo depende do comprometimento da pessoa também.

A grande questão é que para uma pessoa sair de um estado para outro, ela precisa querer. E se depende da pessoa entrar em hipnose, eu tenho uma limitação de que o processo não depende somente de mim.

E como Freud já dizia: Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda.

Se você está sofrendo, sabe que a hipnoterapia pode ser um caminho para você, até quando vai carregar esse sofrimento?

Sabendo que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com maior prevalência de depressão da América Latina.

Então, se gostou do artigo, compartilhe com os seus amigos! Você pode estar contribuindo para ajudar alguém com depressão.

Hipnoterapeuta pela OMNI Hypnosis Training Center.  Membro da National Guild of Hypnotists – NGH, especialista em Hipnose para Crianças – HypnoKids. Como hipnoterapeuta vem atuando com adultos e crianças, ajudando-os a melhorarem sua autoestima, serem mais confiantes e a despertarem o potencial que há dentro de cada um, de forma rápida e duradoura.

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