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Bullying na infância: como a hipnose pode tratar os traumas

Feridas da nossa infância permanecem conosco em nossa vida adulta. São dores que, se deixadas de lado, resultam em nossas inseguranças. A hipnose é uma excelente ferramenta para ajudar a tratar esses traumas. Neste texto, falaremos sobre o bullying e como uma pessoa pode trazer consigo suas consequências.

Um cliente que estava em posição de chefia relatou sua dificuldade em liderar sua equipe. Ele passou a vida se preparando para esse cargo. Estudou, se dedicou, ficou horas a mais no trabalho até que finalmente a chance de prosperar surgiu. Mas a fase que ele tanto almejou, se transformou em um pesadelo. Ele percebeu que tinha dificuldades em cobrar resultados, ficava nervoso com funcionários mais “rebeldes” e difíceis de controlar, e entrava em desespero cada vez que precisava fazer apresentações, já que precisava falar em público.

O bullying é a prática de atos violentos e repetidos. Ele pode gerar danos físicos e psicológicos. No Brasil, esse termo é traduzido como o ato de bulir, bater, zombar ou ridicularizar. Basta imaginar uma criança que por anos é submetida a humilhações diárias de colegas de classe e até mesmo de educadores mal preparados que ao cobrar disciplina, por exemplo, usam palavras duras que diminuem o aluno perante os colegas de classe. Essa violência tem como objetivo de intimidar, humilhar e em muitos casos acabam em agressão física.

menino triste olhando pela janela

Fonte: Free-Photos / Pixabay

Bullying na infância

A vítima é normalmente aquela criança que não consegue se defender dos agressores. O bullying não está restrito somente ao ambiente escolar. Ele pode ser praticado na rua, no clube, no trabalho e dentro de casa pelos próprios familiares. Essa prática resulta em crianças com dificuldade de aprendizagem e desvios de comportamento como:

Irritação excessiva
Transtorno alimentar
Dores no estômago
Depressão e ansiedade
Problemas com o sono
Falta de apetite
Pensamentos pessimistas

O medo e o adulto inseguro

A insegurança é uma das principais características que impede uma pessoa de ser bem-sucedida em sua vida pessoal e profissional. Quantas vezes tivemos chefes incompetentes, mas que eram seguros de si e chegaram a cargos de liderança? São pessoas que fazem um bom marketing pessoal, mas que na verdade tem pouca consistência e não tinha capacidade de liderar uma equipe.

No entanto, de nada adianta investir em cursos, passar horas a mais no trabalho, se no momento em que você tem a possibilidade de mostrar suas habilidades, sua reação é recuar e deixar que outra pessoa brilhe com suas ideias e se destaque.

Durante a sessão de hipnose, é possível mostrar ao cliente onde esse processo começou, quais foram os atos que resultaram em sua falta de confiança e mudar essa realidade.

A hipnose vai me ajudar a falar em público?

Quando um cliente me faz essa pergunta, eu respondo que sim. Falar em público envolve preparação, treino e, claro, uma dose de nervosismo e ansiedade. Vamos fazer um jogo: imagine seu ator ou atriz preferido e procure uma entrevista em que ele responda aquela pergunta clássica: você fica nervoso antes de entrar em cena? Provavelmente ele dirá que sim e que talvez essa sensação nunca passe.

No entanto, o problema é quando a pessoa tem calafrio, disenteria, sente sua pressão cair, vontade de desmaiar e faz tudo correndo para se livrar rapidamente daquela “tortura”.

Repito, se você souber o conteúdo, treinar e se preparar, o nervosismo é normal, mas nenhuma sensação destrutiva vai tentar impedi-lo(a) de fazer sua apresentação.

Meu cérebro quer me sabotar?

Ao recuar diante de uma apresentação, ou perder um cargo por não conseguir delegar e gerenciar uma equipe, não quer dizer que você quer se maltratar e deseja o fracasso em sua vida. Uma cliente que foi humilhada inúmeras vezes na infância por professoras e por familiares, tinha pânico de falar inclusive em dinâmicas de grupo em entrevistas de emprego. Ou seja, sofreu bullying na escola e dentro de casa.

A ideia que o subconsciente dela guardou foi: não fale em público, isso traz exposição e consequentemente o vexame. O corpo dela apenas respondia a essa sugestão e subconsciente fez direitinho o trabalho de tentar protegê-la. Ela sentia seu rosto ruborizar, passava mal e tinha tonturas para evitar o estresse que acreditava estar por vir.

Na hipnose, os profissionais sabem que essa ideia permanece até que seja substituída por outra ideia. E seguimos essa linha. Hoje, ela está livre do medo de falar em público e se apresenta sem nenhuma dificuldade.

homem fazendo terapia

Fonte: tiyowprasetyo / Pixabay

O bullying e o autoconhecimento

Durante a sessão, o cliente revive os momentos na vida em que aquela sensação de vergonha e fracasso estiveram presentes. Quando o bullying ressurge na lembrança daquela pessoa, quase sempre a reação é de surpresa. Nós acreditamos que ser motivo de chacota é normal e que lutar contra isso é “mimimi”. Evitar que isso ocorra é uma “frescura” dos tempos modernos e que as “brincadeiras” ajudam no crescimento emocional daquele cidadão. Felizmente, muitos pais estão atentos e as escolas investem em profissionais que ajudam na resolução desses casos e promovem reuniões para solucionar o problema.

Época de reviver os preconceitos

O bullying muitas vezes é a tentativa de nos tornar iguais, moldados e sem destaque. Uma criança considerada diferente, física ou mentalmente dos demais do grupo que frequenta, sofre preconceito e uma enorme pressão para se tornar um “igual” ao meio que pertence. Essa questão nos persegue por séculos e tem sido discutida recentemente com mais frequência.

Uma criança que desde pequena é incentivada a apreciar seu corpo, suas particularidades e suas escolhas, ficará menos suscetível à aprovação alheia.  A personalidade deste indivíduo será construída em ambientes de amor e aceitação. As gerações passadas sofreram mais com o bullying, por ele ter sido considerado parte da infância e adolescência. Hoje sabemos que ele é nocivo, sabota a vida pessoal e profissional de uma pessoa e pode causar males como ansiedade, depressão e síndrome do pânico.

A hipnose pode auxiliar a rever esses conceitos que foram construídos e libertar uma pessoa dessa dor de não se sentir capaz. Após a sessão, os sinais de melhoras são sentidos gradativamente e a autoconfiança retorna, pois deixamos de ser tão rígidos com nossos próprios atos e nos permitimos errar, levantar e continuar.

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Hipnoterapeuta e sócia da clínica Fênix Hipnose, jornalista e escritora. Integrante de um grupo que busca combater a violência contra a mulher, acredita que o tema deva ser levado a todas as esferas da sociedade. Estudiosa de Carl Jung e seus escritos sobre interpretação de sonhos, orienta as pessoas a encarar as suas feridas, a ressignificar suas emoções e a equilibrar relações com pais e companheiros(as).

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