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Bebê chorando sozinho no berço: as lições da hipnoterapia

Educar é um desafio e tanto. Uma missão a ser executada 24 horas por dia, sete dias por semana, pelo resto da vida. Um caminho que eu escolhi seguir em 2014, quando dei à luz o meu primeiro filho, Joaquim. Hoje, sou mãe dele e da Maria Teresa, nascida em 2017. A partir da minha experiência nesse campo e do meu dia a dia na Fênix Hipnose Clínica, veio a vontade de escrever este artigo. O desejo de compartilhar com o mundo essa reflexão: não deixe o seu bebê chorando sozinho no berço.

Quando engravidei pela primeira vez, ao ler Crianças francesas não fazem manha, de Pamela Druckerman, e Domando sua ferinha, de Christopher Green, tive a certeza de que aplicaria algum desses “treinamentos de sono”, populares em publicações deste gênero, com o meu pequeno. Na minha cabeça, era fundamental “ensinar Jojo a dormir” e não seria problema algum deixá-lo derramar lágrimas por três minutos antes de me aproximar para acolher qualquer demanda. Três minutos, não. Eu, por imaginar que seria uma mãe tão incrível, poderia muito bem esperar até cinco minutos para me aproximar. Assim, meu filho rapidamente ficaria tranquilo e calmo em seu cantinho assim, por, no mínimo, umas oito horas por noite, de domingo a domingo. Dizia para mim mesma: “pobres mães essas que reclamam que seus nenéns não dormem, não sabem aquilo que eu, com apenas uns poucos meses de gestação, já achava saber”.

Nem preciso dizer que caí do cavalo, né? É sempre assim que acontece quando agimos com prepotência e julgamos dominar qualquer situação antes de vivê-la. A realidade se mostrou completamente diferente das minhas imaginações. Na prática, como suportar ouvir o meu bebê chorando sozinho no berço por três minutos? E cinco então? Nem por 30 segundos, eu conseguiria. Meu instinto desde sempre foi proteger, amparar o quanto antes, mostrar ao meu bebê que eu estava ali, a hora que fosse, para cuidar dele.

Apenas segui o meu feeling. E querem saber? Deu tudo certo. Ao completar dois meses de vida, ele passou a dormir muitas horas seguidas com frequência: cinco, seis, sete, oito horas direto. Uma evolução que seguiu mês a mês. As noites de serenata de bebê em casa passaram a ser exceção. -Obrigada, universo, por essa benção -. Com a minha pequena, quase três anos depois, foi a mesma coisa. Com dois meses completos, viramos a chave do sono bom. – Gratidão, gratidão, gratidão-.    

Em tempo: se o seu rebento acorda mil vezes por noite, não tem problema nenhum. Pode acontecer, pois a maturidade do sono só vem depois mesmo. Por isso, não se preocupe. É muito comum e está tudo certo. O que importa é manter a calma e ter muita força nessa hora.

bebê chorando no berço

Fonte: Pixabay

Por puro cansaço

O que eu quero colocar em debate neste artigo é o impacto que tem, na formação de um bebê, ficar chorando sozinho no berço “para aprender a dormir”. Só depois de me ver diante dessa situação e optar por agir conforme o meu sentimento me dizia para fazer, comecei a ler sobre o tema.

O que eu descobri nesse processo? Que, ao ser abandonado, tendo apenas as próprias lágrimas como companhia, o bebê dormirá por puro cansaço. Quebrado após tanto estresse, vai entender que, na vida, não terá amparo, estando, na verdade, sozinho, sem poder confiar em ninguém.

Fico completamente arrasada apenas ao pensar em um dos meus filhos sentindo isso. Definitivamente, não é para mim. Muitas mães, porém, pensam de forma diferente. Já ouvi, inclusive, de uma amiga querida, totalmente dedicada aos seus dois meninos, que tinha sido um sucesso o “treinamento do sono”, com ambos, mas depois de muito sacrifício. O mais velho, para passar a dormir sem assistência, chorou no berço por três noites seguidas. O caçula, por um mês e meio. UM MÊS E MEIO, foi isso mesmo que eu escrevi. E como ela suportou essas duas provações, até hoje eu não sei.

Ela agiu assim por recomendação do pediatra e estava empolgada em me passar a dica logo que o meu Joaquim nasceu. Eu sei que cada família é um mundo e o que os pais devem avaliar o que é melhor para os seus filhos. Minha amiga, por exemplo, trabalha muito e precisava estar inteira para dar conta das suas demandas depois da licença-maternidade. O que eu questiono é a falta de ponderação a respeito do tema, o fato de que os médicos defensores da técnica não falam sobre essa sensação de abandono.

Chamo atenção para outros pontos ainda: e se o xixi tiver vazado da fralda e molhado a cama? A criança vai ficar no frio? Se tiver feito cocô, vai ficar suja por horas, até o dia seguinte? Disso, esses donos do saber absoluto do tema não falam também.

Ansiedade, pânico e depressão

O tempo passou, virei hipnoterapeuta e, enfim, fechei o meu ciclo de reflexões sobre o assunto. Na minha rotina de atendimento, são comuns os chamados eventos causadores iniciais (ECIs). São aquelas situações que criam marcas profundas na mente e podem dar origem a problemas emocionais. Casos como abandonar um bebê chorando sozinho no berço, nos primeiros meses de vida. Gente com ansiedade, pânico e depressão que traz no subconsciente as recordações desses momentos de solidão.

No processo de terapia com o auxílio da hipnose clínica, conseguimos ressignificar essa dor e aliviar o peito de quem sofre. Mas eu pergunto, a gente precisa instalar essa programação de medo nos nossos filhos? Por que? Por que as famílias não podem buscar formas de organização de modo a ter sempre alguém disponível, a mãe ou o pai, para atender a criança na madrugada? A mãe, o pai, a avó, o avô, quem puder. Que fique registrado que as mães não são as únicas responsáveis pelo cuidado de seus pequeninos, é óbvio. A responsabilidade é de toda a família.

Fico me perguntando o que pode aparecer numa sessão de hipnoterapia desses filhos da minha amiga um dia. Em especial esse que chorou por um mês e meio até começar a dormir a noite inteira. Tenho todo o carinho pelos dois e torço, do fundo do meu coração, para que sejam homens felizes e confiantes na vida. Mas, trabalhando com essas questões todos os dias, devo dizer que tenho motivos para temer que o arquivo de emoções deles, armazenado no subconsciente de cada um,  tenha sido seriamente bagunçado por isso.

pai e filho juntos

Fonte: Pixabay

Mais amor:  não deixe o seu bebê chorando sozinho

Senhoras mães, senhores pais: ajam conforme o seu instinto. Sintam o que é melhor para os seus filhos. Mas, acima de tudo, reflitam, pensem em todas as possibilidades, questionem recomendações de quem quer que seja antes de segui-las. E nunca se esqueçam: somos sensíveis, somos profundos, precisamos de base, amparo para crescer com confiança e felicidade. Mais amor, por favor. E só o melhor para nós, sempre!

Se gostou do artigo, compartilhe com seus amigos e familiares. Até breve! 🙂

Hipnoterapeuta OMNI e jornalista. É mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC – SP. Defensora dos direitos da mulher, tem orgulho de ser uma das sócias da Fênix Hipnose Clínica para Mulheres, ajudando a fazer do mundo um lugar melhor para ambos os gêneros.

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