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Amamentação e hipnoterapia

A festa começa depois da confirmação do teste. Geralmente aquele comprado na farmácia, cujo resultado sai em cinco minutos. Para muita gente, os cinco minutos mais longos da vida. Quando as listras aparecem no aparelho, vem um misto de alegria e medo, aquele frio na barriga, o embrulho no estômago que antecede o novo. Pode ser o primeiro, pode ser o décimo filho, a gente nunca fica indiferente à descoberta de uma gravidez. Se tem algo que muda a vida de alguém é a chegada de um herdeiro ou herdeira.

Quando a ficha cai, a gente se joga na organização do enxoval, decide como vai trazer o bebê ao mundo (se optando pelo parto normal ou agendando uma cesárea, o que, paciência, é tão comum no Brasil), começa a ler sobre os primeiros cuidados e até sobre educação.

Há um ponto primordial quando do anúncio da chegada de um bebê que normalmente fica de lado. Algo sobre as quais as mães e pais deveriam, mas não costumam pensar: como se preparar para a amamentação.

Assim foi comigo. Ao engravidar do meu primeiro filho, Joaquim, hoje com quatro anos, decidi, logo no início da gestação, que queria um parto normal, humanizado. Que as roupas e paninhos mais fofos dele viriam de Maceió, onde nasci, sendo feitos com bordados cheios de carinho. Já tinha lido Quem ama, educa!, do Içami Tiba, e A Auto-Estima do seu Filho, de Dorothy Corkille Briggs, mas não sabia nada sobre como me preparar para ter leite para o meu filho.

Na minha cabeça, não haveria problema algum. Eu estava tão bem, tão saudável, que naturalmente tudo correria perfeitamente, sem intercorrências, na hora de alimentar o meu menino. Em minha defesa, posso dizer apenas que, em determinado momento, perguntei ao meu obstetra o que poderia fazer, na gravidez ainda, pela amamentação. Ele, felizmente um médico muito tranquilo, respondeu: “apenas fique tranquila”.

Ele estava certo, mas o “ficar tranquila” não me isentava do cuidado em buscar informação, em ler a respeito de como deveria ter me planejado. Em vez de refletir tanto sobre birras, desafios que eu encaro hoje, que o meu rapazinho tem quatro anos, eu tinha que ter sabido, antes, do básico da mulher que amamenta.

mãe amamentando o filho

Fonte: 102Messmanos / Pixabay

Amamentação: para produzir mais leite…

Tinha que saber que é preciso grudar o bebê no peito para a produção ser estimulada, que os seios podem doer no começo se a gente estiver fazendo a chamada pega errada (e que a pega correta é quando o neném envolve com a boca a auréola toda ou a maior parte dela), que há alternativas naturais para estimular o processo (informe-se na farmácia de manipulação mais próxima ou deixe um comentário que eu conto), que a gente tem que beber muita água para se hidratar e que, sim, o estresse atrapalha demais, é preciso buscar a paz e a ajuda do parceiro e da família  para dar conta de tudo no começo da jornada.

Tudo o que eu só aprendi, a duras penas, quando o meu filho, em vez de ganhar, perdeu peso em seu primeiro mês de vida. Foi traumático. Confesso que até hoje carrego uma boa dose de culpa por isso, mas hei de me libertar um dia. O que eu quero registrar nesse artigo é a importância da preparação para o ato de amamentar.

Além de ler e conversar com outras mulheres e homens a respeito, pedir dicas, as gestantes podem contar com outra ferramenta poderosa de auxílio nesse sentido: a hipnoterapia. Um trabalho que pode começar ainda na gravidez, ou logo após o nascimento. Um mergulho nas nossas crenças limitantes, nos nossos medos, no estresse que tantas de nós sentem no começo de nossas caminhadas como mães. Meu filho foi planejado, sonhado, muito bem-vindo desde sempre, mas eu mesma me assustei diante da maternidade. Não é simples no começo.

Mais fortes com a hipnoterapia

Por isso a importância de entender o que nos limita previamente, com um bom reforço positivo para a produção de leite. Já li que é raro, muito raro, uma mulher não ter leite para o filho por questões fisiológicas. Na maioria dos casos, é a tensão que nos atrapalha mesmo. O que, sabemos, pode ser resolvido com o auxílio da hipnose clínica, do mergulho ao que está no subconsciente e precisa ser ressignificado. Um processo libertador, que vem para nos dar mais força e coragem. Para encher os seios de leite.

A hipnoterapia só apareceu na minha vida depois da minha segunda gravidez, quando tive a Maria Teresa, hoje com um ano e quatro meses. E me ajudou a escrever uma história diferente da primeira vez em que fui mãe. Ao contrário do irmão, ela teve um ótimo ganho de peso, sendo nutrida apenas pelo meu leite, em seus primeiros meses.

Com a pequena, eu já era uma mulher mais segura e confiante da minha força de mãe. Sabia que poderia amamentá-la, que o meu corpo era perfeito, que era só colocar em prática o que sabia e acreditar em mim. Foi o que eu fiz, usei as informações que tinha, trouxe à tona todo o poder que eu sempre tive, mas que havia sido deixado de lado porque eu estava tensa com a maternidade. Deu tudo certo, foi uma superação e uma alegria.

mulher sorrindo

Fonte: StockSnap / Pixabay

Hipnose clínica para transformar vidas

Mesmo com a sombra do estresse com a amamentação do Joaquim, com a culpa pela minha falta de informação no passado, segui em frente oferecendo o meu leite para a Maria Teresa, que mama até hoje.  Mas, claro, aqui e ali vinha uma ponta de medo de o meu leite acabar de uma hora para a outra. Com o meu menino, consegui amamentar até que ele tivesse dois anos e três meses, o que para mim foi uma vitória pessoal. Queria (quero) fazer o mesmo com a minha boneca: ir além dos dois anos de aleitamento.

Assim, relatei esse receio quando fui hipnotizada pela primeira vez. Meu hipnoterapeuta, o talentoso Henrique Rossi, adotou comigo uma técnica simples, mas poderosa, que me ajudou e ajuda até hoje. Apenas me imagino tomando um copo de água e sentindo o leite ser produzido pelo meu corpo, com todo o carinho, para a minha filha. Nessa hora, sinto os seios esquentarem, de tão forte que é o processo. O que ele fez comigo, em transe, em seu consultório, eu faço sempre que preciso ordenhar e me sinto agitada, fora do eixo. Funciona, é impressionante: o leite logo começa a sair. Simplesmente porque nós, mulheres, salvo exceções, claro, somos poderosas e cheias de amor. E porque hipnoterapia sempre dá certo quando realmente estamos dispostos a transformar as nossas vidas.

 

Hipnoterapeuta OMNI e jornalista. É mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC – SP. Defensora dos direitos da mulher, tem orgulho de ser uma das sócias da Fênix Hipnose Clínica para Mulheres, ajudando a fazer do mundo um lugar melhor para ambos os gêneros.

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