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Alienação parental: como a hipnose pode ajudar

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um a cada três casamentos termina em separação no país. A pesquisa aponta mais de 7 milhões de dissoluções registradas no país entre 1984 e 2016, ou seja, os divórcios aumentaram 269% e há aproximadamente 580 divórcios por dia.

Existem inúmeras razões que levam os casais a optarem pelo divórcio. Mas, o que gostaria de destacar são os casos de separação envolvendo filhos pequenos. A maior proporção das dissoluções ocorreu em famílias constituídas com filhos menores de idade (47,5%).

martelo de julgamento

Fonte: qimono / Pixabay

Guarda dos filhos

É importante que o processo de separação seja bem resolvido e o bem-estar da criança seja uma das prioridades do casal. Assim sendo, é importante que haja respeito e muito diálogo entre os genitores, buscando um consenso e visando o melhor para a criança.

Uma das preocupações do casal que se separa é a guarda das crianças. A guarda dos filhos menores é ainda predominantemente da mãe. E a guarda compartilhada é a mais recomendada, pois possibilita a ambos os genitores maior proximidade e acesso à vida da criança ou adolescente, proporcionando uma rotina semelhante a guarda conjunta e ao convívio e hábitos familiares que os filhos estão familiarizados.

Porém, em alguns casos onde os pais não conseguem resolver suas questões amigavelmente, pode ocorrer a alienação parental, quando uma das partes influencia o filho a tomar partido e a se colocar contra a outra parte.

O que caracteriza alienação parental e SAP  

Encontra-se previsto na Lei n.º 12.318/2010, em seu art. 2º: Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.

Entre os comportamentos que se enquadram como alienação parental estão: mudar de endereço e não avisar, recusar o contato por telefone, desvalorizar e insultar o ex-companheiro na presença dos filhos, trocar nomes e sobrenomes, proibir que o pai/mãe veja a criança, fazer chantagens, manipular, influenciar a criança ou adolescente contra o pai/mãe, dificultar visitas, omitir informações sobre os filhos, apresentar falsas denúncias para dificultar a convivência, entre outras atitudes que prejudiquem ou impeçam a relação do filho com um dos genitores.

A lei chama de alienador a pessoa que promove ou induz a alienação parental e de alienado o indivíduo que é vítima da alienação. O alienador pode ser além dos pais, os avós, outros familiares, padrasto/madrasta, amigos que manipulam o pai/mãe contra o outro para envolver o(s) filho(s) menor(es) na rejeição ao outro pai/mãe.

Consequências da alienação parental para a criança 

Embora a alienação parental possa parecer, um simples “desentendimento” entre pai e mãe, ela causa grandes impactos na vida da criança.

Em casos de separação por infidelidade, conflitos mal resolvidos, onde muitas vezes há um turbilhão de sentimentos e ressentimentos envolvidos, desencadeia um processo de destruição e desmoralização do(a) ex-parceiro(a) perante os filhos.

Segundo pesquisas voltadas para a Síndrome de Alienação Parental (SAP), as consequências da alienação parental para as crianças pode envolver, entre outros sintomas, culpa, ansiedade, depressão infantil, visão maniqueísta da vida, agressividade, medos, angústias, dificuldades de aprendizagem e somatizações.

A Síndrome de Alienação Parental (SAP), também conhecida pela sigla em inglês PAS, é o termo proposto por Richard Gardner para o contexto em que a mãe ou o pai de uma criança a treina para romper os laços afetivos com o outro genitor, criando fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação ao outro genitor.

pai e filho andando

Fonte: Olichel / Pixabay

Como a hipnose pode ajudar

A hipnose é um estado natural da mente, e o que os pais falam repetidas vezes para a criança, entra diretamente para a mente subconsciente dela, criando uma programação. Quando um dos pais critica o outro perto dos filhos ou para eles constantemente, isso, muitas vezes, faz com que a criança acredite e aceite como verdadeiras as percepções que lhe foram implantadas, criando um afastamento de quem ama e de quem também o ama.

Portanto, é extremamente importante ficar atento ao que falamos e aos exemplos que damos para as crianças. Se você está passando por uma separação, é imprescindível lembrar que independente dos conflitos que ainda possam existir, não envolver os filhos nas discussões e priorizar a preservação da saúde mental e emocional da criança é fundamental.

É importante também que a situação seja colocada de forma clara e simples para a criança, sem prejudicar a imagem do outro, para que eles lidem com seus sentimentos, sem se sentirem culpados achando que são a causa da separação e esclareçam todas as suas dúvidas e fantasias.

O Juiz titular da 1ª Vara de Família de Campo Grande, David de Oliveira Gomes Filho, afirmou que:

Estas crianças herdam os sentimentos negativos que a mãe separada ou o pai separado sofrem. É como se elas, as crianças, também tivessem sido traídas, abandonadas, pelo pai (ou mãe). Com isto, um ser inicialmente mais puro (criança) passa a refletir os sentimentos negativos herdados. Tendem, em um primeiro momento, a se reprimir, a se esconder, perdem o foco na escola, depois se revoltam, criam problemas na escola ou no círculo de amizades. Com o tempo, passam a acreditar que o pai (ou mãe) afastado é realmente o vilão que o guardião pintou. Sentem-se diferentes dos amigos, um ser excluído do mundo, rejeitado pelo próprio pai (ou mãe). Alguns repetem as frustrações amorosas dos pais na sua vida pessoal. Outros não suportam os sentimentos ruins e partem para o álcool ou coisa pior. A formação daquela criança passa a contemplar um vazio, uma frustração que não a ajudará no futuro. Outros, finalmente, ao crescerem e reencontrarem o pai (ou mãe) afastado, percebem que foram vítimas da alienação e se voltam contra o alienador, que passa a ocupar a figura de vilão da história e o feitiço se vira contra o feiticeiro.

Diante dessa afirmação do juiz, percebo claramente que muitos dos adultos que atendi e hoje sofrem, foram crianças que passaram ou ainda passam por situações de brigas constantes entre os pais. Pois a alienação parental ocorre também com pais vivendo juntos. Que se sentem ainda abandonados e rejeitados e nutrem raiva de um dos genitores, consideram ainda culpados e responsáveis pelo sofrimento dos seus pais, e já que eles não foram “felizes” nos seus relacionamentos, eles também acreditam que não são capazes ou merecem ser felizes.

Em hipnose, parto do pressuposto que se a pessoa não nasceu com um problema, aquilo teve um início, uma causa e pode ser tratado. E na maioria dos meus atendimentos, é evidenciado que em boa parte dos casos, a causa está na primeira infância. O que deixo claro nas minhas sessões, e que há uma diferença entre a relação afetiva dos pais e a relação entre pais e filhos, e que, mesmo que a primeira não tenha continuidade, o mesmo não se aplica à segunda.

O filho não tem culpa dos problemas dos pais, que as decisões e consequências que os pais tiveram são deles e que os filhos não são responsáveis por carregar aquele fardo. Muitos filhos, por terem sido criados em um ambiente onde o entendimento de relacionamento amoroso foi péssimo, acabam criando crenças originadas pelas percepções dos seus genitores, tais como: “Nenhum homem presta”, “Não serei feliz no amor”, “Todas as mulheres são interesseiras”… e por acreditarem nessas afirmações acabam também repetindo os mesmos padrões de comportamento de quem os criou.

A hipnose é uma ferramenta poderosa, capaz de reprogramar a sua mente, trabalhar e ressignificar traumas, ajudar no autoconhecimento, ajudar a trabalhar o perdão aos pais e a si mesmo, lidar e se libertar de emoções, como a culpa, raiva, tristeza, depressão. E assim, entender o poder da autorresponsabilidade e assumir o controle da própria vida.

Se os pais percebem comportamentos nos filhos oriundos da separação, podem procurar ajuda profissional para a criança, para que o rompimento ocasione o mínimo de impacto possível na sua vida e no seu futuro, mas atenção: não basta acreditar que somente o profissional vai ajudar a criança a lidar com esse momento. Se os genitores continuarem discutindo e envolvendo os filhos com os seus problemas, o problema das crianças são os pais. E será necessário que ambos os genitores busquem um acompanhamento, seja individual ou uma terapia familiar.

Pai/mãe por mais que tenha dificuldades no relacionamento com o seu ex-companheiro(a), que queira distância dele(a), que queira puni-lo afastando do seu filho, que seja difícil a saudade ao dividir a guarda, que precise lidar com as inúmeras preocupações, que sinta dor e que queira desabafar, não descarregue todas as suas frustrações, feridas e mágoas em cima do seu filho. Essas emoções são suas. Busque meios de se cuidar para estar bem consigo mesmo e em suas relação com os filhos. A culpa não é da criança. O relacionamento que o seu filho irá desenvolver com o seu ex-cônjuge é muito importante. Lembre-se que o seu relacionamento afetivo é uma coisa, o relacionamento de pais e filhos é outra. Não afaste o seu filho de quem ele ama e de quem o ama também. Não crie feridas nos seus filhos que podem ser evitadas!

Sei que educar é desafiador, e quando está aliado a uma separação, pode ser mais difícil ainda, mas existem meios, como a hipnose, que estão disponíveis para lhe ajudar, ajudar os seus filhos.

É super possível ter um relacionamento harmonioso e feliz com seu ex-cônjuge, e assim sendo, você irá formar e criar um adulto mais compreensivo com vínculos afetivos saudáveis e sociais fortalecidos.

Então, se gostou do artigo e deseja que mais pessoas leiam isto, compartilhe com seus amigos e familiares. Até a próxima!

Hipnoterapeuta pela OMNI Hypnosis Training Center.  Membro da National Guild of Hypnotists – NGH, especialista em Hipnose para Crianças – HypnoKids. Como hipnoterapeuta vem atuando com adultos e crianças, ajudando-os a melhorarem sua autoestima, serem mais confiantes e a despertarem o potencial que há dentro de cada um, de forma rápida e duradoura.

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