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Abuso sexual infantil: a hipnoterapia protege o seu filho

Diante de uma das maiores especialistas do mundo em hipnose clínica para crianças e adolescentes, a suíça Barbara Scholl, eu não poderia deixar de perguntar sobre uma das maiores violências a que um ser humano pode ser submetido: o abuso sexual infantil. Levantei a mão e, num dos momentos para tirar dúvidas do treinamento Hypnokids, conduzido por ela no Brasil, em maio de 2019, quis saber como os pais e até mesmo nós, hipnoterapeutas, poderíamos ajudar a prevenir esse crime tão terrível. A resposta foi simples e perfeita: é preciso trabalhar a autoconfiança dos pequenos antes de qualquer outra coisa, o amor-próprio.

Como terapeuta e mãe de duas crianças, um menino e uma menina, tenho refletido muito sobre o assunto. E buscado formas de trabalhar no sentido de combater essa monstruosidade que é o abuso sexual infantil, um problema alarmante em nosso país. De acordo com dados do Ministério da Saúde, entre 2011 e 2017, o Brasil teve um aumento de 83% nas notificações gerais de violências sexuais contra crianças e adolescentes. Nesse período foram notificados mais de 184 mil casos de violência sexual, sendo 58 mil (31,5%) contra crianças e 83 mil (45%) contra adolescentes.

Para tornar tudo ainda mais assustador, as estatísticas apontam que a maioria das ocorrências, tanto com crianças quanto com adolescentes, ocorreu dentro de casa e os agressores são pessoas do convívio das vítimas, geralmente familiares. O levantamento também mostrou que a maior parte desses casos de violências é praticada mais de uma vez.

Se a estatística o surpreendeu, pare e pense em quantos casos de abuso sexual infantil você conhece na sua família ou no seu ciclo de amigos. Certamente, não são poucos. Todo mundo sabe de algum relato do tipo, por mais velado que seja esse debate. Aliás, é triste e prejudicial que não se fale mais abertamente sobre o assunto, deveríamos agir de modo contrário.

Mãe e filho se abraçando

Fonte: ast25rulos / Pixabay

Informar para prevenir

O reforço da confiança em si e da autoestima das nossas crianças será eficaz se antes tivermos um cuidado básico: informá-los a respeito do que é abuso. Sem essa noção, eles não saberão que estão sendo vítimas desse tipo de violência. Não à toa, muitos abusadores usam o argumento de que estão “fazendo carinho” para tocarem nos pequenos. Sem saber identificar esse tipo de ato, o caminho estará aberto para esses agressores.

Assim, diga ao seu filho, ao seu sobrinho, ao seu afilhado ou afilhada que ninguém pode tocar em suas partes íntimas (explique antes quais são as partes íntimas, claro). Que os pais e cuidadores podem apenas ajudá-lo ou ajudá-la a se limpar na hora de troca de fraldas, nas idas ao banheiro e na hora do banho. E nada mais. Somente ele ou ela tem o direito de se tocar. Se algum adulto tentar passar dos limites, é preciso que os pequenos relatem o fato aos responsáveis.

Na minha casa, acrescento uma orientação. Sempre alerto meus filhos sobre como esses covardes muitas vezes chantageiam suas vítimas. Não é nada incomum que para conseguir o que desejam, abusadores ameacem as crianças. E como fazem isso? Dizem que irão machucar os pais dos pequenos, caso sejam denunciados pela criança ou adolescente. Reforço aos meus filhos, porém, que isso é mentira. Trata-se apenas de uma tentativa de assustar. Enfatizo que eles devem confiar nos pais.

A indicação é começar esse trabalho de esclarecimento o quanto antes. Com o meu mais velho, que tem quase cinco anos, o assunto entrou em pauta por volta dos dois anos. Com a minha caçula, que acabou de fazer seu segundo aniversário, já estamos começando a conversar.

Fale com a sua criança, abra um canal aberto de diálogo sobre o tema. Eles entendem tudo rapidamente, pode ter certeza. Não tenha qualquer receio quanto a isso: o erro é se omitir. Ofereça a ele ou a ela ferramentas para conseguir se defender, para não se deixar abusar. 

Seja fonte de segurança

Quem se sabe amado e se desenvolveu com a crença de que é capaz, corre menos risco de ser abusado. Precisamos ajudar os nossos filhos a crescerem com segurança, acreditando em si, gostando de quem são e se valorizando. A saberem que não podem se deixar explorar por ninguém. Esse é o nosso papel de pais, familiares, amigos, educadores, terapeutas. Todos temos a obrigação de ajudar as crianças a crescerem com esse entendimento, com essa consciência.

Como é possível fazer isso? No consultório, nas sessões de hipnoterapia, são muitas as possibilidades. Escolha um bom profissional e confie na técnica. Em casa, aqui vão algumas dicas. Tudo muito básico e fácil de aplicar:

SleepTalk 

Faça reforços positivos com o seu filho na hora de dormir. Escolha três afirmações (ou quatro, não muito mais que isso) e repita cada uma cinco vezes. Importante: não usar as palavras não e nunca nessas frases. O que eu falo na minha casa, para os meus filhos, todas as noites: você é muito amado pela mamãe, pelo papai, pela sua irmã e por toda a sua família, você é muito especial do jeito que você é e você vai dormir a noite inteira e acordar se sentindo muito bem. Esses conteúdos devem ser ditos bem na hora em que o menino ou a menina (ou o bebê) estiver pegando no sono, exatamente naqueles instantes em que os olhos começam a se fechar. Escolhas as afirmações que quiser e fale todas as noites. 

Terapia do espelho

Diante do espelho, todas as noites (pode ser na hora de escovar os dentes, por exemplo), faça três elogios à criança. Dois devem ser ligados ao dia, como, por exemplo, “você desenhou uma maçã muito bem hoje”, “você foi muito educado com as visitas” e assim por diante. Já o terceiro deve destacar alguma característica: “adoro os cachinhos do seu cabelo” ou “que lindos olhos tem você”. Simples assim, um belo reforço de autoestima. 

Deixe que eles conheçam a própria história

Fale da gravidez, do nascimento, descreva todos os fatos mais bonitos e particulares da trajetória das suas crianças. Eles amam e se sentem muito valorizados. Mostrar os álbuns de fotos, impressos ou digitais, ajuda muito também. Trata-se também de uma grande diversão, posso te garantir, você vai ver. 

Essas são apenas algumas ideias de práticas. Use a criatividade, e todo o seu carinho, para fazer com que os seus pequenos saibam o quanto são especiais. 

criança triste e cabisbaixa

Fonte: Alexas_Fotos / Pixabay

Fique atento aos sinais

Além disso, de todo esse cuidado prévio, vale a pena ficar atento a alguns sinais. A comportamentos que podem indicar que uma criança sofreu abuso. Alguns deles: dificuldade de concentração e aprendizagem, alterações da fala e comportamento de evasão, hiper sexualização, baixa autoestima, agressividade, rebeldia, enurese tardia (aquela criança que nunca fez xixi na cama e passa a fazê-lo), insônia, terror noturno, medo excessivo, anorexia, bulimia e demais transtornos alimentares, perda da visão positiva do mundo.

Informe seus meninos e meninas sobre os riscos, seja claro, verdadeiro, diga que ele pode confiar em você. Sempre! Dê amor, base, confiança. Pouco a pouco, casa a casa, família a família, o drama do abuso sexual infantil pode perder espaço. Façamos o nosso melhor nesse sentido. Hipnoterapia liberta e ajuda muito no que se refere ao tema também.

Se gostou do artigo, compartilhe com os seus amigos e familiares. Indique para quem você acreditar que o assunto será útil. Até breve! 🙂

Hipnoterapeuta OMNI e jornalista. É especialista em hipnoterapia para crianças (Hypnokids) e mulheres. Também é mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Defensora dos direitos da mulher, tem orgulho de ser uma das sócias da Fênix Hipnose Clínica, ajudando a combater desigualdades e fazendo do mundo um lugar melhor para nós todos.

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