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5 dicas para discutir hipnose com psicólogos

Muitos colegas que atuam com a hipnose para a prática clínica relataram dificuldades no contato com profissionais da área de Psicologia, no que tange à discussão da validez dos processos hipnoterapêuticos e ao questionamento da formação do profissional de hipnoterapia.

Para ajudar em uma aproximação, resolvi compartilhar 5  dicas que busco ter em mente ao conversar sobre hipnose com outros colegas psicólogos, assim como eu. São dicas baseadas na experiência que funcionam como conselho, caso você encontre alguma dificuldade no seu dia a dia ao defender sua prática clínica.

5 dicas para discutir hipnose com psicólogos

1. Psicologia é um campo plural

Tenha em mente que a Psicologia não possui um corpo de conhecimento unificado. Os profissionais da área muitas vezes estão acostumados ao embate de ideias e práticas, porque não existe concordância entre as diversas teorias sobre qual é o objeto de estudo da Psicologia, nem sobre seus métodos.

Compreenda que você pode se dirigir a profissionais com modos de pensar completamente distintos. Pode ser interessante saber em linhas gerais do que se trata cada teoria. Desse modo, você consegue adaptar seu vocabulário da melhor maneira possível.

Por exemplo, você pode descrever a hipnose como um comportamento para um psicólogo de orientação behaviorista, ou como o trabalho com o inconsciente para um psicólogo de orientação psicanalítica.

Vale lembrar também que não existe uma cátedra de hipnose nas faculdades de Psicologia. Esse desconhecimento leva a preconceitos, mas você pode usar sua experiência para desfazer mal-entendidos.

2. Evite usar a palavra subconsciente

O termo subconsciente está associado ao movimento do New Thought, relacionado a um contexto esotérico. Embora o conceito de modelo da mente de Gerald Kein, que é utilizado como referência em hipnose, não se associe ao esoterismo, a palavra funciona como um gatilho para profissionais da área de Psicologia, como algo que deve ser refutado de imediato.

Se o profissional estiver associado à área da Psicanálise, o subconsciente de Gerald Kein corresponderia aproximadamente ao conceito de inconsciente freudiano, o que pode gerar ainda mais confusão – já que no modelo da mente a palavra inconsciente é utilizada para designar o funcionamento fisiológico basal do ser humano. Adaptar a nossa linguagem neste caso é a melhor maneira de obter mais sucesso e aceitação nessa área.

Uma alternativa útil neste contexto seria usar outro nome (níveis 1, 2 e 3; partes A, B e C) ou falar em termos de processos/funções. Basta manter o conceito e mudar a palavra que você usa. Se você tiver disposição para criar um pequeno pre-talk para cada linha teórica, pode ser uma boa alternativa:

“Existe aquela parte responsável pelo funcionamento fisiológico, que no momento vamos deixar de lado. Nós trabalhamos basicamente com duas instâncias. Uma instância responsável pelos processos (ou funções) racionais, de memória de trabalho, etc. E uma instância responsável pelas emoções, hábitos, memória de longo prazo e autopreservação, que não é imediatamente acessível ou controlável pelo consciente (se for um profissional associado à Psicanálise) / pelo repertório de comportamentos verbais (profissional de orientação comportamental) / pelo córtex pré-frontal (profissional de orientação neuro-psicológica).”

Caso opte por usar mesmo assim a palavra subconsciente, explique antecipadamente o conceito ao qual você se refere.

5 dicas para discutir hipnose com psicólogos

3. Construa um sistema de indicações

Precisamos compreender que toda profissão e todo profissional possui limitações. Inclusive você. Uma dica para estabelecer pontes com profissionais de Psicologia é criar um sistema de indicações.

Ao conhecer um psicólogo, busque saber qual é sua área de atuação e pergunte se você pode indicar pacientes seus que tenham necessidades de realizar psicoterapia.

Trabalhe suas crenças, caso você as tenha, de que a hipnoterapia é o único tipo de tratamento eficaz. É excelente acreditar que você tem nas mãos uma ferramenta muito eficiente, mas é importante entender que nem você nem a ferramenta são onipotentes.

Vamos supor que você trate um paciente que tem queixa de fobia social. Com a hipnoterapia, o paciente pode melhorar incrivelmente a questão da fobia, mas… Será que ele tem repertório comportamental, inteligência emocional e desenvolvimento emocional para viver normalmente no contexto social?

Poderia ser uma ótima ideia indicar esse paciente para um psicólogo parceiro, que possa continuar esse trabalho. Os efeitos da hipnoterapia vão se potencializar ainda mais, a satisfação do paciente será maior. A probabilidade de que o profissional indique algum paciente dele para você será maior e o seu sucesso profissional também.

Ao ver que você trabalha em cooperação, e que seu intuito não é o de “roubar pacientes”, os psicólogos serão muito mais abertos a trabalhar com você e indicar cada vez mais pessoas. Convide o profissional para conhecer sua sala de atendimento, receba-o para conversar e trocar experiências. Crie pontes que irão impulsionar sua prática e aumentar seu escopo de conhecimento.

4. Saiba explicar o que você faz

Lembre-se que existe uma percepção social com relação à hipnose repleta de preconceitos. Os psicólogos muitas vezes possuem esse mesmo tipo de visão, reforçada por profissionais antiéticos e que realizam um trabalho raso, por exemplo, profissionais que utilizam regressão sem realizar ressignificação, ou profissionais que não entendem o que é o deslocamento de um sintoma.

Quando um psicólogo questiona a validade da sua atuação, muitas vezes ele tem em mente que esses profissionais são antiéticos. Nesses casos, saiba se distanciar. Explique de maneira tranquila como você trabalha.

Outro ponto importante é esclarecer sempre que seu objeto de trabalho é diferente daquele da psicoterapia. Isso ajudará bastante a diminuir os desentendimentos de ordem territorial e a desfazer a ideia de que você quer se apropriar de um campo de atuação de outra profissão.
Enfatize sempre que seu foco é na pessoa e que sua atuação é pontual, não interferindo de maneira negativa no processo psicoterapêutico do paciente.

5 dicas para discutir hipnose com psicólogos

5. Use hipnose

Você é um profissional especialista em hipnose, então use isso a seu favor. Lembre sempre das regras da mente ao discutir com outros profissionais, para melhorar seu poder de convencimento.

Muitas vezes vejo profissionais da hipnose esquecendo do pharsing e dizendo “eu não vou roubar seu paciente/ seu paciente não vai abandonar a psicoterapia”. Como a mente emocional não compreende o “não”, o efeito gerado aqui é o inverso, fortalecendo a ideia de competição. Você pode dizer “quero trabalhar em conjunto/ acho muito importante que ele continue com a terapia com você”, no lugar.

Use hipnose em vigília. Já que emoção ultrapassa o fator crítico, procure argumentar pelo lado emocional. Mostre respeito e enalteça o profissional com quem você discute, para que suas ideias sejam aceitas com menos resistência.

Use quebras de padrão durante a conversa, logo antes de introduzir as ideias que poderiam gerar conflito. Por exemplo, se a conversa tiver um fluxo de discussão sobre “a necessidade de preparo profissional para trabalhar com a saúde mental do ser humano”, antes de incluir seu comentário a respeito da eficiência da hipnoterapia, quebre a conversa com outro assunto. Use a criatividade – pode ser algo como perguntar se o profissional gosta do bairro onde ele está atendendo, ou qualquer coisa que altere o fluxo de ideias anterior.

Aumente a possibilidade de um yes setting. Comece com a concordância em questões óbvias. Que vocês dois querem ajudar o paciente da melhor maneira possível; que o ser humano é complexo; que toda busca por autoconhecimento é válida; etc. Apenas depois busque a concordância naquilo que você quer (a hipnoterapia tem validade para a melhora do bem-estar do paciente).
Use a imaginação!

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Psicóloga formada pela Universidade de São Paulo e hipnoterapeuta pela OMNI Hypnosis Training Center. Utiliza a hipnose na área clínica, com foco em tratamento de ansiedade. Trabalha também com hipnose experimental e auto-hipnose para desenvolvimento pessoal.

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